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O Laos é uma ditadura comunista?

O Laos é uma ditadura comunista?

O Laos é um pequeno país do sudeste asiático, com uma população relativamente inferior a sete milhões de habitantes. Uma república socialista de partido único – altamente dependente dos países vizinhos –, China e Vietnã exercem grande influência sobre questões domésticas, nos âmbitos político, econômico e militar. O Partido Revolucionário Popular do Laos governa a nação desde 1975, quando tomou o poder.   

Em 1975, depois de uma árdua e atribulada guerra civil que matou dezenas de milhares de laosianos, o grupo comunista conhecido como Pathet Lao tomou o poder com a ajuda de milícias vietnamitas, depondo o monarca Savang Vatthana, que governava o país desde 1959, e que posteriormente morreria na prisão. Sua morte, decorrente de causas desconhecidas – possivelmente malária – é um mistério até hoje. Diferentes relatos apontam discrepâncias com relação ao ano exato de seu falecimento; 1978, 1980 e 1984 são os períodos nomalmente apontados como os mais prováveis. Depois que os comunistas tomaram o poder, logo em seguida o país foi reinaugurado como a República Popular Democrática Laociana. 

Justamente por ser um país comunista fechado para o mundo exterior, pouco se sabe à respeito do Laos. Inclusive, tomamos como errônea a impressão de que a Coréia do Norte é o país mais fechado do mundo, quando na verdade o Laos deveria ficar com este título. No entanto, por chamar pouca atenção no cenário internacional, este diminuto país tornou-se invisível para a comunidade global, com exceção dos chineses, que sabem aproveitar muito bem os seus escassos recursos naturais. Em função de deterioração econômica – algo inerente ao sistema comunista –, diversos investidores da China continental viram oportunidades fantásticas para montar negócios lucrativos no país, e, aos poucos, assim como a China e o Vietnã, igualmente ditaduras comunistas, o Laos foi abrindo a economia, permitindo que o capitalismo proliferasse, ao menos até certo ponto. Hoje, diversas partes do Laos são informalmente governadas pela China, que atualmente tem estendido os tentáculos de sua influência política pelos quatro cantos do mundo, tanto direta quanto indiretamente. Burocratas e empresários chineses veem no Laos excelentes oportunidades para expandir seus negócios, sejam eles de natureza política ou econômica. Tanto nos setores privado quanto na esfera governamental, o Laos, gradualmente vem se tornando mais uma propriedade chinesa.     

Os pilares de manutenção do estado são o partido, o governo e as forças armadas. Com um exército relativamente precário, que possui um contingente de aproximadamente cento e trinta mil soldados, com vinte e cinco tanques de guerra à sua disposição, a aliança com o Vietnã é vista como crucial para a segurança e a manutenção do status quo vigente no país. Sem o governo do Vietnã, o governo do Laos é incapaz de sobreviver ou sustentar-se por muito tempo.

Como todo o estado comunista, o que não falta na história do Laos, desde que o Partido Revolucionário Popular do Laos assumiu o poder, são genocídios, abuso de poder e campanhas de extermínio, especialmente contra minorias, e, mais especificamente, contra o grupo étnico Hmong. Grupos religiosos, acima de tudo cristãos, também são vítimas de perseguição, intimidação, tortura e detenção arbitrária. Dignidade e direitos humanos de fato, como em todo país comunista, são inexistentes no Laos. Mas em função do país ser tão fechado para o mundo exterior, pouco se sabe das atrocidades perpetratadas pelo estado contra a população.      

Como todo o país comunista, o Laos também ostenta uma arbitrária fachada democrática. Bounnhang Vorachith é o secretário geral do partido e presidente do Laos desde 2016. Os burocratas socialistas defendem suas agendas políticas permissivas e centralizadoras, e, embora, tente se dar ao aparato estatal uma aparência de legítima independência entre os diferentes poderes constituintes, na verdade tudo é controlado direta ou indiretamente pelo partido. Exatamente como em qualquer ditadura comunista. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.