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Quem foi Fulgencio Batista, o ditador deposto por Fidel Castro?

Quem foi Fulgencio Batista, o ditador deposto por Fidel Castro?

Fulgencio Batista, cujo nome completo era Fulgencio Batista y Zaldívar, foi um militar e homem de estado cubano, sem duvida nenhuma a mais influente figura política do seu país a partir dos anos 1930, até 1958, quando fugiu. À princípio exercendo o poder político de forma discreta, nos bastidores, Batista foi presidente de Cuba de 1940 a 1944, e depois de um golpe de estado — o segundo que planejou e executou em sua longa carreira militar —, governou o país como ditador, com apoio dos Estados Unidos, de 1952, até a sua deposição, em 1959, pelo movimento revolucionário M-26-7

Cuba, como a maioria dos países da América Latina, tem uma história política turbulenta, repleta de instabilidades, conflitos e golpes de estado — o que sempre foi recorrente na diminuta nação caribenha —, em decorrência do efusivo e direto envolvimento de militares em questões políticas.

Fulgencio Batista nasceu no princípio do século passado, em 16 de janeiro de 1901. Da infância e da adolescência de Batista, pouquíssimas informações são conhecidas. Em 1921, Batista alistou-se no exército, com aspirações de uma carreira militar. Pouco tempo depois, deixou o exército, trabalhou em uma série de ocupações variadas, integrou a guarda rural, e juntou-se novamente ao exército. 

Com o alvorecer dos anos 1930 — em decorrência de uma série de fatores —, Batista foi tornando-se um indivíduo cada vez mais politizado. Ao subir na hierarquia militar, e assumir posições de destaque e liderança no exército, suas ambições políticas foram ficando cada vez mais proeminentes. Em 1933, o governo do presidente Gerardo Machado y Morales um veterano da guerra de independência cubana, conforme se deteriorava e perdia popularidade em decorrência de uma série de problemas, tornou-se cada vez mais ditatorial e autoritário, o que culminou com uma série de protestos e revoltas políticas e sociais.  

Uma profunda crise instaurou-se em Cuba, e forças políticas dissidentes forçaram Machado a renunciar. Em seu lugar, Alberto Herrera assumiu a função de presidente, mas exerceria a função por apenas dois dias. Logo depois, ele foi substituído por Carlos Manuel de Céspedes y Quesada. No entanto, o governo de Céspedes y Quesada também se mostraria ostensivamente efêmero, indo de 12 de agosto a 5 de setembro. 

Profundamente descontentes com a situação, os militares — liderados por Batista —, orquestraram um golpe de estado para derrubar Céspedes y Quesada, que ficou conhecido como a Revolta dos Sargentos. Ao depor o presidente, esta coalizão de militares instarou uma junta militar, composta por cinco homens, que ficaria conhecida como A Pentarquia. No entanto, a Pentarquia, por sua vez, também não duraria muito tempo, e logo seria dissolvida. Um de seus integrantes, Ramón Grau San Martín, foi escolhido para servir como presidente.

O governo de Ramón Grau, por sua vez, também não duraria muito tempo, apesar de ter sido mais longo do que o de seus antecessores. Conhecido como o governo dos cem dias, Grau seria substituído por Carlos Mendieta, em um movimento político orquestrado e deliberadamente calculado por Fulgencio Batista. Durante o breve governo da Pentarquia, um de seus integrantes promoveu Batista de sargento a coronel, e Batista começou a usar o seu poder militar para exercer uma influência pessoal cada vez maior no interior da esfera política.   

A partir de então, o poder político de Batista nos bastidores cresceria de forma sutil, porém consistente e inabalável. Acumulando cada vez mais poder e influência, Batista alinhou-se aos Estados Unidos, e assumiu o completo controle das forças armadas. 

Quando Carlos Mendietta assumiu a posição de presidente, o governo americano reconheceu a legitimidade do governo cubano. Nos bastidores, no entanto, o real poder político foi concentrando-se cada vez mais nas mãos de Batista, que passou a ser o verdadeiro poder por trás do poder.

Desta maneira, Fulgencio Batista passou a controlar a política cubana de facto, em uma sucessão de presidentes que não passavam de meros fantoches, até ele próprio ser eleito presidente em 1940.  

