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O Brasil é um país socialista ou um país capitalista?

O Brasil é um país socialista ou um país capitalista?

Em função da ignorância generalizada sobre economia, a grande maioria das pessoas pensa que o Brasil é um país capitalista. Só que elas estão completamente enganadas. Na verdade, o Brasil nunca foi um país capitalista. Muito pelo contrário. O Brasil é um país socialista. No ranking de liberdade econômica da Heritage Foundation, o Brasil ocupa a 140ª posição, sendo considerado mais socialista do que a Rússia e a China.  

O capitalismo, para existir, requer, necessariamente, um ambiente de livre mercado, algo do qual o Brasil não usufrui. E nunca usufruiu. 

O socialismo brasileiro tem suas origens no fascismo de Getúlio Vargas, cujos governos foram altamente centralizadores e estatizantes. Daí para a frente, os governos subsequentes nunca mais pararam o processo de estatização da economia. Até mesmo os governos militares de 1964 a 1985 deram prosseguimento ao estatismo desenvolvimentista. Politicamente, é um grande equívoco afirmar que o regime militar brasileiro foi de direita. Sua única característica verdadeiramente direitista foi o anticomunismo. Para o leitor ter uma ideia, os governos militares criaram mais estatais que os governos petistas. Foram 47 empresas estatais criadas durante o período militar, e 43 criadas durante a gestão governamental petista. 

O único regime militar que foi verdadeiramente de direita na América do Sul foi o do Chile. Pouco depois de Augusto Pinochet assumir como mandatário, em 1973, seu governo recebeu o auxílio da escola americana de economia de Chicago. Com fórmulas metódicas comprovadamente eficientes, o governo Pinochet executou uma completa reversão das políticas econômicas implementadas pelo presidente anterior, Salvador Allende. Com a desestatização da economia, a privatização de estatais e a implantação do liberalismo econômico, o Chile tornou-se o país mais desenvolvido da América Latina. Hoje, é o único país da região considerado uma economia de alta renda pelo Banco Mundial (Leia mais sobre o porquê a economia chilena tornou-se tão próspera e desenvolvida aqui e aqui).  

Mas por quê o Brasil não é um país capitalista?

Como explicado nas linhas acima, nos governos de Getúlio Vargas, especialmente durante o Estado Novo, o processo de estatização da economia tornou-se corriqueiro e sistemático. E, naquela época, estatização era considerada sinônimo de desenvolvimento. O governo considerava imprescindível, fundamental, necessário, tutelar a economia, em nome do progresso, explorando, de forma pertinaz, sobretudo as riquezas naturais do país. Essa mentalidade monopolísitca e centralizadora ficou tão arraigada à política brasileira, que todos os governos subsequentes a assumiram sem sequer questioná-la. De maneira que a adoção de uma economia liberal nunca sequer foi cogitada em nosso páis.

Com a eventual adoção do socialismo, todos os elementos relacionados a uma economia estatizada tornaram-se tão asfixiantes, que fizeram o potencial econômico definhar. Como resultado, o estado passou a crescer cada vez mais. O Brasil passou a ser um país pulverizado por estatais, monopólios, oligopólios, reservas de mercado e agências reguladoras, em um ostensivo excesso de cartéis, auferidos por meio de capitalismo clientelista. Portanto, não existe livre mercado no Brasil, mas um corporativismo oligárquico, que controla o mercado. Se não existe livre mercado, não é capitalismo.

Outro elemento que as pessoas, em geral, parecem incapazes de compreender, é a burocracia. A burocracia é uma matriz socialista. Não existe burocracia no capitalismo. Para você registrar uma empresa no Brasil, você leva um período de quase quatro meses. Processo terrivelmente burocrático, o empreendedor é obrigado a exaurir-se na sofreguidão de uma verdadeira via crúcis, que envolve escritórios de contabilidade, prefeituras e cartórios, além de fiadores e avalistas, e gasta, inicialmente, um valor aproximado de dois mil reais com toda a documentação que tornará legítimo o seu negócio (o empresário nem abriu a sua empresa, nem sequer começou a ter lucro, e tem que gastar quantias significativas de dinheiro para empreender – algo típico do socialismo, que considera o empreendedorismo um mal). Depois, passarará a ser assaltado de forma metódica e degradante pelo estado, através de uma corrosiva, colossal e extorsiva tributação. Não é sem motivo que, no Brasil, a informalidade tornou-se tão comum.   

Em um país capitalista, por outro lado, isso não existe. No Chile, é necessário apenas um dia para se registrar uma empresa. E isso é realizado sem custo nenhum. Na Nova Zelândia, o processo é ainda mais simples. O indivíduo nem precisa comparecer em um departamento governamental. Tudo o que ele tem a fazer é preencher um requerimento on-line, que solicita apenas três informações, e isso também é realizado sem custo nenhum. Por isso são países tão desenvolvidos. O estado não impõe obstáculos a quem deseja empreender. Em função disso, muitas empresas são abertas diariamente, muitos empregos são gerados, muita riqueza é criada e muitos negócios são realizados. Não há nada que desenvolva um país, como o livre mercado.      

E por quê há tanta burocracia no Brasil?

A burocracia soviética que asfixia o empreendedorismo é herança do socialismo fabiano, que começou a ser implantado no Brasil durante o governo de FHC. Embora a burocracia fosse um problema muito anterior, durante este período, tornou-se ainda pior. O socialismo fabiano – que é a base da social democracia, cujas diretrizes servem de alicerce para o partido de FHC, o PSDB –, assim como o comunismo radical, se opõe ao livre mercado, mas busca destruí-lo por outros meios. O socialismo fabiano busca sufocar a livre iniciativa através de excessivas regulações, taxas, tarifas, impostos e tributos. Todos estes pérfidos e sórdidos empecilhos estatais, eventualmente, tem por objetivo desestimular o empreendedorismo, e impedir o livre mercado de crescer.

Não obstante, como a maioria das pessoas não sabem disso – especialmente socialistas, que, via de regra, são ignorantes em economia –, elas acham que o socialismo é a solução para os problemas que o Brasil enfrenta, justamente porque não conseguem compreender que todas as dificuldades pelas quais passamos são, na verdade, consequências diretas do socialismo. Então, ironicamente, elas exigem mais socialismo, para solucionar problemas gerados pelo socialismo (que, na visão distorcida delas, é capitalismo). Mas como poderiam ser problemas oriundos do capitalismo, se nunca existiu livre mercado no Brasil? 

Outro exemplo que poderia ser dado: nós temos seguro-desemprego, que é um nítido exemplo de redistribuição de renda. O que configura uma medida completamente socialista. Mesmo assim, insistem em dizer que o Brasil é um país capitalista.

É verdade que, apesar de sermos socialistas, não somos uma ditadura (ainda). Mas temos um longo caminho pela frente, se quisermos reverter este processo para, algum dia, nos tornarmos um país capitalista. 

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Sobre Mim

Sobre Mim

O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.