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Por que o Brasil nunca se tornou — e possivelmente nunca se tornará — um país desenvolvido?

Por que o Brasil nunca se tornou — e possivelmente nunca se tornará — um país desenvolvido?

Verdade seja dita sobre nosso país — o Brasil sempre foi um axioma do retrocesso e da estagnação por conta de nosso sistema político. Nunca fomos uma democracia de fato, mas uma plutocracia oligárquica. A democracia que temos é de fachada; serve para enganar a população e fazê-la pensar que ela governa através do sistema representativo. Os políticos eleitos, no entanto, não governam de fato. Eles são apenas a parte visível e mais aparente do estado, o espetáculo do teatro político, que existe primariamente para distrair as pessoas, jogar umas contra as outras e fazê-las discutir por coisas fúteis, enquanto os oligarcas, os verdadeiros detentores do poder, articulam nos bastidores em favor dos seus interesses. Um político, para "governar", deve estar completamente alinhado aos interesses do establishment. Caso não esteja, ele será derrubado, de uma forma ou de outra.

Basta analisarmos a história do nosso cenário político como um todo: desde que começou o degradante e nefasto período republicano — após a monarquia ser derrubada em decorrência de um golpe de estado perpetrado pela maçonaria através do exército brasileiro —, até o presente momento, tivemos 37 presidentes. Jair Bolsonaro é o 38º presidente do Brasil. Destes, 20 foram eleitos diretamente pela populaçãoApenas 12 foram capazes de concluir o mandato. Outros, pelas mais diversas razões, foram incapazes de fazê-lo. Júlio Prestes, por exemplo, foi eleito presidente do Brasil em 1930, mas não pôde assumir o cargo em função da revolução varguista que aconteceu no mesmo anoJânio Quadros, por sua vez, governou o país por apenas alguns meses em 1961. Foi rapidamente derrubado pelas oligarquias que efetivamente governam o Brasil, em consequência do seu intransigente e inflexível posicionamento anti-establishment. Ele não estava interessado em governar para elas.  

Com um sistema político essencialmente instável e turbulento — sempre suscetível a ingerências internas e interesses escusos —, seria impossível construir um país próspero e desenvolvido. Nossas instituições não tem valor ou solidez; elas podem ser subvertidas a qualquer hora e a qualquer momento quando deixam de atender os interesses do establishment. Outro problema que sempre acometeu nosso país vem do fato de que a aquisição de riquezas no Brasil sempre veio do roubo e da parasitagem institucionalizada através da política. Por não possuir nenhum respeito pelo empreendedorismo e pela economia de mercado, a livre iniciativa sempre foi brutalmente asfixiada no Brasil. Os cidadãos não possuem incentivo algum para serem indivíduos ativos e produtivos, mas tem elevados estímulos para se tornarem parasitas no estado. 

Por exemplo, se você decidir montar a sua própria empresa, será vorazmente esmagado pela excruciante burocracia estatal. Será obrigado a arcar com custos exorbitantes, por causa de impostos excruciantes — visto que temos uma das cargas tributárias mais elevadas do mundo — e por essa razão, você terá que contratar um bom contador para cumprir essas obrigações, o que será uma despesa adicional para a sua empresa. E um contador é fundamental, visto que você não terá tempo para estudar o nosso intrincado código tributário, cujo sistema de alíquotas é um dos mais complexos do mundo. Caso você decida fazer isso, não terá tempo para fazer mais nada. Nem mesmo pequenas e médias empresas são poupadas dessas obrigações burocráticas nefastas e tirânicas.   

Além do mais, com uma legislação que é terrivelmente protecionista com relação aos empregados, os custos adicionais que vem com a contratação de funcionários tornam vários investimentos proibitivos.      

Essa é uma das muitas razões pelas quais tantas empresas brasileiras já por muitos anos estão se mudando para o Paraguai. Lá, o governo cobra menos impostos, a legislação trabalhista é muito mais simplificada e o intervencionismo governamental na iniciativa privada é menos agressivo, o que torna o ambiente de negócios muito mais dinâmico e salutar. O ambiente de negócios no Brasil, por outro lado, sempre esteve entre os piores do mundo. Excessivamente burocrático, todas as dificuldades políticas, regulatórias e tributárias que compõem o custo Brasil fazem o nosso país ser um dos piores lugares do mundo para produzir e empreender. Aqui, o ambiente é ostensivamente regulamentado por burocratas que não dão espaço nenhum para a livre iniciativa.  