Quando Batista foi eleito presidente, ele ainda não era um anticomunista convicto. O Partido Comunista de Cuba apoiava Batista, que por sua vez era simpatizante de leis trabalhistas e de sindicatos. No entanto, naquele período, o Partido Comunista era relativamente inofensivo, tendo pouca influência política, e praticamente nenhuma relevância na sociedade cubana. 

Apesar de seu relativo americanismo, durante o seu mandato presidencial, Batista implementou políticas de estado demasiadamente regulatórias e intervencionistas, que pouco ou nada tinham em comum com o capitalismo de livre mercado da poderosa nação vizinha, que até aquele momento, era um importante aliado político. Estas práticas invariavelmente criaram o ambiente propício para a criação de monopólios, corrupção e clientelismo corporativista, que permaneceriam constantes em Cuba, até os dias atuais. Com a revolução castrista, elas apenas mudariam de dono. 

Depois que o seu mandato presidencial terminou, em 1944, Batista mudou-se para os Estados Unidos, onde levou uma vida de muito luxo e conforto, alternando entre Flórida e Nova Iorque. Não obstante, ele continuou participando e acompanhando a política cubana à distância. O sucessor de Batista na presidência, Carlos Saladrigas Zayas, foi selecionado de forma calculada para substituí-lo.

No princípio dos anos 1950, Batista retornou a Cuba, para concorrer mais uma vez à eleição presidencial. No entanto, sua popularidade — se é que algum dia Batista havia sido relevante entre os cubanos — tornara-se tão medíocre quanto insignificante. Percebendo que não tinha reais chances de ganhar, Batista, como ainda era supremo comandante do exército, usou os militares para orquestrar e aplicar um golpe de estado. Batista, então, assumiu mais uma vez o poder. 

Para garantir a manutenção do seu poder, o governo de Fulgencio Batista tornou-se ostensivamente autoritário. Estudantes, manifestantes e dissidentes políticos eram encarcerados e torturados muitas vezes sem nem sequer serem informados dos motivos ou das razões pelas quais eram detidos. O crime organizado — bem como corporações americanas multinacionais — associaram-se abertamente ao governo de Batista, em um sistema econômico onde o clientelismo, as oligarquias e a corrupção eram predominantes. Como todo o ditador, Fulgencio Batista gostava de levar um estilo de vida requintado, refinado e sofisticado, e todas as suas atividades governamentais eram executadas com a intenção de atender a manutenção do seu poder político. Para isso, Batista fazia questão de cumprir com todas as exigências e demandas dos cartéis e das corporações com as quais estava intimamente associado, e que apoiavam diretamente o seu governo. 

Mas esse estado de coisas não duraria muito tempo. Pouco depois de tomar o poder, em 1953, um grupo de revolucionários atacou um quartel em Santiago de Cuba, a segunda maior cidade da ilha caribenha. O acontecimento entrou para a história como o Assalto a Caserna de Moncada.

Apesar de seu fulgurante fracasso — os rebeldes foram rapidamente subjugados pelos militares legalistas — o episódio seria posteriormente considerado o princípio da revolução cubana, que iria depor Fulgencio Batista. O ataque foi liderado por um estudante de direito, chamado Fidel Castro, que, assim como muitos outros integrantes do movimento, seria preso por sua insurgência contra o regime. A data em que ocorreu o levante, 26 de julho, daria nome ao movimento revolucionário que seria liderado por Fidel Castro e seus associados, como o seu irmão Raúl, o guerrilheiro Camilo Cienfuegos, e o terrorista argentino Che Guevara. 

A prisão temporária dos principais membros do grupo, no entanto, não seria capaz de erradicar ou suprimir o movimento, cujo principal objetivo era depor Batista. Depois que os rebeldes se reagruparam, as milícias revolucionárias se organizariam de formas mais práticas e eficientes para efetivamente derrubar o ditador. 

Batista, no entanto, enfrentava perigos de todos os lados. Em 1956, o ditador convocou Ramón Barquín — um adido militar que servia nos Estados Unidos — para regressar a Cuba, acreditando que ele o apoiaria. Barquín, no entato, estava envolvido em uma conspiração que pretendia derrubar Fulgencio Batista, em um golpe de estado que fora orquestrado com diversos militares de alta patente. Os militares, no entanto, foram traídos por um colega desesperado para salvar a própria pele. O golpe de estado foi frustrado, e os conspiradores foram presos, exilados ou senteciados à morte. 

