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Quem foi o pior ditador da História?

Quem foi o pior ditador da História?

Uma breve descrição de Stálin, e sua ascensão ao poder

Embora Adolf Hitler tenha entrado para a história como o pior e o mais cruel e truculento ditador de todos os tempos, Stálin, ditador da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, possivelmente ultrapassa Adolf Hitler em todas as questões inerentes a uma ditadura brutal, levando-se em consideração fatores como crueldade, opressão, hostilidade e violência. A começar pelo período em que cada um deles governou o seu respectivo país: Adolf Hitler esteve no comando da Alemanha por doze anos, de 1933 a 1945. Stálin, por outro lado, governou a União Soviética por quase trinta anos, de 1924 até a sua morte, em 1953. A Alemanha de Adolf Hitler foi responsável pelo Holocausto, que exterminou aproximadamente seis milhões de judeus, em campos de concentração, pelo país inteiro. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas foi responsável pelo Holodomor, a grande fome de 1932-1933, que ocorreu na Ucrânia (à época uma república da União Soviética), e no brutal governo de Stálin, se levarmos em consideração apenas os seis anos de duração da segunda guerra, aproximadamente vinte e dois milhões de soviéticos perderam a vida. Então, por que consideramos Adolf Hitler o pior ditador de todos os tempos mesmo? Por pura ingenuidade. A falta de hábito de analisar fatos e acontecimentos com profundidade nos cega para o fato de que a história, por diversas razões, se encarregou de deixar Adolf Hitler mais famoso. Mas, até certo ponto, isso tem fundamento: Adolf Hitler era infinitamente mais ambicioso. Queria conquistar e governar o mundo, enquanto Stálin se contentava com a União Soviética (Também pudera! Se não se contentasse com a União Soviética – então o maior país do mundo – possivelmente suas ambições alcançariam o universo inteiro, não se restringindo a Terra). Talvez, se analisarmos o período em que cada um deles governou o seu país, e se fizéssemos cálculos proporcionais à extensão de cada nação, e o seu respectivo números de habitantes, arrisco dizer que possivelmente ambos se equiparariam.

Assim como Adolf Hitler não era Alemão, mas Austríaco, Stálin não era russo, mas georgiano. Nascido Ioseb Besarionis dze Jughashvili a 18 de dezembro de 1878 em Gori, na Geórgia, então parte do Império Russo, como todo e qualquer ditador, Stálin não nasceu no poder, e teve uma trajetória repleta de árduas e intempestivas dificuldades, antes que pudesse consolidar-se no comando da nação. Com uma trajetória que, em outras circunstâncias, e por finalidades mais humanitárias, poderia ter sido considerada heroica – o que também não deixa de ser uma característica inerente a grande maioria dos ditadores –, o revolucionário de saúde precária que fora exilado na Sibéria se tornaria um dos três indivíduos que, juntos – sendo os outros dois Vladimir Ilyich Ulyanov e Leib Davidovich Bronstein, que se tornariam mais conhecidos como Lênin e Trotsky, respectivamente – seriam considerados os pilares do eixo central da revolução socialista.

Não obstante, a trajetória política de líderes, pensadores e teóricos partidários se desenvolveu em um ambiente, de lutas, lideranças, influências e disputas. No entanto, até mesmo em tais circunstâncias amizades acabam nascendo, e desta maneira, um sólido vínculo de amizade e camaradagem se criou entre Lênin e Stálin. Invariavelmente, tal amizade durou pouco. Conflitos políticos e desavenças ideológicas, em questão de algum tempo, conduziu o relacionamento a uma pérfida deterioração. Ao perceber a enorme voracidade de Stálin pelo poder, sua hostilidade, intemperança, agressividade e furor, Lênin se tornou um vigoroso opositor do homem que anteriormente fora o seu amigo, e começou a buscar a remoção de Stálin da política, do partido e da vida pública. No entanto, tais providências vieram tarde demais. Sofrendo com uma saúde terrivelmente precária, Lênin, que no início da década de 1920 já se encontrava terrivelmente doente, e mantinha-se, portanto, apenas parcialmente ativo, viria a falecer no início de 1924, aos cinquenta e três anos.

A morte precoce de Lênin levou os membros do Politburo a uma acirrada disputa pelo controle e pelo poder. Usufruindo de muito mais influência do que Tróstky, Stálin, aproveitando-se de circunstâncias arbitrárias que o favoreciam, conseguiu consolidar uma posição de total controle primeiramente sobre o partido, e depois sobre o governo. Com a astúcia de uma raposa que conhece as vicissitudes e os incoercíveis jogos do poder, Stálin começou um expurgo, que visava eliminar toda e qualquer oposição à sua pessoa. Ao continuar a oposição a Stálin que Lênin havia principiado, Trotsky percebeu que corria risco de vida, e decidiu exilar-se, deixando o país. Eventualmente, ao continuar a oposição a Stálin no exterior, Trotsky seria morto. O revolucionário e teórico marxista foi assassinado no México em 1940 por Ramón Mercader, a mando de Stálin.

Ao consolidar o poder de forma plena e totalitária, um reinado de terror, que duraria quase três décadas, teria início. E assim como fez com Trotsky, Stálin eliminava toda e qualquer oposição à sua pessoa e ao seu governo, utilizando os meios mais brutais possíveis, não vendo problema algum em atacar, desmantelar, suprimir e assassinar até mesmo pessoas que lhe eram extremamente próximas, e que faziam parte do seu cotidiano, mesmo diante da ausência de provas e evidências factuais. Um tresloucado paranoico faminto pelo poder, um de seus filhos, Yakov, aparentemente uma alma gentil e sensível, em certa ocasião tentou se matar, extremamente magoado pelo tratamento frívolo e hostil que seu pai dispensava a ele. Depois da frustrada tentativa de suicídio, aparentemente tudo o que Stálin teria dito foi “Ele não consegue nem se matar direito”.

É desnecessário salientar a crueldade de qualquer ditadura, e como ela exaure, consome e desgasta os seres humanos que são obrigados a viver debaixo do seu jugo. Ditadores, invariavelmente, esquecem que não passam de meros mortais, e que seu tempo aqui na Terra é limitado. Não obstante, tais homens, em sua total falta de inteligência, sensibilidade e humanitarismo, lamentavelmente não percebem que poderiam utilizar o escasso tempo que têm neste mundo para fazer o bem, e acabam sendo lembrados unicamente pelo mal que causaram.    

Artigo originalmente publicado no Jornal A Folha do Sudoeste, periódico bissemanal de Palmas, Paraná, edição de 19 a 21 de outubro de 2016. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.