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A teoria dos dominós aplicada ao comunismo

A teoria dos dominós aplicada ao comunismo

A teoria dos dominós, utilizada durante a Guerra Fria, demonstrava de forma eficaz como um país, ao sucumbir ao comunismo, mesmo com pouco ou nenhum contato externo, poderia influenciar as nações vizinhas a tornarem-se ditaduras comunistas. Isto ficou comprovado em duas ocasiões históricas muito importantes, embora a simbiose da conformação política de ambas tenha sido muito diferente. A primeira delas foi a União Soviética, que tornou-se comunista nos anos 1920, a China logo em seguida, em 1949, e a Coréia do Norte, pouco depois.  

A China tornou-se uma ditadura comunista por influência da Terceira Internacional, organização marxista-leninista localizada em Moscou, que tem por finalidade difundir o comunismo pelo globo terrestre. Evidentemente, foram responsáveis por exportar o comunismo para muitos outros países mundo afora. 

A Coréia do Norte tornou-se uma ditadura comunista por questão da divisão da Península da Coréia entre os Aliados. Da mesma forma como os Estados Unidos e a União Soviética dividiram a Alemanha depois da guerra em República Federal da Alemanha e República Democrática Alemã, as duas grandes potências que disputavam a soberania de suas respectivas esferas de influência pelos quatro cantos do globo terrestre concordaram, da mesma maneira, em dividir a Coréia, que fora colônia japonesa de 1910 a 1945. Depois de sua derrota na Segunda Guerra Mundial, o Japão naturalmente perdeu sua hegemonia na península. Depois de dividi-la no infame Paralelo 38, duas nações completamente incompatíveis foram criadas. Evidentemente, cada potência difundiu e estabeleceu sobre o seu respectivo protetorado a sua forma de governo. Desta maneira, por ser um protetorado da União Soviética, a Coreia do Norte tornou-se uma ditadura comunista, enquanto a Coreia do Sul, sob a tutela dos Estados Unidos, tornou-se uma nação livre e democrática. Em 1950, o totalitário regime comunista de Pyongyang invadiu o seu vizinho do sul, e os Estados Unidos se viu na obrigação de interferir - para a surpresa do regime de Kim Il-sung, que não esperava por isso - para auxiliar e defender o seu antigo protetorado asiático. Com sua intervenção, os Estados Unidos conseguiu evitar uma catástrofe. Impediu a dissolução de um país livre, resguardando-o do totalitarismo comunista de forma resoluta, evitando, desta maneira, que a metade livre da península acabasse sendo agregada a um regime tirânico. 

Após três anos de uma brutal e insidiosa guerra, debaixo da qual Seul, a capital sul-coreana, oscilou entre o controle dos comunistas e dos americanos cinco vezes, as duas nações eventualmente concordaram com um armistício. Mas, tecnicamente, ambas ainda estão em guerra. Um acordo formal de paz nunca foi assinado. Direta e indiretamente, a União Soviética e a China comunista fizeram questão de apoiar o regime de Pyongyang, encarando-o como um importante estado-tampão que fazia uma ponte entre o hemisfério comunista asiático, e o mundo exterior de influência política e econômica americana. Hoje, a China continua sendo o principal aliado da Coreia do Norte.  

A segunda vez que a teoria dos dominós mostrou-se verdadeira, foi através de um ataque muito mais rápido e intempestivo, que começou quando o sudeste asiático abruptamente sucumbiu sob a influência do comunismo, nos anos 1970. Nesta década, três países da região tornaram-se regimes totalitários comunistas: o Vietnã, o Laos e o Camboja. 

Foi por esta razão que os Estados Unidos interferiu no Vietnã, dando início a uma das mais mortíferas e controversas guerras do século 20. Neste período, assim como a Coréia, o Vietnã também era divido em duas nações: a República Democrática do Vietnã (no norte) e a República do Vietnã (no sul). Tudo começou quando o norte comunista invadiu o sul, em uma tentativa de unificar o país, e estabelecer o comunismo no sul. Desta maneira, como parte da sua política de contenção do comunismo, o governo americano mobilizou as forças armadas para apoiarem o Vietnã do Sul na guerra contra o Vietnã do Norte, em uma tentiva de combater, afastar e salvar os vietnamistas meridionais do totalitarismo.  

Por diversas razões, a Guerra do Vietnã foi muito mais complicada, árdua e difícil do que a Guerra da Coréia. Terrenos acidentados, matagais fechados, animais selvagens, uma geografia complexa, imprevisível e perigosa, além da interferência de forças externas - como milíicias da China, do Laos e do Khmer Vermelho, além dos Vietcongues, guerrilheiros comunistas do sul apoiados pelo norte - tornaram a vitória cada vez mais improvável para as forças armadas americanas e para o Vietnã do Sul. Inadvertidamente, o sul gradualmente sucumbiu diante das corrosivas e agressivas invasões do norte. 

