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Sistema econômico brasileiro – Capitalismo para os ricos e socialismo para os pobres

Sistema econômico brasileiro – Capitalismo para os ricos e socialismo para os pobres

A economia nacional, infelizmente, é tão cartelizada pelo estado, que para qualquer indivíduo sem conexões políticas, é muito difícil ascender economicamente e prosperar. Não é sem razão que muitas pessoas – direta ou indiretamente – buscam a política para tentar melhorar o seu padrão de vida. Isso é natural em um país cujo exacerbado intervencionismo estatal busca deliberadamente destruir o mercado, em benefício dos monopólios e oligopólios cujos autocratas são os verdadeiros mandatários da máquina governamental. Como o estado brasileiro concentra um incomensurável nível de riquezas, e como os burocratas estatais estão sempre dispostos a fazer qualquer negócio, as oportunidades para o favoritismo, o protecionismo e o clientelismo se multiplicam avidamente, o que cria um vasto e intrincado intercâmbio de negócios paralelos nas instituições de estado, que sobrevive de interesses escusos, e da eterna simbiose entre o corporativismo e a política.

Enquanto os ratos se alimentam da expropriação de riquezas no esgoto político, a população – sempre a maior prejudicada – se vira como pode, conforme o estado avança no seu trabalho de dilaceração e destruição da economia, e cartelização do mercado. Como há muito poder nas mãos dos burocratas, é inevitável que eles tomem decisões econômicas que irão beneficiar apenas as grandes oligarquias políticas, já que serão muito bem recompensados por isso financeiramente. As agressivas intervenções discricionárias do estado no diagrama econômico da nação tendem a destroçar em especial pequenas e médias empresas, que invariavelmente sucumbem diante do excruciante peso do estado. É necessário, então, se contentar com o que resta do mercado para sobreviver, e não raro a informalidade se torna o único caminho possível a ser seguido.  

O sistema econômico brasileiro foi elaborado justamente para fazer com que os ricos fiquem cada dia mais ricos, e os pobres cada dia mais pobres. As grandes oligarquias e a abastada aristocracia política manipulam tudo em seu próprio benefício, de maneira que a quantidade de riquezas que se acumula sobre as elites governamentais é cada vez mais abundante. Dito isso, portanto, é muito improvável que Paulo Guedes consiga fazer um trabalho substancial com as privatizações. As corporações que são as verdadeiras proprietárias do estado e da economia brasileira não irão permitir a implementação da liberdade econômica. Antes o contrário. Eles anseiam a permanência e a manutenção do status quo. Tudo indica que o Brasil continuará sendo um museu varguista continental, estatista-desenvolvimentista, com cinco centenas de empresas estatais, onde basicamente é o estado que permanece controlando tudo. E tudo continuará como sempre foi. 

 Um dos grandes problemas da política e da burocracia estatal são os incentivos que a máquina cria para a prática da corrupção, do clientelismo e da troca de favores. Como o estado brasileiro é enorme, para burlar a excruciante burocracia estatal e uma legislação letárgica, paralítica e muitas vezes impraticável, corporativistas acham muito mais em conta comprar favores para acelerar fusões, regulações e processos do que atender às demandas legalistas. Isso acaba estabelecendo conexões entre estado e corporações que não são nenhum pouco éticas ou salutares. A burocracia estatal é a brecha onde nasce a corrupção. 

Como resultado, oligarcas, plutocratas e políticos vão ganhando cada vez mais poder – sobretudo poder econômico – ao passo que vão desgastando e erodindo os poucos alicerces salutares que restam de nossa economia. E conforme eles enriquecem, a população vai ficando progressivamente mais destituída e miserável. A política é a responsável direta por intensificar as privações que acometem as classes mais pobres da sociedade brasileira, e que se beneficiariam enormemente de um sistema econômico mais livre, flexível e descentralizado.

Infelizmente, sabemos que é impossível para o Brasil mudar. Além de inúmeras organizações criminosas estarem profundamente arraigadas à estrutura do estado, a nação possui uma cultura ostensivamente estadólatra, que se recusa a permitir um recuo do estado em benefício do progresso, da liberdade e da prosperidade. Os cidadãos brasileiros – em sua grande maioria – são incapazes de perceber o drástico grau de malefícios que o exacerbado intervencionismo estatal causa na economia, tampouco conseguem avaliar ou entender plenamente as suas consequências, e como isso as afeta diretamente, deixando-as mais pobres, até porque os mecanismos de corrosão e dilaceração da prosperidade são invisíveis, especialmente para quem não tem conhecimento sobre o assunto. Ainda que muitas pessoas sofram com privações e escassez, elas não saberiam identificar o verdadeiro causador do problema, o que impede parcela expressiva da sociedade de ter uma real percepção sobre a atuação do estado no mercado. De maneira que muitos continuam a julgar a presença do estado em qualquer âmbito como sendo “positiva”, “necessária” e “fundamental” em todas as áreas. E o próprio estado aproveita esta ignorância contumaz para promover a dependência da população. Em função da exacerbada ignorância, o brasileiro continua a idolatrar os burocratas que o escravizam, ao passo que é incapaz de compreender as ingerências de sua própria situação.

Artigo originalmente publicado no jornal A Folha do Sudoeste, periódico bissemanal de Palmas, Paraná, edição de 20 a 22 de fevereiro. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.