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Oponha-se ao culto do estado onipotente

Oponha-se ao culto do estado onipotente

A doença da estadolatria nunca esteve tão forte no Brasil como nos dias de hoje, e ela é presente em praticamente todos os diagramas do espectro político. Crença profundamente arraigada de que o estado, seu dirigismo burocrático e o seu nefasto positivismo legalista representam a solução para todos os problemas do país, a estadolatria está destruindo e corroendo compulsivamente as novas gerações com convicções nefastas, terrivelmente prejudiciais para o desenvolvimento da nação; a saber, que o estado deve intervir em tudo, que o estado deve saber de tudo, que o estado deve gerir e administrar absolutamente tudo. O que, na prática, configura deplorável e corrosivo socialismo. Por trás desta filosofia de libertinagem juvenil inconsequente e prepotente ociosidade, está a falaciosa premissa de que você não deve fazer absolutamente nada de sua vida, pois o estado tem a obrigação de dar tudo “de graça” para todos. Ou seja, é uma fantasia, e das mais absurdas. Afinal, se o estado nada produz, quem irá pagar por tudo?

Esta noção de que o estado tem a obrigação de saciar todos os fetiches dos militantes políticos está profundamente arraigada à infantil visão socialista do estado como provedor; quando na verdade o estado não tem que prover nada para ninguém, pois o estado nada produz, já que ele é, em essência, um parasita. Toda a receita do estado vem da miríade de impostos compulsoriamente extorquidos da população. O que o socialismo produz, na prática, em todas as suas formas e associações, são vagabundos chorões dependentes do estado. O discurso populista alicerçado em assistencialismo vitalício é muito explorado por políticos que estão ávidos pelo poder.

Quando o estado gerencia tudo, o colapso é o resultado inevitável. Especialmente no aspecto econômico, porém não exclusivamente. E ainda que o Brasil possa ser enquadrado como um excelente exemplo nesse aspecto, temos aqui na América do Sul um exemplo ainda pior, muito mais dramático, a Venezuela, cujo governo transformou-se efetivamente em uma repressiva, brutal e violenta ditadura, empenhada em controlar ostensivamente toda a população, e hostilizar abertamente – isso quando não executa sumariamente – os opositores do regime. 

Isso é o resultado natural de se conferir demasiado poder ao estado. O fim natural deste é que acabará tornando-se uma instituição ostensivamente tirânica, arbitrária e excessivamente regulatória, empenhada em um árduo processo de judicialização e burocratização da sociedade, para fins de controle absoluto; o que efetivamente transformará toda a população em reféns de um governo sórdido, despótico e escravagista. Exatamente o que aconteceu em países como Venezuela e Nicarágua.

Este é basicamente o fim de todo o estado. Quanto mais atribuições o estado absorve para si, mais poder ele tende a arregimentar sobre o seu centro gravitacional. Consequentemente, o estado vai exigir mais controle, e o processo se perpetuará indefinidamente, até o estado absorver literalmente tudo, e terminar sendo o soberano absoluto sobre toda a sociedade. O estado não existe para atender as necessidades da população, embora alimente esta ilusão infantil para iludir as massas. O estado na verdade é um fim em si mesmo. O caso da deputada Maria do Rosário – e sua tentativa de censurar o humorista Danilo Gentili – comprovam muito bem esta situação. O estado não existe para defender os interesses e a liberdade da população. O estado existe para proteger a classe política da insatisfação popular.

Infelizmente, os estadólatras brasileiros possuem um insaciável fetiche pelo estado. Desejam compulsivamente ser escravos, assim como desejam arduamente que outras pessoas sejam roubadas através de impostos extorsivos, brutais e abusivos, para então o estado ser capaz de custear os privilégios e os benefícios a que os militantes estadólatras julgam ter direito. Gerações de indivíduos mimados que foram ostensivamente infantilizados através de um grotesco e macabro processo de doutrinação sistemática. 

Quanto mais atribuições tiver, mais e mais funções arbitrárias o estado tende a arregimentar sobre si. Burocratas não estão interessados em progresso ou desenvolvimento, muito pelo contrário; eles estão interessados unicamente em acumular poder. De qualquer maneira, o processo de expansão do estado é contínuo e permanente, nunca termina. A voracidade do Leviatã é implacável. Nesta ensandecida plataforma de poder, somos todos presas de um abominável monstro irascível, cuja função primária é nos absorver por completo no estertor de sua tirania. É lamentável, no entanto, que muitas pessoas – em decorrência da mortificante lavagem cerebral a que foram submetidas – não tenham discernimento para perceber isso.

Artigo publicado no jornal A Folha do Sudoeste, periódico bissemanal de Palmas, Paraná, edição de 01 a 03 de maio de 2019. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.