No interím, o maior inimigo de Fulgencio Batista se fortalecia de forma sistemática nos bastidores. Depois que saiu da prisão, Fidel se exilou no México, mas em 1956, regressou incógnito a Cuba. Ele e seus associados se reagruparam em Sierra Maestra, e passaram a praticar táticas de guerrilha, com apoio logístico da União Soviética. 

Ao descobrir isso, Batista passou a perseguir dissidentes políticos com ainda mais voracidade, e pressioná-los por informações sobre os insurgentes. Execuções tornaram-se cada vez mais arbitrárias e corriqueiras. O nível de letalidade e repressão do seu regime aumentou exponencialmente, e — em questão de pouco tempo —, a desconfiança tornou-se tão latente que qualquer indivíduo podia ser rotulado como subversivo. Em uma tentativa de suprimir rebeldes e opositores, Batista literalmente inaugurou um regime de terror. Seu governo rapidamente descarrilhou para um aflitivo e dramático morticínio fora de controle, e milhares de inocentes foram assassinados, o que só aumentou o desespero e a revolta do povo cubano.

Desesperado para conter os insurgentes, Batista suplicou o auxílio dos Estados Unidos, que inicialmente forneceu ao ditador um moderado apoio logístico e militar. Esta ajuda, no entanto, durou pouco tempo. O governo americano rapidamente retrocedeu, cortou o fornecimento de armas para o governo cubano, e deixou Fulgencio Batista por sua própria conta e risco. Paralelamente, as táticas de guerrilha em áreas urbanas executadas pelo grupo revolucionário liderado por Fidel Castro aumentaram progressivamente. Conforme o regime de Batista ia se tornando cada vez mais brutal e autoritário, a população, em sua maioria, alinhava-se aos rebeldes, passando a depositar suas esperanças nos insurgentes revolucionários.  

O grupo de revolucionários, no entanto, pretendia obliterar o status quo de qualquer maneira. Fidel solicitou à população para que boicotassem as eleições de 1958, e seu grupo de rebeldes executou diversos atentados — sem êxito — contra a vida dos candidatos.   

Conforme o grupo de revolucionários gradualmente avançava para Havana e ganhava controle da ilha, o regime de Batista — cada vez mais combalido —, definhava. A pressão sobre o ditador só aumentava. Com recursos militares cada vez mais escassos, e suas capacidades de ofensiva e resistência sumariamente reduzidas, na véspera do ano-novo, em 31 de dezembro de 1958, Fulgencio Batista decidiu fugir, juntamente com sua família e alguns associados mais próximos, levando consigo sua vasta fortuna pessoal, bem como uma parte expressiva do tesouro cubano.

À princípio, Batista buscou asilo político em uma nação caribenha próxima, a República Domincana, que, na época, também era uma ditadura, governada pelo brutal e sanguinolento tirano Rafael Leónidas Trujillo. No entanto, a estadia de Batista lá seria temporária. Proibido de entrar nos Estados Unidos, ele solicitou asilo no México, que também negou categoricamente o seu pedido. Por fim, Portugal aceitou oferecer-lhe um local seguro para exilar-se. O Primeiro-Ministro de Portugal, António Salazar — que, na prática, também era um ditador — autorizou Batista a estabelecer-se na pequena nação da Península Ibérica, com a condição de obrigatoriamente isentar-se de quaisquer envolvimentos em questões de caráter político.   

Quando Fulgencio Batista fugiu de Cuba, jornais do mundo inteiro noticiaram o fato, divulgando a vitória dos revolucionários, que depuseram o ditador. Fidel Castro, e todos os demais integrantes do movimento 26 de julho desfilaram nas ruas de Havana, e foram agraciados, recebidos e saudados de forma entusiástica pela população. 

Depois de fugir, e exilar-se em Portugal, Fulgencio Batista viveria por mais quatorze anos. Ele viveu em diversas localidades do pequeno país ibérico com sua esposa, e foi sócio de uma pequena companhia de seguros espanhola. Aparentemente, viveu uma vida relativamente tranquila e sem maiores incidentes. Batista morreu em decorrência de um ataque cardíaco, a 6 de agosto de 1973, aos 72 anos de idade, em Andaluzia, na Espanha. Batista teria morrido alguns dias antes que um grupo de assassinos — enviados por Fidel Castro —, o executassem. 

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.