Essencialmente, aprendemos que é o estado brasileiro e seu sistema despótico que fazem o Brasil ser um país terrivelmente pobreEsses dois elementos são os grandes responsáveis por todo o retrocesso e estagnação do qual sofremos. Com um ideologia tão hostil ao trabalho, à produtividade, ao empreendedorismo e a geração de riquezas — com um estado que faz o possível para dificultar ao máximo o estabelecimento de novos negócios —, não è à toa que tão poucas empresas decidem entrar em atividade no Brasil; e por essa mesma razão, tão poucos empregos são gerados. Somos um dos piores países do mundo para se abrir um negócio, e por isso temos uma produtividade tão baixa e um nível de competitividade tão irrisório no mercado internacional. 

Se você, por outro lado, não quer produzir nada, mas decide entrar para a política, ao contrário da situação anterior, para se tornar um parasita profissional você terá todos os incentivos e estímulos. Se você se eleger deputado, por exemplo, terá um exorbitante salário de trinta e quatro mil reais por mês, além de muitos outros benefícios, como auxílio-moradia e auxílio-paletó. Mesmo que você não faça absolutamente nada, todo mês terá muito dinheiro sendo depositado na sua conta bancária. Caso você não queira ingressar na política, mas mesmo assim decida trabalhar para o estado, no caso, como funcionário público, se você conseguir se tornar alguém do primeiro escalão — como um diplomata, por exemplo —, você poderá ganhar um salário de até duzentos mil reais por mês; ou seja, ainda mais do que um político. Sem produzir absolutamente nada, ficará absurdamente rico em questão de pouco tempo. 

Por essa razão, o Brasil não é um país desenvolvido. Os valores há muito tempo foram sumariamente invertidos. Quem produz não consegue acumular nada — nem sequer o mais irrisório patrimônio —, mas em contrapartida, é coagido a pagar uma exorbitante quantidade de impostos. Basicamente, é um escravo que trabalha para sustentar o estado onipotente e todos os seus integrantes. Por outro lado, quem decide se tornar um parasita profissional no estado não apenas fica rico em pouco tempo, como vive uma vida de ostensivo luxo e conforto, saturada de incomensuráveis privilégios e benefícios. Tudo custeado com o dinheiro do contribuinte, é claro. 

É por essa razão que a sociedade produtiva é asfixiada com uma carga tributária tão brutal e aviltante. Ela é forçada a sustentar os salários nababescos e os benefícios obscenos da classe política e dos marajás do funcionalismo público. A iniciativa privada na verdade é escravizada pelo estado, sendo obrigada a custear a vida de luxos e privilégios dos marajás.  

Nota-se aqui também como o estado brasileiro é burro — se nosso sistema econômico fosse um pouco mais livre, poderíamos gerar muito mais riquezas, e o estado também se beneficiaria disso, pois poderia cobrar mais impostos, ou simplesmente aumentar as alíquotas, pois com mais riquezas sendo geradas, o estado teria muito mais para roubar.

Como o mercado e o ambiente de negócios é hiper-regulamentado — quase ao ponto da asfixia e da paralisia total em determinados setores — acabamos sendo pouco produtivos e gerando poucas riquezas. Esse pouco de riquezas que geramos, o estado surrupia através de uma carga tributária obscena e excruciante; pagamos uma vasta quantidade de impostos federais, estaduais e municipais, tanto diretos quanto indiretos. Como a maioria dos impostos são indiretos, ou seja, estão agregados ao valor dos produtos, o cidadão brasileiro no geral não tem uma noção exata do quanto ele é roubado. Mas basicamente, 70% dos seus rendimentos de uma forma ou de outra acabam indo para o estado. 

A verdade é que o sistema político e o estado sempre foram os principais problemas do nosso país. O brasileiro produtivo é um escravo do estado, uma propriedade inalienável do sistema que o escraviza. O triste é que muitos cidadãos nem sequer percebem isso; desconhecem a situação de escravidão a que foram subjugados, por um estado onipotente e um sistema político tirânico e inescrupuloso.

E agora, caro leitor, trate de trabalhar. O judiciário mais caro do mundo e o segundo congresso mais caro do planeta não se pagam sozinhos. Você tem centenas de políticos e marajás para sustentar. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.