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Somalilândia

Somalilândia

Existem diversas nações e territórios destituídos de reconhecimento oficial no mundo, e a Somalilândia vem a ser um deles. Região com aproximadamente 176.120 km², possui uma população estimada em aproximadamente quatro milhões de habitantes. Sua capital, Hargeisa, conta com um milhão e meio de residentes. Encarada como parte integrante da Somália – nação localizada na região frequentemente descrita como Chifre da África –, a Somalilândia, apesar da miséria e do desemprego, consegue ser um oásis de serenidade e tranquilidade relativas, situada no interior da caótica, insurgente, turbulenta, violenta e tempestuosa Somália, uma nação de guerra perpétua, onde intermitentes hostilidades e obstinados conflitos pelo poder político são responsáveis por sanguinolentas, viscerais, beligerantes e cruéis contendas, que fazem da instabilidade permanente a única certeza racional na vida precária, brutal e difícil dos somalis.

A Somalilândia, por outro lado – apesar de não ser um baluarte da prosperidade –, tem inúmeras vantagens se comparada ao país do qual considera-se independente. Sem dúvida nenhuma, a Somalilândia possui uma democracia forte, rigorosa e consistente, inexistente na Somália, e que foi capaz de estabelecer um nível de estabilidade que ainda há de ser conquistado em qualquer outra região do Chifre da África. Longe de ser um formidável exemplo de prosperidade, se analisarmos de forma objetiva, para os níveis de desenvolvimento normalmente alcançados na África, os resultados obtidos na Somalilândia, concernentes à qualidade de vida, segurança e estabilidade política – alcançados sem auxílio de nações ou delegações estrangeiras – não deixam de ser tão notáveis quanto impressionantes. Com três partidos políticos, Wadani, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento e o Partido da Paz, da Unidade e do Desenvolvimento, o nível de organização constitucional da Somalilândia também é inequivocamente superior e mais eficiente. O atual presidente do estado separatista é Musa Bihi Abdi, o seu quinto mandatário. A nação é integrante da Organização dos Povos e Nações sem Representação.

Com uma economia que aproxima-se do livre mercado, apesar de suas deficiências aparentes, a Somalilândia tem perspectivas futuras e presentes que inexistem nos países vizinhos. Suas forças armadas, apesar de equipamentos rudimentares, treinamento formal precário e um efetivo relativamente modesto, consegue garantir a segurança dentro de suas fronteiras, e reforçar a independência do território. A marinha naval da Somalilândia obteve diversos êxitos contra incursões piratas em suas encostas marítimas. 

A Somalilândia faz fronteira com a Puntlândia, outra nação não reconhecida existente dentro do território somali, igualmente marcada por guerras, conflitos, terrorismo e instabilidade política. As tensões políticas entre os estados separatistas são bastante evidentes, sendo primariamente abastecidas por históricas disputas territoriais, que resultaram em terríveis conflagrações militares, em diversas ocasiões. Tendo sido colônia britânica em um passado nem tão distante assim, a Somalilândia reclama para si todo o território que anteriormente estivera sob o controle do Protetorado da Somalilândia Britânica, que diluiu-se em 1940. Com três idiomas oficiais – somali, árabe e inglês – a Somalilândia tem um ambiente multicultural, que vem a ser o consistente legado de seu passado como colônia europeia. O árabe e o inglês são muito utilizados no sistema escolar do país, sendo que o árabe desempenha um papel fundamental na vida religiosa. 

Com uma sociedade dividida em castas e clãs, o mais numeroso vem a ser o dos isaaqs, que constituem aproximadamente 80% da população. Este clã, espalhado por outras nações e localidades da região, foi vítima de um brutal e violento genocídio, promovido pelo ditador socialista Siad Barre, o dirigente da República Democrática Somali de 1969 a 1991. Especula-se que esta brutal campanha governamental contra os isaaqs tenha sido orquestrada com o objetivo de exterminá-los, e assim enterrar todas e quaisquer reivindicações de independência da Somalilândia, fortalecendo a legitimidade do governo central. Isso tudo ocorreu dentro do contexto da guerra civil somali, que, para todos os efeitos, nunca terminou.  

Não obstante, apesar de sua história dramática, triste e violenta, na região da Somalilândia, o clã foi não apenas capaz de prosperar, como criar sólidas raízes, que se tornaram-se cada vez mais difundidas e arraigadas à cultura e a sociedade somalilandesas com o passar do tempo. Com uma perspectiva de futuro que – embora não seja a ideal – permanece à frente dos demais países da região, a Somalilândia é uma das poucas nações da África que, apesar da ausência de reconhecimento internacional, consegue inclinar-se em direção ao progresso e ao desenvolvimento. Ao contrário das demais, que parecem descarrilhar sempre, de forma peremptória e sintomática, para um deplorável abismo de retrocesso, barbárie e estagnação. Como é o caso da própria Somália, berço de uma guerra civil que persiste há décadas, e para a qual não existe nenhuma previsão de encerramento. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.