Blog

É possível ser conservador e defender o estado?

É possível ser conservador e defender o estado?

É possível ser conservador e defender o estado? Conservadores normalmente dividem-se em dois grupos: os que defendem o minarquismo, e os que defendem o libertarianismo. O minarquismo está diretamente ligado ao conceito de um estado mínimo, um estado pequeno, sem poder para interferir na vida do indivíduo, e concentrando-se na execução de atividades prioritárias, como a segurança da população. O libertarianismo, um pouco mais radical, defende a completa e total dissolução do estado, por entender que o estado é uma organização criminosa, que só consegue existir escravizando a sociedade, e submetendo-a a um pérfido conjunto de regulamentos nocivos e incongruentes, que a prejudicarão, tanto no curto quanto no longo prazo, para benefício exclusivo das elitistas e controladoras oligarquias estatais. 

Nos dois casos, ambos os grupos concordam que o estado, quando muito poderoso e muito grande, tende a exercer um efeito deletério na vida da população, através de exacerbadas regulações, regulamentações, impostos, tarifas e tributos, que vão erodindo a prosperidade da sociedade, e enriquecendo um pequeno e seleto grupo de pessoas, como a classe política, além de uma pequena casta de empresários associada a elite governamental. Portanto, é fundamental lutar para que o estado permaneça o menor possível, garantindo assim à população maior liberdade e prosperidade. Como dizia o teórico libertário Murray Rothbard, "conforme o governo se expande, o livre mercado definha". A verdade é que o estado sempre será um anátema para a sociedade: conforme ele se dilata, a liberdade tende a desaparecer, e a prosperidade da população tende a se exaurir, até a pobreza absoluta. Paradoxalmente, a classe política torna-se absurdamente rica, e com plenos poderes. Ao contrário do que determinadas ideologias pregam, a classe política não será composta de indivíduos puros e benévolos, ávidos em fazer o bem. Antes o contrário: estes usarão todos os poderes e recursos que têm à sua disposição em benefício próprio, e dos seus associados. 

Como tudo o que o estado faz é baseado em coerção e intimidação – e, caso você discorde de seus princípios, de suas leis e de seus regulamentos frequentemente arbitrários, você será dissuadido à força a ser subserviente ao estado – ser conservador e defender o estado é praticamente incompatível, especialmente pelo fato de que o conservadorismo, antes de tudo, é um eixo axial da defesa das liberdades individuais, e não da escravização do ser humano a um estado absoluto. Sendo uma filosofia e uma escola de pensamento individualista, e não coletivista, o ser humano é encarado como algo único e singular. Antes de tudo, conservadorismo é estar profundamente agrilhoado à um conjunto de princípios éticos e morais – muitas vezes critãos, se você acredita na Bíblia –, que são incompatíveis com a violência e a brutalidade empregadas direta e indiretamente pelo estado, para que este atinja os seus objetivos, e mantenha sempre a população submissa ao seu controle. Portanto, esta questão – se é possível ser conservador e defender o estado –, é muito pertinente para um tema relacionado ao conservadorismo, visto que um de seus princípios fundamentais é proteger as liberdades individuais do cidadão, bem como protegê-lo dos malefícios e da tirania empregadas pelo estado para escravizar o indivíduo. 

Ainda que o estado invoque uma atmosfera de ordem, paz e tranquilidade, não devemos esquecer que o estado e seus representantes frequentemente são os primeiros a se dispor a romper o ordenamento pacífico da sociedade, se isto lhes angariar mais poder. O estado não vê problemas em deliberadamente fomentar adversidades e dificuldades, para posteriormente aparecer com uma solução milagrosa, e ser então agraciado pela população como um grande salvador. Como Ludwing von Mises dizia, o estado sempre estará disposto a tudo para expandir o seu controle sobre a sociedade, e jamais verá restrições para os seus objetivos, propósitos e atividades. É o típico "criar o problema para oferecer a solução". É isso o que o estado faz, e sempre irá se dispor a fazer, se isso significar a expansão do seu poder, e a legitimação da sociedade, submissa ao seu controle escravagista.    

Não podemos cometer o erro de encarar o estado como uma organização benévola, amorosa e coerente, que existe para proteger o indivíduo, porque esta é a última das preocupações do estado. O estado é uma coalizão de bandidos que usará a máquina estatal para atingir os seus próprios objetivos criminosos, enquanto uma formidável máquina publicitária – paga com o seu dinheiro, extorquido arbitrariamente de você direta e indiretamente através de impostos municipais, estaduais e federais – divulga a incomensurável benevolência do deus-estado para com a população. Portanto, defender o estado e declarar-se conservador é uma incoerência, visto que devemos lutar contra o estado pelo indivíduo, pela preservação de suas liberdades, de sua vida, de sua prosperidade e de sua integridade física e moral. Algo que o estado sempre estará disposto a violar, para atingir os seus nefastos, perniciosos e maléficos objetivos. Portanto, de um ponto de vista moral, é incompatível defender o estado, e posicionar-se como conservador.  

Ser conservador consiste em ser um ardoroso inimigo do estado, pela preservação do indivíduo, de suas liberdades e do seu direito a vida, elementos fundamentais para a sobrevivência da sociedade, que o estado sempre estará disposto a anular, para perpetuar e expandir a sua esfera de poder.  

Compartilhe esse texto:

Sobre Mim

Sobre Mim

O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.