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Por que a classe política brasileira é tão rica?

Por que a classe política brasileira é tão rica?

A política é um caminho formidável para quem pretende enriquecer. A grande maioria das pessoas que se envolve com política o faz não porque de fato possui incomensurável amor pela humanidade, mas porque pretende conquistar inúmeros ganhos pessoais. Hoje, a política permite a qualquer indivíduo enriquecer de forma fácil e rápida, de uma maneira completamente impossível na iniciativa privada.

Além de um ordenado substancial, e benefícios adicionais que não existem em nenhum outro lugar do mundo, a classe política brasileira – que nada produz, mas vive do parasitismo praticado sobre a sociedade produtiva, que é obrigada a arcar com uma carga tributária monumental, uma das maiores do mundo, comparável à de países desenvolvidos, completamente incompatível com a sua renda cada vez mais restrita – usufrui de refinados e gloriosos privilégios, dos quais cidadãos comuns jamais desfrutarão. O Brasil possui o congresso e o sistema judiciário mais caros do mundo, o que por si só explica perfeitamente a nossa pobreza. E não falo apenas de pobreza financeira, mas também moral e intelectual. Por que a classe política insiste em viver em abastado luxo e suntuosidade, enquanto a população luta permanentemente contra a miséria e a pobreza sistemáticas?

Evidentemente, a classe política não liga para o sofrimento da população, e é ingênuo quem pensa o contrário. O problema do brasileiro está na sua incapacidade de enxergar além do populismo barato, das demagogias infantis e ideológicas que são proferidas durante as campanhas políticas apenas para conquistar os eleitores. Como gosta de ser ludibriado, o brasileiro está sempre indo atrás de um encantador de burros, completamente obtuso para o fato de que políticos não estão nenhum pouco interessados em resolver os seus problemas. Políticos farão de tudo para se elegerem e se reelegerem, e ludibriar a população com falsas promessas – falando aquilo que o eleitorado deseja ouvir – é basicamente tudo o que eles tem para oferecer de substancial.

Hoje, a política oferece um nível de conforto e facilidades sem paralelo na iniciativa privada. E como não há cobrança de produtividade, diploma, competência ou habilidades técnicas, ela é perfeita para quem busca estabilidade financeira. Em pouco tempo, é possível acumular uma fortuna modesta. Viver do dinheiro do pagador de impostos nunca foi tão fácil, tão pertinente, tão cômodo e tão conveniente. O tributável cidadão brasileiro que se lasque para pagar todos os impostos que dele são cobrados. Bacana mesmo é viver na virtuosa bonança da luxúria estatal.   

O governo federal brasileiro gasta aproximadamente vinte e cinco bilhões de reais por ano só com salários. 70% do que o estado arrecada ele gasta com a manutenção dos seus próprios luxos e privilégios aristocráticos. A verdade é que o sempre perdulário estado brasileiro gasta muito mais do que arrecada. Para poder honrar com todas as suas monumentais obrigações financeiras, o estado se endivida, o que aumenta os juros, a inflação e a dívida pública, corroendo o já escasso poder de compra do cidadão brasileiro, que é pego de surpresa em um fluxo de endividamento perpétuo, no qual ele estará sempre pagando pelos ilimitados luxos suntuosos da elite política. Que está sempre reclamando por mais e mais aumentos.

Recentemente, o deputado Fábio Ramalho – do MDB – defendeu ardorosamente o aumento salarial para deputados, alegando cinicamente que há colegas que “passam necessidades” com o monumental salário de 34 mil, fora os incomensuráveis benefícios adicionais, que incluem auxílio-moradia, auxílio-paletó e passagens aéreas ilimitadas.  

As pessoas ingressam na política para viver uma vida de suntuoso luxo e conforto. Além do mais, o ego dessa gente será massageado por eleitores aduladores e subservientes, que os considerarão heróis, guerreiros abnegados e altruístas (risos) que lutam pelos interesses do povo brasileiro. Nada – absolutamente nada, no entanto – poderia estar mais distante da realidade. Aquela gente está onde está por motivos pessoais, que não tem relação alguma com o bem-estar da população, a quem na verdade desprezam e escarnecem em segredo.

Infelizmente, não é de hoje que o brasileiro é enganado, e continuará sendo enganado indefinidamente. Disposto a comprar briga pelos seus políticos de estimação, o brasileiro se contenta em ser um subserviente e passivo cordeirinho estatal, que realmente não entende absolutamente nada de política, e pretende continuar enxergando esperanças, otimismo e heroísmo onde essas virtudes não existem: na política.

Artigo originalmente publicado no jornal A Folha do Sudoeste, periódico bissemanal de Palmas, Paraná, edição de 30 de janeiro a 01 de fevereiro de 2019. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.