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É o verdadeiro capitalismo que nunca existiu

É o verdadeiro capitalismo que nunca existiu

Se é verdade que o verdadeiro comunismo nunca existiu, também é verdade que o verdadeiro capitalismo nunca existiu. O capitalismo, para ser genuíno capitalismo de fato, isto é, livre mercado, deve ser puro. Ou seja, deve usufruir de autonomia plena, sendo completamente livre de intervenção governamental. De fato, conhecemos este princípio como Lasseiz-faire, isto é, a defesa acirrada e moral de uma completa e total separação entre estado e economia.

É fundamental entender que, na prática, o verdadeiro capitalismo nunca existiu. Isto porque todos os governos de todos os países do mundo realizam alguma forma de intervenção na economia. E conforme a economia é contaminada por intervenções governamentais, ela deixa de ser capitalista, para se tornar socialista e corporativista. A filósofa Ayn Rand corretamente afirmou que todos os problemas atribuídos ao capitalismo na verdade são decorrentes de intervenção estatal na economia. 

Embora todos os governos de todos os países que existem no mundo são responsáveis por algum grau de interferência na economia, evidentemente, nem todos eles o fazem com a mesma voracidade. Os governos dos diversos países que existem no mundo são muito diferentes em sua gestão e em suas atribuições em competências micro e macroeconômicas, de maneira que existem diferentes níveis de intervenção estatal na economia. Alguns governos interferem muito na economia de seus países, enquanto outros interferem menos. Portanto, podemos medir o grau de capitalismo de cada país pelo seu nível de liberdade econômica. Quanto mais livre é um determinado país economicamente, mais capitalista ele será. Por outro lado, quanto mais intervenção governamental houver em uma nação, menos livre ela será economicamente, e portanto, será invariavelmente mais socialista. 

Se analisarmos quais são os países do mundo que são os mais desenvolvidos — SuiçaLuxemburgoChileNova ZelândiaHong KongCingapura — vamos constatar que são aqueles que são os mais livres, ao menos no âmbito econômico. São justamente os que mais se aproximam do capitalismo, tendo um governo que interfere relativamente pouco na economia. Os mais pobres, por outro lado — CongoCubaVenezuelaCoreia do Norte, são justamente aqueles que sofrem os níveis mais exacerbados de intervenção governamental na economia. Portanto, é fácil compreender o raciocínio aqui proposto: quanto mais intervenção governamental existir em uma determinada nação, menos livre mercado existirá, e mais pobre ela será. Quanto mais livre for o país, por outro lado, mais autonomia e liberdade existirão em suas transações comerciais, e, por conseguinte, mais prosperidade e progresso haverá.

Podemos constatar e compreender o nível de prosperidade que vem com o capitalismo analisando a história da China moderna. Quando os comunistas liderados por Mao Tsé-tung tomaram o poder, após vencerem uma guerra civil contra os nacionalistas de Chiang Kai-shek, Mao tornou-se ditador, e fundou, em 1949, o país que é hoje conhecido como República Popular da China. Neste período, o comunismo foi implantado, e uma economia planejada passou a ditar a produtividade do país. Os resultados desta forma de governo foram os piores possíveis. Em função de um projeto governamental que ficou conhecido como o Grande Salto Adiante — que, de acordo com os planos unilaterais de Mao, transformariam a China de um país essencialmente agrário em uma grande e desenvolvida civilização socialista —, no qual a produtivdade agrícola foi basicamente arruinada por uma multiplicidade de fatores, que iam desde decisões governamentais arbitrárias à falta de coordenação entre os diferentes ministérios do estado —, os chineses enfrentaram, como consequência, a Grande Fome da China, um período de exasperante escassez de alimentos, que resultou em uma degradante mortandade, dizimando aproximadamente quarenta e cinco milhões de chineses. Durante este período, assim como o Holodomor, na Ucrânia, tornou-se corriqueiro entre os chineses, desesperados para sobreviver, o hábito do canibalismo. 

Não obstante, quando Mao morreu, em 1976, depois de quase vinte e sete anos de brutalidade totalitária, seu sucessor, Deng Xiaoping, um indivíduo de mentalidade prática nem um pouco comprometido com ideias marxistas — para a felicidade dos chineses —, restaurou as liberdades individuais da população, não de forma plena, mas relativa, e começou uma lenta e gradual abertura econômica, que gradativamente reintroduziu o capitalismo na China. 

Com maior liberdade econômica, os chineses pararam de morrer de fome. E com a lenta abertura econômica que começou depois do período maoísta, além do nível de prosperidade e qualidade de vida que aumentou exponencialmente, em questão de duas décadas, a China tornou-se uma grande potência mundial. 

Ainda que o verdadeiro comunismo — como afirmam os seus entusiastas e proponentes —  nunca tenha sido de fato aplicado, isto vale também para o capitalismo, pois sua aplicação plena poderia ser plenamente executada apenas em uma ordem natural, que requer necessariamente a ausência do estado, pois apenas desta maneira empresas e indivíduos poderiam comercializar de forma autônoma, estando livres de burocracia, encargos, tarifas, taxas, contribuições, monopólios, reservas de mercado e adicionais demandas artificiais criadas pelo estado para beneficiar oligarquias e corporações, que fazem simbiose com o governo para dominar o mercado, o que é demasiadamente corriqueiro no sistema político em que vivemos.

Não obstante, uma coisa podemos constatar com toda a certeza, ao longo de todas as experiências que a história nos ensina: quanto mais uma nação se aproxima do capitalismo, melhor e mais próspera ela fica. No entanto, ela nunca o fará completamente, até chegar ao capitalismo pleno, pois sempre haverá algum grau de intervenção estatal na economia. Por outro lado, quanto mais uma nação se aproxima do comunismo, mais ela se degrada, se destrói e se deteriora.  

O capitalismo, por onde passa, sempre traz benefícios, e um formidável acréscimo à qualidade de vida. Não é necessário recorrer a teorias para comprovar isto. Basta compreender e analisar a realidade. O mundo real sempre comprovou que a liberdade é a melhor política. Quanto mais liberdade econômica, mais progresso e prosperidade haverá.

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.