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Fernando Segóvia é dispensado do comando da Polícia Federal

Fernando Segóvia é dispensado do comando da Polícia Federal

Quando Fernando Segovia assumiu o comando da PF, ele se tornou uma peça fundamental para tentar abafar o caso Geddel Vieira Lima, um parasita estatal ligado diretamente ao exorbitante valor de cinquenta e um milhões de reais em espécie, descobertos em um apartamento em Salvador, que aparentemente funcionava como um covil pessoal para a salvaguarda de espólio obtido em operações ilícitas. A nomeação de Segovia para diretor-geral da Polícia Federal, em 8 de novembro do ano passado, incorreu em uma óbvia politização da instituição, que, neste caso específico, tornou-se explícita e muito evidente: o que tentaram fazer, de todas as formas e maneiras possíveis, foi obstruir as investigações, e impedi-las de chegar até o presidente Michel Temer, que está comprovadamente implicado em crimes de séria gravidade, como o da JBS, dos irmãos Wesley e Joesley Batista. Segovia foi uma espécie de escudo do (P)MDB, usado pela organização criminosa para tentar se blindar das investigações. 

A origem do dinheiro encontrado no apartamento em Salvador, ligado diretamente a Geddel Vieira Lima pelas impressões digitais, ainda é incerta, mas de acordo com as investigações auferidas pela Polícia Federal, provavelmente incorre na somatória de diversas propinas que o ex-ministro da Secretaria de Governo teria recebido da Odebrecht, do doleiro Lúcio Bolonha Funaro e do (P)MDB, em decorrência de diversas operações ilíctas, que ainda haverão de ser devidamente averiguadas. As ligações de Vieira Lima com o presidente Temer são muito bem conhecidas; ambos tem vínculos há décadas, e existe por parte da atual gestão política o temor de Vieira Lima revelar tudo o que sabe em uma delação premiada, que invariavelmente implicaria o presidente Michel Temer, e o afundaria em um nocivo e pérfido pântano de corrupção, ainda mais profundo do que aquele em que se encontra. 

Segovia foi afastado por Raul Jungmann, o dissimulado ministro das forças armadas, recém agraciado como o líder supremo do novo ministério da (in)seguraça pública. Segovia, agindo não como um agente da lei, mas como um cachorrinho de burocratas – algo esperado de indivíduos de alabastro moral duvidoso –, afirmou que outra investigação que apontava Michel Temer como suspeito provavelmente seria arquivada. Temer era o alvo de uma investigação da Polícia Federal que envolvia o Grupo Rodrimar, que atua no segmento de comércio exterior, e a uma suposta concessão de benefícios, ainda não inteiramente comprovados, que teriam sido indevidamente disponibilizados à companhia no Porto de Santos.     

Segovia vinha sendo pressionado a algum tempo para deixar o cargo, em função de severos e drásticos equívocos cometidos. Raquel Dodge, procuradora-geral da república, chegou a emitir uma ordem judicial para impedi-lo de comentar à respeito de operações em andamento. O episódio em que divulgou à imprensa esclarecimentos sobre as investigações relacionadas com a Rodrimar e o presidente Temer o colocaram em rota de colisão com o STF. Randolfe Rodrigues, entusiasta de Nicolás Maduro que também espolia o país como senador, fez uma procuração para demovê-lo do cargo.

Segovia foi substuído por Rogério Galloro, secretário de segurança pública, com longa carreira na PF, onde ingressou em 1995. Com toda a certeza, a m**** vai continuar exatamente como está, e nada vai mudar. De uma forma ou de outra, a criminalidade política institucionalizada continuará sendo protegida.    

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.