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Getúlio Vargas – A raiz dos problemas do Brasil

Getúlio Vargas – A raiz dos problemas do Brasil

A retrógrada mentalidade estatista, centralizadora e nacionalista que explica o nosso atraso

Apesar de ser idolatrado e venerado como um ícone por inúmeras seitas políticas, Getúlio Dornelles Vargas, ditador do Brasil de 1930 a 1945, e presidente de 1951 até o seu suicídio, em 1954, foi o indivíduo que deixou o país profundamente agrilhoado a uma escravagista mentalidade nacionalista e estatizante, que impediu o Brasil de se desenvolver e conquistar prosperidade e progresso. Os deploráveis efeitos desta mentalidade perniciosa, inflexível e sorrateira degastam o país até os dias de hoje.

Um nacionalista fervoroso, durante o ápice de sua ditadura no período do estado novo, Vargas, com profundo temor de movimentos separatistas, buscou sufocar com veemência culturas locais, regionalismos e nacionalismos periféricos. Proibiu os brasileiros de falarem qualquer idioma além do português – o que constituiu um grave problema para imigrantes de diversas nacionalidades, como alemães, italianos e japoneses – e as bandeiras de todos os estados foram incineradas. Apenas a bandeira do Brasil podia ser hasteada.

Em questões políticas e econômicas, além do seu exacerbado nacionalismo, Vargas era profundamente centralizador e estatista. Sem reconhecer princípios fundamentais para o desenvolvimento de uma sociedade, como autonomia, independência e descentralização – o que é inevitável para um ditador – Vargas criou os alicerces elementares da política brasileira, que incorporaria de forma ostensiva e arraigada todas estas características do seu governo. Daí para frente, todos os governos que existiriam no Brasil seriam nacionalistas, estatistas e centralizadores, o que contribuiria para prejudicar de forma indelével e excruciante todas as possibilidades de desenvolvimento do Brasil.

Getúlio Vargas foi o responsável por difundir o maléfico hábito de criar empresas estatais. Para começo de conversa, o estado não deveria ter empresas. O estado deveria oferecer segurança, cuidar da população. Ao tutelar a sociedade em questões econômicas, o estado cria dependência e não progresso. Foi Getúlio Vargas que criou estatais como a Petrobrás e a Eletrobrás. Daí para a frente, esse hábito nunca mais pararia. Os governos militares criaram 47 empresas estatais. Os governos petistas criaram 43. Hoje, o país tem 150 empresas estatais, que custam cifras consideráveis aos cofres públicos.  

Políticos estão sempre inventando desculpas para justificar suas mentiras; afirmam que as empresas estatais são “estratégicas”, mas deliberadamente recusam-se a dar qualquer esclarecimento à população. Na verdade, as estatais são estratégicas apenas para eles, que enriquecem em virtude delas. Os demagogos populistas estufam o peito para dizer que “a Petrobrás é do povo”, mas – tenha certeza absoluta, caro leitor, que – nem você nem eu algum dia vamos receber um contracheque da Petrobrás. 

A desculpa de que eles estão protegendo e diligentemente zelando pelas riquezas nacionais é velha, mas infelizmente, ainda existem pessoas ingênuas o suficiente para acreditar nesta falaciosa prerrogativa. Empresas estatais servem para consolidar monopólios, e permitem que todo o diagrama econômico da nação sirva à classe política. Assim, todas as riquezas da nação ficam concentradas nas mãos de uma abastada oligarquia, uma elite política que tem o completo e total controle sobre as principais fontes de prosperidade do território nacional.

Com uma grande concentração de monopólios, o governo apenas enriquece, e não tem que se preocupar com a concorrência. A consequência natural disso é que a população empobrece sistematicamente, enquanto os criminosos que controlam a máquina pública enriquecem de forma estrondosa.

Como o estado tem o monopólio sobre um monte de serviços, por exemplo, o monopólio da justiça – através de tribunais e delegacias – e o monopólio dos correios, a população sempre terá os piores serviços possíveis. Como o governo não opera num ambiente concorrencial, ele não precisa oferecer serviços de excelente qualidade para continuar operando. Afinal, ele é a única opção disponível. Portanto, mesmo que disponibilize um serviço terrivelmente precário à população, ele continuará tendo clientes. Um excelente exemplo é a estatal de correios e telégrafos, que oferece um serviço de péssima qualidade ao cidadão brasileiro.

O pernicioso hábito de criar empresas estatais asfixiou a economia, e todas e quaisquer possibilidades de desenvolvimento da nação. Como não vivemos em um ambiente de livre mercado – mas de monopólios, oligopólios e reservas de mercado –, o esquadro fascista da anatomia econômica brasileira beneficia apenas os indivíduos que estão no poder, bem como os seus associados. Getúlio Vargas, com sua mentalidade estatista, centralizadora e estatizante, plantou a semente do retrocesso que comprometeu de forma brutal e contundente o progresso do Brasil, e deixou o cidadão brasileiro refém de uma máfia governamental hostil, tirânica e controladora, que não está disposta a abrir mão do arcaico e vil alabastro econômico no qual estamos aprisionados, e que beneficia única e exclusivamente a ela.

Está na hora de acordar, e perceber que o “legado” de Getúlio Vargas é sórdido, iníquo e maligno. O ditador fascista de São Borja jogou a nação em um grande abismo, do qual ela nunca mais foi capaz de sair.   

Artigo originalmente publicado no jornal A Folha do Sudoeste, periódico bissemanal de Palmas, Paraná, edição de 25 a 27 de julho de 2018.

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.