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Não existe apenas ditadura e democracia

Não existe apenas ditadura e democracia

Um dos maiores equívocos cometidos hoje pela imprensa nacional está em passar a falsa impressão para o público de que existem apenas duas formas de governo, ditadura e democracia. Explorando sempre um possível retorno do regime militar ao poder em associação ao governo Bolsonaro — outro equívoco grotesco e fora da realidade, visto que com a continuidade do PT no poder, estávamos muito mais próximos de nos tornarmos uma ditadura socialista —, a mídia tupiniquim não raro contrasta em seus paupérrimos e genéricos editoriais estas duas formas de governo, ditadura e democracia, como se fossem as únicas a existir.

Frequentemente, a imprensa tupiniquim — em uma tentativa de mostrar que a democracia é a "melhor" das formas de governo — venera e idolatra a democracia, descrevendo-a sempre como se fosse a mais formidável de todas as criações, quando isso está longe de representar a realidade. Democracia não possui relação nenhuma com liberdade, direitos naturais, direitos individuais e direitos de propriedade. A democracia, especialmente se levarmos em consideração seus princípios constitucionalistas e positivistas, está muito mais para a ditadura do que para a ordem natural (o que dirá para liberdades individuais). É quase impossível, por exemplo, que exista liberdade econômica em um regime democrático, visto que o seu organograma será pautado quase que exclusivamente por um sistema de troca de favores e interesses corporativos. Daí que em uma democracia, especialmente em uma democracia como a nossa, o sistema econômico será pulverizado por monopólios, oligopólios, agências reguladoras e reservas de mercado, dilacerando de vez a possibilidade de um ambiente de empreendedorismo salutar e livre mercado.

A verdade é que a democracia só parece boa quando comparada com uma forma de governo pior, como a ditadura; analisando de forma mais pragmática, no entanto, qualquer coisa por comparação fica boa, quando comparada com uma ditadura. Não raro políticos aparecem na mídia idolatrando, venerando, louvando a democracia, como se isso desse a eles um atestado de virtuosidade ou benevolência. O que eles não contam a você é o que a democracia é de fato, como ela beneficia de forma muito particular e especial a classe política, e como ela prejudica você, o cidadão comum, retirando recursos de sua mão compulsoriamente, sem que você perceba, já que a maioria dos impostos e tributos que pagamos são indiretos.

Em uma democracia representativa, o poder do cidadão comum é compulsoriamente sequestrado e transferido para burocratas. Por essa razão, ela é muito boa para o sistema político, porque ao passar a impressão de que a população está no comando, os indivíduos que estão no poder tem uma espécie de carta branca para fazer tudo aquilo que desejarem. Ao capturar uma vasta quantidade de recursos de forma discricionária da população através de impostos, a classe política terá um expressivo e abundante manancial de recursos à sua disposição, e frequentemente usarão esses recursos de acordo com suas necessidades políticas, para angariar poder, votos, comprar aliados e estimular ainda mais o sistema de troca de favores. A vasta quantidade de recursos disponíveis também estimulará a corrupção, e não raro os burocratas ficam excepcionalmente ricos explorando em benefício próprio todos os recursos financeiros que eles concentram em suas mãos. Em decorrência do enorme poder que usufrem, eles também votarão com muita frequência em projetos que os beneficiam, transferindo a você a conta a ser paga.

O fundão eleitoral e os constantes aumentos de salários que os políticos concedem a si próprios — para não falar nos aumentos dos benefícios e dos privilégios — são alguns exemplos disso; não obstante, são exemplos básicos, pois o sistema é muito mais complexo, e os beneficia de formas e maneiras que você nem poderia imaginar. Você, o cidadão comum, nessa equação é aquele que sempre sai prejudicado. Você existe só para pagar as contas. E não se preocupe, de um jeito ou de outro eles farão você pagar a conta, querendo ou não. Uma forma que eles tem de fazer isso é através do chamado imposto oculto, a inflação, que é uma forma de financiarmos o estado e a máquina burocrática sem percebermos.

A democracia beneficia antes, e acima de tudo, a classe política. Não é sem motivo ou razão que a classe dirigente fala tão bem desse sistema; afinal, atende de forma magistral e plena a todos os seus interesses, com enorme concentração de poder e vastos recursos alocados de acordo com suas necessidades financeiras e políticas. A verdade é que nem a ditadura, nem a democracia — que também possui caráter compulsório, sendo portanto imoral — jamais poderão saciar quaisquer reais aspirações humanas de progresso e desenvolvimento, tanto em sentido espiritual quanto material. Está na hora de pensar em secessão, descentralização, localismo, comunidades autônomas, microrregiões independentes. A democracia é simplesmente um sórdido e nefasto sistema, que mantém toda a população em uma determinada área geográfica refém da classe política, que em maior ou menor grau, sempre terá um caráter parasitário, vertical, positivista e discricionário. A luta da humanidade por progresso e desenvolvimento passa, necessariamente, pelo reconhecimento de que a democracia se tornou um sistema arcaico, indulgente e obsoleto.

Artigo originalmente publicado no jornal A Folha do Sudoeste, periódico bissemanal de Palmas, Paraná, edição de 22 a 27 de fevereiro de 2020. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.