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Singapura – Uma “democradura”?

Singapura – Uma “democradura”?

 

Singapura, pequena cidade-estado do sudeste asiático, com uma população estimada em aproximadamente cinco milhões e seiscentos mil habitantes, sendo a economia mais aberta do mundo, com um milionário para cada trinta e cinco residentes, certamente possui um nível de desenvolvimento que ninguém ousaria contestar. Tendo os maiores salários do continente, e um elevado nível de escolarização – a grande maioria dos singapurenses possui graduação superior –, desde que adquiriu independência da Malásia em 1965, Singapura consolidou-se como um dos grandes expoentes da economia global, com formidáveis índices de progresso, comparáveis apenas a Hong Kong, com quem compartilha curiosas similaridades. Para citar apenas algumas, podemos dizer que ambas são cidades-estados, ambas foram colônias britânicas, ambas estão na liderança entre as nações com maior liberdade econômica do mundo, ambas tem sua conformação populacional composta principalmente por chineses étnicos, e ambas são democracias iliberais, sendo Singapura melhor definida como uma “democradura” – portmanteau das palavras democracia e ditadura –, regime híbrido que mistura elementos democráticos e ditatoriais, enquanto Hong Kong qualifica-se como uma autocracia liberal. Mas o que vem a ser uma “democradura”? E por que esta palavra define, de fato, elementos fundamentais do governo singapurense?

Embora seja um modelo global no que diz respeito a prática do estado mínimo e do liberalismo econômico, Singapura adotou, desde sua independência, políticas altamente restritivas, que visavam uma rígida manutenção da lei e da ordem, assiduamente reforçadas em épocas de tumultos e agitações sociais, que, em função de instabilidade financeira, tensões e conflitos étnicos, recessão e desemprego, foram frequentes no período de sua emancipação política. Como uma forma de garantir ordem social, uma legislação extremamente autoritária foi implantada, a custo da supressão de liberdades individuais, e suspeitos de atividade subversiva passaram a ser encarcerados sem direito a julgamento ou defesa. Com o passar do tempo, apesar do pluripartidarismo, que existe unicamente para reforçar uma democracia de fachada, apenas um único partido – o Partido da Ação Popular – passou a exercer plenos poderes políticos, tendo controle absoluto sobre o governo, o estado e as leis vigentes no país.

Até certo ponto, a população se beneficia das rígidas e ostensivas normas estabelecidas pelos padrões governamentais inequivocamente autoritários, pois políticas estatizantes de esquerda, que gerariam estagnação e recessão financeira, jamais serão adotadas pelo governo singapurense, que prioriza o livre mercado e a livre iniciativa. Não obstante, a população é cautelosa quando o assunto em questão são pautas governamentais, tomando precauções para não envolver-se, tampouco se opor às decisões quase sempre absolutas do partido vigente. Caso contrário, a coerção estatal mostrará o opressivo pendor do seu poder de intimidação.

Em nenhuma nação do mundo teremos tudo. Muitas vezes, o preço do sucesso financeiro, e de uma vida de conforto, segurança e estabilidade pode ser, sem dúvida nenhuma, o incomparável valor da liberdade. No entanto, no mundo de hoje, levando em consideração os duvidosos, belicosos e vexatórios parâmetros impostos por políticas progressistas, podemos, até certo ponto, afirmar que Singapura aproxima-se do desenvolvimento ideal, tendo elencado um magnifico índice de prosperidade que a maioria dos países do mundo ainda há de alcançar.

Artigo originalmente publicado na Revista Atualidades, de Santa Rosa (RS), edição de nº 90, de setembro de 2017. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.