Depois que 58.000 soldados americanos perderam a vida no Vietnã, o congresso americano não viu mais sentido em continuar na guerra. Mesmo que o presidente Gerald Ford fosse plenamente favorável à contenção do comunismo e a permanência do exército americano na região, ele nada podia fazer quando seus correligionários no congresso decidiram abandonar o conflito que tinha como objetivo resguardar a integridade territorial e política do Vietnã do Sul.

A retirada do exército americano do território vietnamita ocorreu gradualmente. As forças militares do Vietnã do Sul foram treinadas para gradativamente substituir as tropas americanas, mas isso pouco adiantou. 

Depois que as forças armadas americanas começaram a debandar, em 1973, o Vietnã do Sul, sem o necessário apoio dos Estados Unidos, perdeu a guerra para o Vietnã do Norte. O norte comunista, depois da vitória, unificou o país, implantou o comunismo no sul, e como resultado, mais de um milhão de vietnamitas morreram, o que foi consequência "natural" de um governo profundamente hostil, brutal e autoritário. Infelizmente, o desfecho da Guerra do Vietnã foi muito diferente do resultado conquistado na Guerra da Coreia, cujo êxito obtido garantiu aos sul-coreanos a possibilidade de uma vida livre, próspera e pacífica. No entanto, toda esta prosperidade, atualmente, encontra-se seriamente ameaçada, com as tensões latentes entre Estados Unidos e Coreia do Norte, que ostensivamente parecem insuflar a possível conflagração da segunda parte, possivelmente a conclusão, da Guerra da Coreia, que, para todos os efeitos, nunca de fato terminou. 

No final das contas, a teoria dos dominós provou-se tão incontestável quanto correta. Quando um país torna-se comunista, países vizinhos imediatamente caem sob sua esfera de influência, fazendo do totalitarismo comunista um perigo iminente para as nações próximas. Hoje o Laos continua sendo comunista, bem como o Vietnã. No entanto, com grandes mudanças, como não poderia deixar de ser. Pela sua própria conjuntura econômica, que relega a nação a um processo de estagnação e retrocesso, o comunismo é um regime que vem com prazo de validade. O Vietnã há quase 20 anos abriu-se para o regime de livre mercado, sendo completamente capitalista na economia, mantendo-se comunista apenas nas formalidades políticas (que, todavia, são relativamente autoritárias). Em ambas as questões, nota-se uma enorme similaridade com a China.    

O regime comunista do Camboja, apesar de sua efêmera existência - durou apenas quatro anos, indo de 1975 a 1979 -, foi um dos mais mortíferos e letais do mundo. O Khmer Vermelho de Pol Pot exterminou quase metade da população (3,3 milhões, de um total aproximado de 8 milhões de habitantes), cujos cadáveres encontram-se, em sua maioria, até hoje enterrados nas mais de vinte mil sepulturas coletivas que estão espalhadas pelo país.   

Nesta mesma época, anos 1970, diversos regimes militares foram estabelecidos na América do Sul, todos com o apoio dos Estados Unidos, justamente para evitar que o comunismo se alastrasse pelo continente. Em 1964, os militares tomaram o poder no Brasil. Em 1973, isso ocorreu também no Chile e no Uruguai. Sabemos que, no Brasil, o perigo era real e imediato, especialmente porque Jango e Brizola planejavam estabelecer um regime comunsita de governo para o Brasil. Depois qus os militares assumiram o controle do governo, tiveram que combater diversos grupos guerrilheiros, como a Ação Libertadora Nacional, liderada por Carlos Marighella, e a Vanguarda Popular Revolucionária, liderada por Carlos Lamarca, entre muitos outros.  

Infelizmente, pouca coisa mudou. O mundo continua sucumbindo diante de agressivos, mortíferos e destrutivos regimes comunistas, sendo hoje a Venezuela o melhor exemplo nesta questão. No entanto, como vivemos em outros tempos, e não estamos mais na Guerra Fria, além da superioridade da democracia e do capitalismo sobre o comunismo estarem irremediavelmente comprovadas, não existe mais aquele senso de urgência em conter o avanço de regimes totalitários. Por isso, o próprio senso de urgência dos Estados Unidos em dar andamento à políticas de contenção invariavelmente arrefeceu. Até porque, atualmente, os EUA tem significativas e numerosas legiões de fanáticos e extremistas comunistas domésticos com os quais se preocupar.  

Por falar em teoria dos dominós, temos como país vizinho a Venezuela, uma ditadura comunista. Isso não lhe diz nada, caro leitor?   

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.