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O Apanhador em Campos de Centeio - Por uma de suas vítimas

O Apanhador em Campos de Centeio - Por uma de suas vítimas

O melhor presente que já recebi não foi o mais caro, nem o que usei por mais tempo, mas foi sem dúvidas o que mais me influenciou. Aos dezesseis anos, ganhei de aniversário, um livro de J.D Salinger, a versão original em inglês de The Catcher In The Rye. Não duvido da boa intenção de quem me deu, que provavelmente confiou no meu bom juízo para ler aquilo. Hoje, se eu pudesse supor o que pensaria a pessoa que me presenteou, caso ela ainda contasse entre o número dos vivos, eu tenho certeza de que ela teria certeza de que aquilo foi uma péssima ideia. Eu discordo deste ponto de vista supositivo. O livro não alterou minha personalidade, apenas serviu como o fire starter que trouxe à tona minha personalidade e toda a "badassery" que veio junto com ela. Minha personalidade era algo que já existia, e não seriam livros, musica, sistema solar ou o escambau que a pudesse moldar, apenas podiam trazer à tona. Também não sei até que ponto posso culpar um livro por ter despertado uma personalidade que me levaria a fazer tanta besteira, como me afastar do colégio para me aventurar viajando sozinho e usando todas as drogas que apareciam pela frente.

Não cheguei a ter uma crise de identidade, nunca me identifiquei com o personagem, na verdade, comparado comigo Holden Caulfield era um banana. Um banana gente boa e inteligente, concordo, mas, ainda sim, um banana. The Catcher In The Rye foi (ou é) leitura obrigatória para os jovens nos Estados Unidos. Apesar de eu não ser capaz de fazer uma analise profunda sobre suas possíveis consequências entre os baby boomers eu sei que toda a contra cultura dos anos 60 e a porra-louquice nos anos 70 e 80 não foram obras do mero acaso. E sei que no Brasil, caso fosse difundido entre os jovens, de hoje, talvez, não resultaria em nada melhor do que a completa aniquilação de suas mentes, mas creio que em muitos casos, poderia incentivar os jovens a sair em busca de suas próprias vidas enfrentando a realidade como homens. Minha geração e as que a antecederam foram muito mais autônomas e até certo ponto livres. Não posso tentar supor o que tornou as gerações seguintes tão diferentes, e para falar a verdade nem me interessa. Talvez eles possam dar certo, diferente do que muitos pensam, apenas a minoria deles caiu nas ideias disruptivas revolucionárias da esquerda, sendo a maioria extremamente conservadora, coisa que eu só fui ser depois de velho. O titulo do livro em português, caso tenha despertado curiosidade, é O Apanhador em Campos de Centeio, e narra uma pequena parte da vida e a rebeldia adolescente do jovem Holden Caulfield.

Apesar de ter sido escrito em 1951, é um livro atemporal e sempre será atual para os leitores. A titulo de curiosidade: O livro e seu personagem foram, talvez, não uma inspiração, mas um fator de instabilidade, que levou Mark David Chapman a assassinar o Beatle john lennon em Nova Iorque no dia 8 de dezembro de 1980. Chapman usava um chapéu de caçador assim como o do personagem do livro, além de ter se hospedado no mesmo hotel narrado no livro. Segundo Chapman, John era um hipócrita (o que eu concordo apesar de ser fã) que pregava a paz mundial, simplicidade, e a distribuição de riquezas enquanto possuía, e vivia, em imóveis caríssimos e cercado de luxo na cidade de Nova Iorque. Obviamente não podemos culpar o livro por ter feito com que um louco assassinasse alguém. Caso isso fosse minimamente possível, todos aquele milhões de loucos chapados de LSD, também influenciados pelo livro, na década de 60 teriam, certamente, causado o maior genocídio já registrado, o que não foi o caso. Não sei até que ponto, nos dias de hoje, sua leitura seja algo tão fascinante como foi no passado, e para falar a verdade nem sei se valeria a pena, tendo em vista que adultos não são tão influenciáveis.

É um livro interessante do ponto de vista literário, com uma narrativa que nos pega desde as primeiras linhas. Caso decidam ler não esperem nada que os faça sentir o que eu ou milhões sentiram, é um tipo de coisa que só tem o poder de influenciar em um momento especifico da vida, e como diz a própria crítica: "É um livro de adultos que só pode ser compreendido por adolescentes".

Texto de Sga Brewer, Alt-Right Brasil

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.