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O que é paleolibertarianismo?

O que é paleolibertarianismo?

Paleolibertarianismo é um termo elaborado pelo filósofo e estudioso libertário Murray Rothbard, que significa, basicamente, libertarianismo com viés culturalmente conservador. Ou, como Lew Rockwell diria, o libertarianismo depois que se reconciliou com a religião, as tradições e a ordem natural. 

A questão preponderante é a sua negação fundamental do estado. Afinal, o estado não representa uma ordem natural; ele impõe uma severa hierarquia artificial sobre a sociedade com a finalidade de extorqui-la, exauri-la completamente de seus recursos materiais e financeiros, roubá-la sistematicamente através de uma série de imposições econômicas e burocráticas exorbitantes, e oferecer em troca uma série de serviços convertidos em monopólios, além de impor arbitrariamente regulações ostensivamente absurdas sobre toda a sociedade. O estado é uma agressiva, aviltante e sórdida imposição autoritária. Só é capaz de se impor através do uso de beligerante violência e coerção; é portanto, uma bestial brutalidade, uma violação da ordem natural, que ignora completamente a moralidade e a ética inerentes a uma sociedade humana coesa e salutar, para substitui-las pelo conveniente beneplácito de uma sórdida constituição legalista, que servirá exclusivamente para atender os interesses de políticos e burocratas.

O estado não é, portanto, passível de defesa sob um ponto de vista ético e moral. É necessário agredir seres humanos, e violar os seus direitos individuais, para que o estado exerça seu domínio sobre todos os governados, que jamais serão consultados sobre quaisquer projetos, alterações ou emendas que este pretenda implementar. Quando a população é consultada, o estado o faz por mera formalidade. A opinião individual de cada pessoa realmente não importa.

Portanto, um conservador — um indivíduo que realmente tem afeição sincera pelas pessoas, e deseja preservar a integridade física, mental e moral das mesmas, por amor e consideração — não pode ser condescendente com a existência de um estado; que, na prática, é uma organização criminosa. 

Muitas pessoas, no entanto, cometem o erro de pensar que libertários desejam viver no caos, na anarquia, em um mundo de barbárie e carnificina, onde não existam regras e cada um faz o que quer. No entanto, isso é um falacioso equívoco de quem nunca estudou ética e moralidade por uma ótica tanto libertária quanto conservadora.

A verdade é que os seres humanos poderiam se organizar muito bem em comunidades autônomas voluntárias e indepedentes, partindo de princípios voluntários, que façam uso de subsidiariedade e localismo. Na verdade, já existem projetos similares em curso, como as cidades privadas, que — caso não haja intromissão do estado, o que é improvável — tem tudo para dar certo. 

O libertarianismo aqui defendido, portanto, é culturalmente conservador, no sentido mais completo do termo: o centro da sociedade é o indivíduo, a família tradicional, a religião, a moralidade, o trabalho, o capitalismo de livre mercado. Sem a intrusão de um arbitrário e agressivo estado tirânico, cruel, regulador e espoliador, que existe para subjugar e roubar aqueles que encontram-se reféns de sua ditatorial interferência criminosa. 

Então talvez você pergunte: mas e como uma sociedade concebida nestes moldes seria capaz de obter serviços emergenciais, como o de bombeiros, médicos e policiais, por exemplo? Todas estas organizações existiriam, mas seriam privadas. Evidentemente, um fundo comunitário poderia ser organizado para financiar estes serviços para os cidadãos mais carentes, aqueles que não teriam os meios para pagar por estes serviços. Ademais, muitos destes trabalhos poderiam ser voluntários, como — no caso de bombeiros, por exemplo — o são em diversas cidades pequenas dos Estados Unidos, e também da Suíça. É sempre pontual lembrar que quem fomenta a pobreza, e faz de tudo para piorar o problema, é o próprio estado, que usa a pobreza para justificar a sua existência

Em uma sociedade concebida nestes termos, o conceito de estado-nação possivelmente deixaria de existir. Mas isso deveria exercer algum impacto significativo sobre nós? As pessoas tem a tendência de tentar paulatinamente organizar o mundo em suas cabeças, preocupando-se demais com questões que fogem da sua alçada. Os moradores de uma determinada localidade ou comunidade autônoma, por exemplo, deveriam se ocupar com a organização do bairro, da quadra onde moram. A organização partiria de uma prerrogativa local e totalmente voluntária. Faça o que você pode fazer, e deixe seu vizinho cuidar da parte dele. Não se preocupe com o resto do mundo, o mundo nem sabe que você existe. Preocupe-se com o que efetivamente você pode fazer, por você, por sua família, pelos integrantes da sua comunidade. É evidente que um arranjo organizacional com este viés não seria perfeito. Mas com certeza seria infinitamente melhor do que viver no sistema de espoliação estatal compulsória debaixo do qual fomos escravizados, e estamos tentando nos libertar.    

A questão é: as pessoas tem o pleno direito de serem livres, tem o direito de não ter que financiar compulsoriamente uma organização criminosa, para que políticos e burocratas tenham salários e benefícios exorbitantes às custas do trabalho árduo da população, que tem sua renda arbitrariamente confiscada através de tributos, taxas, tarifas e impostos municipais, estaduais e federais, indefinidamente, para que o estado perpetue o seu ciclo de estelionato e roubo sobre tudo e todos.

Ademais, este tipo de organização não só seria possível como é possível; é o estado que não permite a sociedade organizar-se através de uma conjuntura diferente, que parte de princípios de resolução, ação e associação voluntárias. O estado é uma organização criminosa — sempre foi e sempre será — e age escravizando mentalmente as pessoas, para que elas sejam subservientes ao estatismo político, sendo completamente incapazes de conceber outras formas de organização social, muito mais justas, benévolas e corretas e encarem o estado como um deus onipresente e sagrado, necessáro para tudo, desta maneira perpetuando um corrosivo ciclo de escravidão, de forma a permitir que o domínio do estado se estenda indefinidamente sobre tudo e sobre todos. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.