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O Brasil não é um país capitalista

O Brasil não é um país capitalista

Um dos erros mais comuns que as pessoas cometem por não estudarem economia vem do fato de julgarem o Brasil um país capitalista, quando na verdade este não é e nunca foi o caso. O Brasil é um país socialista. Sua matriz econômica é centralizada e estatista. O Brasil nunca foi uma economia de mercado. Estamos no 153º lugar no índice de liberdade econômica da Heritage Foundation. O Brasil é um país saturado de monopólios, oligopólios, agências reguladoras e reservas de mercado estabelecidas artificialmente. Dado que o intervencionismo estatal na economia ocorre em um grau máximo, podemos dizer seguramente que não existe nenhum resquício de liberdade econômica. Existe capitalismo no Brasil, sim, mas um capitalismo clientelista, dirigido por burocratas governamentais, por subsídios via BNDES. Não é um capitalismo orgânico e salutar, como o esperado em uma economia de mercado, onde a liberdade é o principal componente, a força motriz do sistema econômico. De um sistema Lasseiz-faire – mais próximo ao ordenamento natural – estamos mais distantes do que a Terra em relação ao Sol. E tal afirmação não é exagero algum, especialmente depois que analisamos a anatomia da economia brasileira com profundidade.

Em primeiro lugar, não existe burocracia no capitalismo. Quando você abre uma empresa em países capitalistas como Chile e Nova Zelândia, a empresa é registrada e legalizada em menos de um dia, sem custo nenhum. No Brasil, por outro lado – por ser, de fato, uma burocracia socialista – o empreendedor será, de imediato, saturado por um grande número de exigências, que o deixarão soterrado debaixo dos insidiosos e imorais escombros de um letárgico, depravado e asfixiante sistema estelionatário, criado deliberadamente para paralisar a produtividade do indivíduo. O processo para a abertura de uma empresa pode ser longo, lento e excruciante, e o indivíduo será obrigado a perder muito tempo em repartições públicas, escritórios de contabilidade e cartórios, e terá que gastar muito dinheiro, mesmo sem ter iniciado as atividades. O indivíduo é obrigado a custear valores exorbitantes, cobrados injustamente pela extorsiva máquina estatal, sem que tenha começado a obter lucro ou faturamento. O estado tenta deliberadamente destruir empresas e negócios, antes mesmo de começarem. Mas é assim que as coisas funcionam no socialismo. O estado coloca inúmeros obstáculos na vida de quem quer trabalhar e viver honestamente. Ao passo que facilita para os inescrupulosos o estabelecimento de cartéis e monopólios, e inunda com toda a sorte de favoritismos os amigos do rei, como foi o caso com Marcelo Odebrecht, Eike Batista, e os irmãos Wesley e Joesley Batista, da JBS.

A verdade é que – especialmente em um sistema que é deliberadamente socialista, embora, para que haja socialismo, basta que exista o estado – o estado não hesitará nem sequer por um segundo em manifestar todo o seu incomensurável e incongruente ódio letal pelo indivíduo, e tentará oprimi-lo, controlá-lo e subjugá-lo de todas as formas e maneiras possíveis, e a burocracia é muito eficiente nessa questão. Como grandes oligarquias infiltradas dentro da política controlam a economia, todo o diagrama econômico é deliberadamente arregimentado para servir a elas e atender aos seus interesses particulares, de maneira que seus integrantes ficam ostensivamente ricos. Não é sem motivo, por exemplo, que existem tantas empresas estatais no Brasil, e elas não admitem o estabelecimento de nenhuma concorrência oriunda do setor privado. Por isso, compram tantos indivíduos dentro da política, para que estes lutem pelos interesses dos potentados, das oligarquias monolíticas e das corporações elitistas que controlam todo o sistema econômico brasileiro. Por isso, a classe política fica cada dia mais rica,  enquanto a população fica cada vez mais pobre. O grande problema do brasileiro é não compreender todos os interesses escusos que correm por dentro do sistema político. Em função disso, muitos ingenuamente acreditam que a política fornece solução para problemas, quando, na verdade, é exatamente o contrário: a política é a causa de todos os problemas.    

Para o Brasil se tornar um país verdadeiramente capitalista, todo esse sistema deveria ser completamente desmantelado, e reformas econômicas liberalizantes deveriam ser instituídas. Todas as restrições e barreiras econômicas que existem deveriam ser destroçadas. Tarifas alfandegárias, protecionismo, taxas, imposições comerciais, tudo isso deveria ser compulsoriamente eliminado.  

No entanto, não devemos pensar que este sistema cairá. Ele é muito mais forte do que pensamos, e está profundamente arraigado ao establishment político. Todos os dias, centenas – na verdade milhares – de indivíduos lutam arduamente pela manutenção deste sistema sórdido, totalitário e centralizado, que existe com a finalidade única de sustentar um parasitário organograma escravagista, e conferir uma fachada de democracia a uma demagogia governamental corporativista, criminosa e oligárquica, preocupada unicamente em perpetuar sua existência e expandir o seu poder. Um sistema onde você deve apenas pagar os seus impostos, ficar calado e restringir-se ao seu papel de cordeirinho estatal, completamente submisso à quadrilha de burocratas que obedece aos verdadeiros mandatários, os criminosos ocultos do Deep State, que constituem o verdadeiro poder por trás do poder.  

Artigo originalmente publicado no jornal A Folha do Sudoeste, periódico bissemanal de Palmas, Paraná, edição de 25 a 28 de agosto de 2018. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.