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Os assassinatos de Marielle Franco e Cláudio Henrique Pinto

Os assassinatos de Marielle Franco e Cláudio Henrique Pinto

Na noite da última quarta-feira, 14, no Rio de Janeiro, foi assassinada a tiros Marielle Franco, vereadora do PSOL. Ela retornava de um evento na região da Lapa, para jovens mulheres negras. Durante o ataque, também morreu o motorista do veículo, Anderson Pedro Mathias Gomes. Uma terceira pessoa que também estava no veículo, a assessora de Marielle, sobreviveu ao brutal ataque. De acordo com testemunhas, um  veículo emparelhou ao lado do carro onde estava Marielle, e seus ocupantes abriram fogo. 

Evidentemente, uma terrível e deplorável atrocidade. Ninguém merece ser vítima de algo tão brutal, covarde e violento. Não obstante, é necessário enfatizar que isto ocorre com alarmante frequência no Rio de Janeiro. Crimes dessa natureza não são uma novidade para os cariocas, que convivem com o horror da violência diariamente. No entanto, esta tragédia em particular, em decorrência da notoriedade de uma de suas vítimas, gerou extrema repercussão na imprensa nacional, e, em consequência disso, ganhou as manchetes da mídia estrangeira. O que não ocorre com a grande maioria das vítimas de homicídio no Rio de Janeiro (ou no Brasil). Mais uma vez, vemos o fênomeno da indignação seletiva manifestar-se com intensidade na sociedade brasileira e nos veículos de comunicação. 

É completamente desnecessário enfatizar quão politizado foi – e continua sendo – a tragédia em questão. Sem demonstrar absolutamente nenhum respeito ou consideração por Marielle, a esquerda nacional, em especial o PSOL, não hesitou em aproveitar a oportunidade desta terrível atrocidade para reaizar um sórdido e deplorável ativismo político, usufruindo do destaque oferecido pelos holofotes da mídia. Não são imbecis, nem ingênuos. Sabem que um acontecimento desta natureza, envolvendo um dos seus, se destacará de forma colossal na imprensa. 

A esquerda foi rápida. Não perdeu a oportunidade para politizar o fato. Rapidamente, nas redes sociais, militantes como Gregório Duvivier afirmavam categoricamente que ela foi assassinada "por ser negra, por ser mulher e por ser guerreira". Também realizaram um evento, intitulado Marcha contra o genócidio negro. Mesmo sem ter a menor noção ou evidência dos motivos que levaram Marielle a ser assassinada, a esquerda "descobriu", ou entrou em uma espécie de "consenso", de que a motivação do crime foi política. Até mesmo o EL PAÍS publicou um artigo hoje, onde, no título sensacionalista da matéria, o autor afirma que Marielle foi vítima de um assassinato político. Mas é necessário ressaltar que, até o momento, ninguém sabe quais foram as razões que motivaram o crime.  

Marielle, como integrante do PSOL, especialmente durante sua atuação como uma figura pública, defendia bandeiras de esquerda. Era leniente com criminosos e contraventores, e responsabilizava as polícias civil e militar pela violência no Rio de Janeiro. Nas redes sociais, inúmeros internautas culparam a polícia, até mesmo os militares, pelo crime.

Mas permita-me retornar à questão da indignação seletiva. Duas horas antes de Marielle ser assassinada, um empresário, Claudio Henrique Pinto, foi morto na frente do seu filho de cinco anos de idade, na Zona Norte do Rio. O empresário foi abordado por assaltantes, que dirigiam um veículo que estava na frente do seu carro. Policiais militares que estavam no local entraram em confronto com os assaltantes, e um dos criminosos acabou desferindo tiros contra o empresário, que morreu no local. 

Esta notícia, no entanto, não comoveu a imprensa tanto quanto a morte de Marielle, por razões óbvias. Cláudio era um homem comum. Sua morte não pode ser politizada, e ninguém tem algo a ganhar com ela. No caso de Marielle, no entanto, transformar a sua morte em um evento é algo que interessa a muitas pessoas, especialmente ao partido ao qual ela pertencia, e que poderá se promover de forma arguciosa, com o assassinato de sua integrante.

A política é um pérfido e dissimulado jogo de interesses, que devora os vivos, e recicla os cadáveres. O assassinato de Marielle Franco pode conquistar inúmeras vantagens políticas para aqueles que estão dispostos a aproveitar a situação. Aqueles que estão verdadeiramente indignados deveriam estar pelas razões corretas. Marielle era um ser humano, assim como Cláudio Henrique também era um ser humano. Sempre que um ser humano tem sua vida ceifada de forma tão cruel, hedionda e brutal, deveríamos exigir justiça porque são seres humanos. Esse é o maior de todos os motivos, sendo motivo suficiente para nos deixar consternados e contristados. Quarta-feira à noite, no Rio de Janeiro, duas pessoas, com inúmeros propósitos e objetivos, foram injusta e violentamente privados de suas preciosas vidas. Duas famílias estão de luto por culpa da violência. E isso, sem levarmos em consideração que outras pessoas também foram assassinadas no Rio de Janeiro, na noite de quarta-feira, mas ninguém se incomodou em divulgá-las. A mídia e a política, no entanto, enxergam estas situações de forma muito diferente. Enquanto Marielle pode ser convertida em mártir das causas que defendia – por tudo o que representava para a esquerda carioca, e por toda a publicidade que o seu partido está promovendo, aproveitando-se da tragédia –, Cláudio, na melhor das hipóteses, será apenas uma estatística. Até mesmo a Anistia Internacional manifestou-se com relação ao assassinato de Marielle Franco. Qual dos crimes você acha que tem maior possibilidade de ser investigado e solucionado? 

Esse é o Brasil da igualdade que tanto defendem. Só que uns são mais iguais que os outros. 

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Sobre Mim

Sobre Mim

O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.