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Insurreição patriótica no estado americano da Virgínia

Insurreição patriótica no estado americano da Virgínia

Acredito que o maior legado da cultura e da sociedade americana para o resto do mundo foi a sua ampla e incondicional valorização da liberdade, agregada a uma completa e total aversão da comunidade por estado, governo, classe política e um sistema baseado no arcaico e imoral diagrama de planejamento central.

A percepção de que estado e governo são nefastas e corrosivas maledicências que invariavelmente prejudicam a ordem natural e a liberdade do indivíduo é provavelmente a virtude mais cara da sociedade americana.

Essa percepção está inerentemente agrilhoada a uma sensibilidade que permite aos cidadãos diferenciar um indivíduo obediente ao governo de um verdadeiro e legítimo patriota americano. Como diz o ditado, o dever de todo patriota é proteger os seus concidadãos das ações nefastas do governo e da classe política.

Os americanos entenderam como pouquíssimas civilizações ao redor do mundo que todo estado será, necessariamente, uma forma contumaz e implacável de tirania. E que modelos organizacionais estabelecidos de forma compulsória não passam de tirania disfarçada. O renomado escritor americano Henry Louis Mencken afirmava — com toda a razão e propriedade — que a democracia representativa é simplesmente uma forma moderna de escravidão, pois é um sistema organizacional onde homens inferiores podem dominar os seus superiores.

No estado americano da Virgínia, a conflagração civil que está em andamento é uma resposta a tirania dos democratas que assumiram a Assembleia Geral em sua totalidade.

Com a Assembleia Geral tendo sido completamente dominada pelos democratas pela primeira vez em vinte e cinco anos (ou seja, tanto a Câmara de Delegados quanto o Senado tornaram-se alcovas políticas radicalmente progressistas), uma crise muito séria foi deflagrada no estado da Virgínia, pelo fato de seus integrantes estarem tentando — de forma hostil e arbitrária — aprovar uma legislação draconiana que tem por objetivo legitimar e institucionalizar o desarmamento compulsório de toda a população.

Por isso, a recente formação de milícias armadas no estado da Virgínia — que com toda a razão se opõe a uma drástica, irracional e perversa resolução discricionária — merece apoio, respeito e admiração. Essas milícias são formadas por cidadãos comuns, preocupados com a expansão, o alargamento e a imposição discricionária de um estado onipotente e autoritário, que se mostra cada vez mais tirânico e absolutamente contrário a todos os princípios americanos. Diversos condados se tornaram "santuários da segunda emenda", e um condado em particular, Tazewell, foi mais além e passou uma resolução de milícia.

Um dos principais objetivos deste tipo de recurso — totalmente legal e salutar — é proteger a população local de legislação tirânica que venha tanto do governo federal quanto do governo estadual.

Estas resoluções são absolutamente necessárias não apenas porque protegem e defendem as liberdades individuais, mas também porque garantem a população o direito de se resguardar do totalitarismo de estado, na eventualidade de um governo ditatorial instalar-se no poder (o que não deixa de ser o caso aqui, já que os democratas da Assembléia Geral estão claramente violando a constituição, e o mais importante, os direitos naturais dos americanos).

É necessário enfatizar que esta resistência só foi possível porque os cidadãos estavam atentos à legislação autoritária e criminosa que estava sendo discretamente votada na Assembleia.

Os indivíduos que fazem parte deste nobre e necessário movimento de resistência são os verdadeiros patriotas americanos. Como Ron Paul afirmou, “a América nasceu do protesto, da revolução e da desconfiança do[s americanos com relação ao] governo. Sociedades subservientes não mantêm nem merecem liberdade por muito tempo.”

A noção de milícias populares armadas — constituídas unicamente por civis — faz parte da cultura americana. Os "minutemen", por exemplo, eram milícias de colonos do século 18, que estiveram entre os primeiros combatentes a lutar na Guerra Civil Americana. Eles tinham esse nome, minutemen (Homens-minuto) justamente porque ficavam prontos para a batalha em questão de um minuto. No princípio da história americana, diversos membros da sociedade civil inclusive eram absolutamente contrários a ideia de um exército permanente, pois tinham noção de que uma força militar poderosa, subserviente a um governo onipotente, poderia resultar na imposição arbitrária de uma brutal ditadura sobre toda a população.

A noção de liberdade está profundamente arraigada a cultura americana, e poucos povos partilham da mesma valorização desta virtude (outro exemplo a ser citado seriam os suíços). Ser americano, consiste, antes de tudo, em lutar contra a tirania do estado e do governo, e resguardar as liberdades civis, se necessário, na ponta do fuzil. É verdade que com o passar das décadas, essa resistência contra a tirania e a valorização da liberdade foram gradualmente se perdendo, conforme a maior parte da população foi sendo sumariamente domesticada e doutrinada pelo estado. Hoje, o amor pela liberdade e a luta contra o totalitarismo de estado na sociedade americana continua forte — muito mais do que em muitas nações do mundo —, mas não é exagero nenhum afirmar que não é mais tão consistente e vigoroso como costumava ser.

Hoje, os Estados Unidos não é nem sequer uma modesta sombra da grande nação que já foi um dia, pois foi radicalmente reduzida a um prostíbulo continental de oligarquias bancárias e plutocracias corporativas que se digladiam ferozmente por poder e controle. Um nefasto e hostil campo de batalha, onde democratas e republicanos lutam com mordacidade por poder absoluto. Felizmente, existem alguns milhares de americanos despertos, que estão dispostos a pegar em armas para lutar por causas nobres e virtuosas, como a manutenção da liberdade e do bem-comum, contra a tirania política e o totalitarismo de estado. É a vitória destes que anseio ardorosamente.

Artigo publicado no jornal A Folha do Sudoeste, periódico bissemanal de Palmas, Paraná, edição de 18 a 21 de janeiro de 2020. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.