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Por que o brasileiro é estatista?

Por que o brasileiro é estatista?

O brasileiro é um fervoroso e dedicado amante do estado, um passivo e indiscreto cordeirinho estatal. E essa é uma verdade tão incontestável que, se você se posiciona a favor do estado mínimo e do liberalismo econômico, a reação negativa da grande maioria das pessoas é tão constrangedora quanto palpável, especialmente se você debater a questão com socialistas, estadolátras intransigentes por natureza. Declarar-se liberal na economia é tão polêmico quanto confessar-se praticante de necrofilia, um entusiasta do canibalismo, ou ainda dizer que você mata cachorrinhos filhotes a marteladas por pura diversão. As reações são sempre feéricas, histéricas, impertinentes e negativas. É basicamente uma blasfêmia, uma imoralidade, um degradante e inaceitável sacrilégio para a sociedade estatizante brasileira, que é literalmente incapaz de largar a barra da saia da mamãe-estado, e da chupetinha maravilhosa que ela oferece. O brasileiro é uma eterna criança carente, que precisa estar constantemente no colinho do estado, que irá protegê-lo com todos os tipos de proteção moral, psicológica e social, cercando sua existência com garantias e privilégios, que manterão o brasileiro adulto uma criancinha dependente do estado para o resto da vida.

Esta mentalidade ostensivamente estatizante - embora já existisse - teve seu ápice na era Vargas. Getúlio era um indivíduo centralizador, responsável por solidificar raízes profundamente estatizantes na sociedade brasileira como um todo. Não é sem razão que ele é um dos ícones nacionais tão adorados pela esquerda e pelo PT. Como suas diretrizes políticas acabaram sendo consideradas arcabouços da verdade absoluta, tudo aquilo que ele fez jamais é questionado. Muito pelo contrário: é superestimado de forma exagerada. Getúlio tornou-se sinônimo de patriotismo e nacionalismo, mas da pior espécie possível. Considerado um patrimônio político e histórico nacional, hoje o brasileiro é completamente incapaz de tecer um olhar crítico e contundente sobre a era Vargas, e perceber que ela foi muito mais deletéria do que benéfica. Como todo estadista, Vargas julgava saber o que era "melhor" para a população, e via como sendo sua obrigação tutelar a sociedade brasileira ao futuro, sem levar em consideração os efeitos prejudiciais do exacerbado estatismo sobre a vida e as escolhas individuais do cidadão.

Infelizmente, isso não mudará. O brasileiro é ensinado desde cedo a depender do estado, e é amplamente incentivado a adorar políticos egocêntricos e burocratas perdulários, que não tem nem sequer a mais vaga noção das reais carências e necessidades da população. Julgam-se "homens do povo", uma frase batida usada por políticos à séculos, que não possuem o menor conhecimento à respeito do que tais palavras realmente significam. Ser dono de si, autor do próprio destino? Hora, isso é "americano"* demais para os estatizantes padrões nacionais. 

O brasileiro é estatista porque é educado desde a mais tenra idade para ser estatista. Doutrinado a ser tutelado pelo estado, independência e autonomia são conceitos execráveis para a política nacional e para o cidadão brasileiro comum. Aqui, essas expressões são consideradas verdadeiras heresias, especialmente no âmbito político. De forma mais tuil do que em regimes autoriátios, obviamente, aqui o deus-estado é um princípio absoluto, e sua veracidade jamais será contestada por indivíduos que integram o cenário político. No Brasil, o estado é indissolúvel e sacrossanto, e infelizmente, por conta disso, a sociedade, como um todo, não terá possibilidades para ser livre, desenvolvida, realizada ou autônoma. 

* Me refiro aos Estados Unidos "original", que, genericamente, se estende até a era Reagan. Hoje os EUA é um país socialista, com um estado regulador enorme. Atualmente, o governo federal americano é cinco vezes maior do que era em 1965. O grande problema de toda a democracia é que ela sempre irá descarrilhar para o socialismo. O estado nunca pára de crescer. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.