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Estado e corrupção são indissociáveis

Estado e corrupção são indissociáveis

Por que as pessoas não compreendem qual é a verdadeira natureza do estado?

O sagaz e notório economista francês Claude-Frédéric Bastiat certa vez disse: “o estado é a ficção na qual todo mundo tenta viver às custas de todo mundo”. Esta afirmação não apenas expõe uma dilacerante e mortificante realidade, mas uma verdade fundamental, que mostra de forma simples e crua a cínica natureza do estado. O estado não existe para atender aos interesses da população, mas apenas para passar a falaciosa impressão de que existe para servi-la. Afinal, o estado sempre estará buscando formas de justificar sua irrelevante existência, em uma tentativa de mitigar as arbitrariedades que ele própria cria. Como contrapartida para a elevadíssima carga tributária que cobra da população, o estado se torna um grande monopólio, oferecendo serviços que serão, inadvertidamente, de péssima qualidade, justamente porque não operam em um ambiente concorrencial.    

O estado é a projeção externa de uma fantasia inerente à natureza humana, que pretende buscar a organização máxima da sociedade. Uma fantasia obsessiva compulsiva de teor totalmente socialista, diga-se de passagem. É evidente que não é errado desejar ordem, progresso, desenvolvimento, a prosperidade do indivíduo. Muito pelo contrário, estes objetivos são totalmente corretos, e devemos lutar por eles diariamente. Erramos, no entanto, ao pensar que o estado é o responsável pela realização destes axiomas, e que ele de fato, buscará, genuinamente, atender de forma sincera e salutar a estas reivindicações.

Quando delegamos ao estado – e por conseguinte, à políticos e gestores públicos – a entrega e a consecução destas premissas, normalmente não atentamos para as falhas e deficiências grosseiras da natureza humana, entre as quais estão ganância, egolatria, egocentrismo e insaciável desejo pelo poder. E estas deficiências são o epicentro da política, a deplorável metástase da malignidade que todo político avidamente buscará esconder. Políticos farão absolutamente tudo o que estiver ao seu alcance para se eleger, não irão medir esforços para fazer todo o tipo de promessas ao seu eleitorado, e depois de eleitos, não se importarão em executá-las. Isso ocorrerá por vários motivos complexos, que vão desde suas limitações básicas ao fato de que o ultraburocrático estado brasileiro foi deliberadamente projetado para paralisar por completo toda e qualquer forma de ação.

O que muitas pessoas não compreendem é a verdadeira, pérfida, imoral natureza do estado. O estado possui os seus próprios interesses, e jamais se importará em atender as demandas populares. O estado estará, de forma permanente, a serviço de interesses escusos, pois grande parte dos políticos são serviçais de corporatocracias nacionais e estrangeiras que buscam validar no estado seus objetivos exprobatórios e clientelistas, e estas organizações criminosas sabem muito bem que o estado sempre pode ser comprado com muito dinheiro. Apelar para a ganância e o ego de políticos é uma estratégia comum, que tem funcionado de forma eficaz e sistemática desde o império romano. Indivíduos em posição de poder não responderão a conceitos éticos e morais, e jamais contemplarão barreiras ou obstáculos para a conquista de seus sórdidos objetivos. A tentação de fazer fortuna fácil, sem realmente ter que trabalhar ou ser produtivo, apenas desviando recursos públicos e envolvendo-se em toda a sorte de arbitrariedades pelo poder, sempre falará mais alto. Os interesses, as necessidades e as reinvindicações populares serão sempre apenas um esmaecido pano de fundo.

Achar que indivíduos que possuem amplos poderes e uma vasta gama de recursos à sua disposição sobre questões políticas, administrativas e econômicas serão moderados ou comedidos, ou pior ainda, puros, benignos, sacrossantos anjos altruístas que irradiam benevolência e longanimidade, é uma grande fantasia. Não podemos assimilar ignorância e ingenuidade no que diz respeito à natureza humana. Se pessoas comuns podem ser perigosas, o que dirá seres humanos com amplos poderes. Ao se avaliar políticos, critério e cautela nunca são demais.    

Políticos são criaturas espertas que aproveitam-se da ingenuidade da população ao máximo, para chegar ao poder, e lá chegando, se colocarão a serviço das oligarquias que realmente controlam o aparato estatal, o estado por trás do estado, o verdadeiro poder por trás do poder. Não obstante, sendo criaturas altamente dissimuladas, os políticos sempre farão seu melhor em enganar a população com discursos torpes, nacionalistas, sentimentalistas, vazios e idólatras, apelando ao coração do eleitorado. Política é sempre paixão e emoção, e nunca ponderação e racionalidade. Os políticos adoram manipular os sentimentos das massas, e sabem como usar isso ao seu favor. São vagabundos profissionais de palanque, cujo único objetivo primordial na vida é o poder pelo poder.

Artigo originalmente publicado no jornal A Folha do Sudoeste, periódico bissemanal de Palmas, Paraná, edição de 11 a 13 de julho de 2018. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.