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Por que os Estados Unidos deu certo?

Por que os Estados Unidos deu certo?

A diferença entre o estatismo e o liberalismo é o progresso e a prosperidade 

Estados Unidos e Brasil são países com inúmeras similaridades. Ambos são democracias representativas, ambos são países continentais, ambos são países basicamente constituídos por imigrantes e seus descendentes. Por que, no entanto, os Estados Unidos se tornou um país muito mais desenvolvido? E não, não tem absolutamente relação alguma com o fato de que os Estados Unidos foi contemplado com uma “colonização de povoamento”, enquanto no nosso caso foi uma “colonização de exploração”, como o seu professor de história provavelmente deve ter lhe ensinado. Na verdade, não é nada disso.

Desde o princípio de sua fundação, o governo americano sempre foi pautado por um grande respeito pela liberdade em todas as áreas da sociedade humana, justamente por ser assiduamente controlado pela sociedade que governava, que jamais permitiu que o estado assumisse atribuições para além de sua competência. O congresso americano, por exemplo, jamais deveria tolher a liberdade religiosa. As liberdades individuais tornaram-se cláusulas pétreas garantidas pela constituição. O respeito pelas liberdades individuais tornou-se um elemento sagrado na cultura americana, o que naturalmente estendeu-se para a área econômica. Com ampla e irrestrita liberdade econômica, o progresso e a prosperidade materializaram-se. E por isso os Estados Unidos tornou-se um país extremamente rico e próspero. Com a ampla aquisição de riquezas e facilidade para fazer negócios, tornou-se tácito também o conhecimento de que o estado deve sempre ser mantido pequeno, pois conforme o estado se expande, as liberdades tendem a diminuir, bem como a prosperidade financeira e material da sociedade. Esta primordial e fascinante cultura de liberdade, por outro lado, nunca se disseminou no Brasil. Desde o princípio, ela foi ardilosamente suplantada pela cultura do estatismo.  

Embora o Brasil sempre tenha sido um país altamente estatista, a cultura do estatismo piorou muito quando Getúlio Vargas chegou ao poder. Com uma mentalidade política e econômica impreterivelmente fascista – tudo no estado, nada contra o estado, nada fora do estado – Vargas acreditava que o estado deveria ser o principal agente de transformação da sociedade. Para ele, cabia ao estado tomar a dianteira em absolutamente tudo, inclusive e principalmente na área econômica. De maneira que o ditador natural de São Borja criou o sórdido hábito, que se converteria em um dirigismo governamental compulsivo dali para frente, de controlar discricionariamente a economia por meio de compulsório intervencionismo; o que deu origem ao corrosivo hábito de criar empresas estatais, centenas delas. Vargas criou duas das mais famosas, como a Petrobrás e a Eletrobrás.

Isto nunca mais mudaria. Todos os governos dali em diante abraçaram a matriz econômica estatista-desenvolvimentista varguista, jamais ousando contestá-la ou revertê-la. A criação desenfreada de empresas estatais é, possivelmente, o hábito mais marcante dos governos brasileiros. Os governos militares criaram 47 empresas estatais. Os governos petistas criaram 43.

Isto teve consequências nefastas. A concentração de inúmeros monopólios nas mãos do estado acabou com toda e qualquer possibilidade do brasileiro de usufruir de salutar liberdade econômica, o que é um elemento imprescindível para o desenvolvimento de uma nação. Com exacerbada concentração de riquezas nas mãos do estado, não é à toa que a classe política usufrui de enorme poder, e a pobreza no Brasil continue sempre a aumentar. O estatismo desenvolvimentista concentra riquezas nas mãos de aristocráticas e abastadas oligarquias políticas, enquanto o liberalismo econômico – justamente por não colocar barreiras e impedimentos sobre a criação e a circulação de riquezas – tende a beneficiar pessoas comuns, propiciando às mesmas que abram os seus negócios sem qualquer dificuldade, e contratem e comercializem com quem desejarem, sem quaisquer preocupações com intervencionismo despótico, legislação autoritária ou medidas protecionistas impostas pelo governo.

Não há segredo algum, nos EUA não foi aplicada nenhuma “fórmula mágica” para o desenvolvimento. O governo apenas não se intrometia e deixava as pessoas produzirem e comercializarem em paz. Foi um formidável nível de liberdade econômica – um elemento do qual nunca usufruímos aqui no Brasil –, que propiciou aos Estados Unidos se tornar a potência econômica que este país é hoje. Tudo porque o escopo de atuação e intervencionismo do estado foi, desde o princípio, altamente limitado.

É verdade que nem mesmo os Estados Unidos conseguiu escapar inteiramente da degradação estatista. Até mesmo lá, o estado invariavelmente se expandiu de forma incontrolável. Hoje, o governo federal americano é cinco vezes maior do que era em 1965. Os Estados Unidos contemporâneo é basicamente um grande estado assistencialista, que luta arduamente para manter os valores que originaram sua cultura e seu nível de desenvolvimento. Ainda assim, continua sendo um país muito superior ao Brasil. Os EUA está entre os países com maior facilidade para se fazer negócios, e você pode alcançar uma excelente qualidade de vida lá com muito mais facilidade do que alcançaria aqui. No índice de liberdade econômica da Heritage Foundation, os Estados Unidos ocupa o 11º lugar, enquanto o Brasil está na 153ª posição.

O que esta comparação do Brasil com os Estados Unidos nos ensina?

Nos ensina que o estado é essencialmente um parasita, e seu tamanho deve ser altamente controlado, condensado ao mínimo possível. Na verdade, o estado não deveria oferecer mais do que segurança à população. Quando ele interfere em outras áreas – indo muito além de suas competências fundamentais – é porque existem interesses escusos em jogo, que não priorizam o bem-estar da sociedade.   

Um estado gigantesco, paternalista, patrimonialista, intrusivo e centralizador foi a deplorável anomalia que comprometeu completamente o desenvolvimento do Brasil. Pagamos um preço muito caro por ter políticos e burocratas no comando de todas as áreas do país, sobretudo na economia. Se tivéssemos adotado a liberdade, ao invés do estatismo, do protecionismo e do dirigismo governamental, com todas as nossas riquezas naturais poderíamos ter sido o país mais desenvolvido do mundo. 

Artigo originalmente publicado no jornal A Folha do Sudoeste, periódico bissemanal de Palmas, Paraná, edição de 16 a 19 de março de 2019. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.