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O Brasil é um país capitalista ou um país socialista?

O Brasil é um país capitalista ou um país socialista?
Um dos grandes equívocos à respeito do Brasil está sobre o fato de ser visto por muitas pessoas — especialmente por aquelas que não entendem de economia — como um país capitalista. Quando na verdade, não é esse o caso, e nunca foi. Em toda a essência de sua matriz econômica, o Brasil é e sempre foi um país completamente socialista.

Em primeiro lugar, para uma compreensão geral da situação, é fundamental entender que, no Brasil, o nível de intervenção estatal na economia ocorre em um grau máximo, que asfixia completamente toda e qualquer possibilidade de desenvolvimento. Não existe liberdade econômica no Brasil. Portanto, se não existe liberdade econômica, não há capitalismo. O Brasil é um país dominado por cartéis mercantis corporativistas — muitos deles subsidiados por verbas do BNDES, um banco estatal — além de ser completamente saturado de monopólios, oligopólios e reservas de mercado, com um agravante fator adicional: 150 empresas estatais, que não admitem concorrência em suas áreas de atuação.
 
Desta maneira, fica compulsoriamente estabelecido que não podem ser oferecidas alternativas ao consumidor, em uma flagrante ojeriza às salutares e competitivas leis de mercado. Como se isso fosse pouco, o estado — por ser, naturalmente, uma burocracia socialista — é completamente hostil ao empreendedorismo. Para se registrar uma empresa no Brasil, o processo é caro, longo e terrivelmente excruciante.
 
O indivíduo ficará empenhado em cartórios, repartições públicas e martírios contábeis, e gastará boa reserva do seu capital nesse processo, sem levar em consideração o enorme desperdício de tempo, no qual ele poderia estar sendo verdadeiramente produtivo. Por outro lado, em países verdadeiramente capitalistas — dos quais Chile e Nova Zelândia podem ser citados como excelentes exemplos — todo o processo, além de ser completamente gratuito, é extremamente simplificado, e pode ser executado em um dia ou apenas em algumas horas. Até mesmo nas socialdemocracias escandinavas, como Dinamarca, que se qualificam como estados de bem-estar social, que, se por um lado, possuem uma elevada carga de assistencialismo, por outra, usufruem dos benefícios de uma economia liberal, o registro de uma empresa pode ficar pronto em seis dias.
 
A economia brasileira, no entanto, está tão soterrada por um exacerbado grau de estatismo, que é completamente improfícuo e irrealista esperar que o capitalismo consiga florescer por aqui.O intervencionismo estatal — além de prejudicar a economia, e favorecer os mandatários de cartéis monopolísticos — é intrinsicamente cruel e imoral. Como as grandes corporações compram burocratas nos mais elevados escalões governamentais, seu favoritismo se consolida no estabelecimento de agências reguladoras, que garantem a primazia no mercado da empresa favorecida, e dificulta a entrada de empresas concorrentes. É sobre alicerces estatais regulatórios e intervencionistas — que asfixiam brutalmente a livre iniciativa — que todo o diagrama da economia brasileira foi peremptoriamente esquadrinhado. Apenas grandes empresas são favorecidas. Em decorrência disso, pequenas e médias empresas são ostensivamente esmagadas por uma tributação tão sórdida quanto excruciante, que, proporcional ao seu faturamento, são cobradas a um nível muito aquém do que poderiam pagar.

O estado não existe para melhorar o nível ou a qualidade de vida da população, mas infelizmente, não poucas pessoas no Brasil acreditam nessa fantasia. Tendo asfixiado toda e qualquer possibilidade de desenvolvimento do capitalismo no Brasil, não é sem razão ou motivo que o estado tenta sempre, desesperadamente, dar vazão ao seu frenesi totalitário, buscando expandir o seu ensandecido e irrefreável desejo por poder e controle, em todas as oportunidades. Especialmente se levarmos em consideração o fato de que o capitalismo fornece ao indivíduo um grau de independência e autonomia, que será sempre um anátema para a voracidade intervencionista e autoritária do estado.
 
Artigo originalmente publicado na revista Atualidades, de Santa Rosa (RS), edição nº 98, de setembro de 2018.

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.