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O Teorema da Impossibilidade do Socialismo

O Teorema da Impossibilidade do Socialismo

O Teorema da Impossibilidade do Socialismo busca mostrar como o socialismo é uma falha intelectual. Evidentemente, o socialismo é, também, uma falha moral, logística e social, entre muitas outras. Mas, acima de tudo, é uma falha intelectual. Por quê?

Socialistas normalmente não levam em consideração determinadas questões, concernentes às deficiências inerentes ao arranjo do sistema de planejamento central. Este sistema de organização governamental sempre estará irremediavelmente fadado ao fracasso. Explico porquê. 

Em uma economia de livre mercado, você tem milhares, até mesmo milhões, de indivíduos, que trabalham para satisfazer demandas específicas. E todos eles tem conhecimento teórico e prático à respeito de suas profissões. Eles agregam valor à sociedade, satisfazendo uma determinada demanda, e, para isso, cobram um determinado valor. Nesse valor, está contido o conhecimento de suas profissões, os custos que eles tiveram com matéria-prima ou mão de obra, e o tempo empregado para realizar o serviço. Não obstante, o mercado é um arranjo complexo, onde não existe uma organização ou um comitê central que reúne todo este conhecimento. Ele está disperso, diluído entre os milhões de indivíduos que formam a sociedade de mercado. Ele é o oposto de uma sociedade socialista. E é exatamente por isso que funciona muito bem.  

Este é o grande problema do socialismo, o eixo fundamental de sua impossibilidade prática. Ele presunçosamente assume que um comitê central, composto por algumas dezenas de burocratas iluminados, pode reunir o mesmo nível de conhecimento que milhões de pessoas, e saciar demandas específicas com o mesmo nível de qualidade prática e precisão que elas o fazem, no ambiente de livre mercado em que atuam, especializadas que são nas tarefas e atividades que praticam. Os resultados deste equívoco mordaz nós podemos testemunhar, alhures, em qualquer sociedade socialista. 

Na Coréia do Norte, por exemplo, vive faltando luz. Apagões são comuns em diversos locais de Pyongyang, entre muitas outras cidades. Como a Coréia do Norte não é uma economia de mercado, não existem incentivos financeiros, tampouco estímulos profissionais, para que o comitê central considere esta questão como prioritária, e tome a decisão de resolver o problema. Em uma economia de mercado, no entanto, os consumidores poderiam reclamar. A empresa de energia elétrica, querendo fornecer o melhor serviço possível aos seus consumidores, se sentirá estimulada a solucionar o problema. Se ela não resolver, por questões como negligência ou incompetência, os consumidores poderão simplesmente se recusar a pagar a conta de luz. Diante da inadimplência, a empresa terá aí o incentivo necessário para reparar o problema, e, assim, o serviço retomará o seu padrão de normalidade.

Na Coréia do Norte, também existem inúmeras empresas de produtos como biscoitos, balas e doces, que, em sua maior parte, permanecem inativas. Se ela fosse uma economia de mercado, estas fábricas poderiam ser vendidas à empresários que as colocariam em atividade. Desta maneira, gerariam empregos – o que iria mitigar o ostensivo grau de pobreza do país, um dos mais miseráveis do mundo –, e o mercado seria inundado com ótimos produtos comestíveis para os consumidores. Um pujante e dinâmico potencial empreendedor poderia ser desenvolvido. Mas como a Coréia do Norte não é uma economia de mercado, os burocratas estatais não possuem os estímulos inerentes a um sistema natural de oferta e demanda para colocar estas fábricas em atividade, e estimular a produção de bens de consumo em seu país. Pelo contrário: a iniciativa poderia até mesmo ser mal-interpretada, e incorrer em uma dura penalidade. O indivíduo que cogitasse a possibilidade estaria acusando indiretamente o planejador central máximo – neste caso, o ditador –, de incompetência. Então, por quê correr riscos? Neste sistema, o maior incentivo que o indivíduo tem para sobreviver é deixar as coisas exatamente como estão, e ser o mais discreto possível, para jamais chamar a atenção. Por isso, em um sistema socialista, falta de produtividade e precariedade sempre serão as imutáveis regras do jogo. Não existe estímulo para empreender, solucionar problemas, trabalhar, criar, projetar inovações ou fazer fábricas inativas tornarem-se produtivas novamente. Esta seria a função dos planejadores centrais. Mas a verdade é que vinte ou trinta burocratas jamais terão capacidade de acumular o conhecimento, produzir riquezas, atender demandas específicas e gerar desenvolvimento no mesmo nível que milhões de pessoas são capazes de fazê-lo, em uma sociedade livre.    

Portanto, o que o socialismo faz, na verdade, é menosprezar o grande arcabouço de possibilidades existentes no livre mercado – com sua simbiose natural de oferta e demanda, produtos e necessidades, onde dois lados saem ganhando através de um sistema benéfico de trocas voluntárias – pela sujeição a um sistema precário e ineficiente, onde algumas dezenas de agentes do estado teriam de ser, supostamente, capazes de reproduzir, com o mesmo nível de eficácia e produtividade toda a simbiose de um complexo sistema natural de necessidades e demandas, que apenas uma sociedade altamente descentralizada seria capaz de desenvolver. Para isso, teriam de ter um formidável conhecimento até mesmo de profissões e atividades que nunca exerceram em suas vidas, e ter à sua disposição um corpo produtivo de auxiliares altamente eficientes, capazes de executar ordens com rapidez.       

A verdade é que o sistema de livre mercado, com sua conformação orgânica, natural e descentralizada, é e sempre será muito superior ao sistema de planejamento central. O socialismo, infelizmente, se perpetua através da ilusão que sua propaganda doutrinária difunde, mas que não tem, em absoluto, conexão alguma com o verdadeiro socialismo, na prática. Como a corrosiva e monumental falha intelectual que é, o socialismo sempre apresentará o pior dos resultados. Aquilo que nasce errado na teoria não tem como dar certo na prática. Para acreditar no potencial do socialismo em apresentar bons resultados, é fundamental apostar na irracionalidade dos seus proponentes. 

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Sobre Mim

Sobre Mim

O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.