Blog

O Brasil permanecerá indefinidamente soterrado no estatismo?

O Brasil permanecerá indefinidamente soterrado no estatismo?

A matriz econômica do Brasil sempre foi nacional-desenvolvimentista. E essa é a principal razão de nosso atraso, pois ela permite uma enorme concentração de poder e riquezas nas mãos do estado e da classe política. A ausência de liberdade econômica – e a supersaturação do intervencionismo estatal, que compromete o desenvolvimento do mercado com nefastas e autoritárias medidas discricionárias – definitivamente tornou-se o elemento mais relevante do nosso atraso e da nossa pobreza. Como não existe nenhuma liberdade econômica, mas um ambiente de mercado altamente regulado, fica impossível gerar prosperidade. Todos os obstáculos que o estado coloca sobre a livre iniciativa são catalisadores do retrocesso, da estagnação e da improdutividade.  

Para solucionar esse problema, bastaria implementar medidas liberalizantes na economia. Isso, no entanto, no atual estado de coisas, pode ser impreterivelmente impraticável, visto que o Brasil transformou-se em uma grande, bestial e inflexível corporatocracia, onde quem detém o poder são os grandes oligopólios que efetivamente comandam o estado, subornando políticos, engajando-se em tráfico de influência, praticando clientelismo e captura de renda, dentre muitos outras atividades ilícitas. O estado brasileiro nada mais é do que uma grande coalizão maléfica de interesses escusos que existe para atender às demandas e exigências do crime organizado. Infelizmente, como os demagogos políticos são muito habilidosos, conseguem, com seus aviltantes e falaciosos discursos dissimulados, ludibriar seus eleitores, fazendo-os acreditar que eles querem, sinceramente, solucionar problemas. Quando na verdade o grande interesse da classe política é galgar degraus na hierarquia de poder, conquistar posição e influência, e – acima de tudo – prestígio e muito dinheiro. Especialmente o de procedência ilícita, que é convenientemente armazenado em quantias descomunais, em contas bancárias robustas em paraísos fiscais. 

O Brasil permanece soterrado a uma matriz estatista e intervencionista desde Getúlio Vargas, que criou o nefasto hábito de saturar o país com empresas estatais. Daí para a frente, este hábito nunca foi questionado, e se intensificou de maneira voraz, expansiva e inflexível. Como temos atualmente um ministro da economia, Paulo Guedes, que se diz, em teoria, liberal, e pretende realizar de fato ao menos algumas privatizações – que o Brasil precisa, pois tem cinco centenas de empresas estatais, das quais 148 são federais – o otimismo para mudanças positivas no âmbito econômico está em alta; não obstante, o Brasil nunca mudou antes. Por quê mudaria agora?

Promessas de mudanças são feitas há décadas. O Brasil, no entanto, nunca muda, especialmente na questão econômica. Continua sendo aquilo que sempre foi, um país ostensivamente estatista-desenvolvimentista, que afugenta e afasta investidores, com um dos mais hostis e insalubres ambientes para o empreendedorismo que existem no mundo.         

Fica, portanto, muito difícil acreditar em promessas, sendo que a matriz estatista-desenvolvimentista e o corporativismo estão muito arraigados ao panorama político. Os grandes barões e oligarcas tem a ganhar mantendo as coisas como estão, os oligopolistas, os corporativistas que consolidam monopólios através da regulamentação do estado, os políticos e burocratas que ganham subornos volumosos não apenas participando ativamente destes conluios, mas sendo muitas vezes seus protagonistas, agindo como atravessadores e facilitadores.

No discurso tudo é impecável e magnífico. Políticos farão qualquer coisa para se eleger, inclusive prometer aquilo que não querem cumprir, ou que está além de suas possibilidades executar. Os contrastes entre a teoria e a prática, no entanto, são bastante nítidos, e é quase impossível não perceber as aberrações, abominações e anomalias que se revelam vagarosamente entre os brutais e sádicos interesses dos grupos que se organizam ardilosamente no poder. 

Tudo indica que o Brasil não vai mudar. Os brasileiros estão sendo descaradamente enganados mais uma vez, ludibriados por suas próprias falsas esperanças. O desespero para se ver livre da radical esquerda progressista era tão grande, que agarraram-se vultuosamente ao primeiro indício de solução que apareceu. Tudo indica, no entanto, que vamos continuar sendo vendidos para os chineses, com o apoio e o suporte do governo e de seus leais entusiastas, completamente obtusos para o fato de que existe mais em jogo do que aquilo que a população é capaz de perceber.

Infelizmente, o Brasil jamais se tornará um país liberal. O Brasil é um país socialista onde direita e esquerda são facções governamentais veementemente estatistas – completamente avessas ao capitalismo e a liberdade econômica – com fetiches políticos populistas, que vislumbram o estado no controle de tudo. E quem pensa diferente de qualquer um destes grupos inflexíveis e autoritários é deliberadamente hostilizado como um mortífero e implacável inimigo da pátria.

Artigo originalmente publicado no jornal A Folha do Sudoeste, periódico bissemanal de Palmas, Paraná, edição de 02 a 05 de fevereiro. 

Compartilhe esse texto:

Sobre Mim

Sobre Mim

O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.