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Erich Honecker — ditador da Alemanha Oriental

Erich Honecker — ditador da Alemanha Oriental

Erich Honecker foi o ditador da República Democrática Alemã — Alemanha Oriental —, na prática um estado satélite da União Soviética, de 1971 até 1989. Nascido em agosto de 1912, Honecker, na juventude, tornou-se um inveterado marxista, e nos anos 1930, um integrante do Partido Comunista da Alemanha, até ser eventualmente encarcerado pelos nazistas, em decorrência de sua militância considerada ilegal e subversiva. Honecker permaneceria preso por basicamente todo o período de duração da Segunda Guerra.   

Quando a guerra terminou, Honecker juntou-se a um grupo de comunistas alemães, que sobreviveram como expatriados na União Soviética durante o regime nazista, e que recentemente haviam regressado, dispostos a retomar a atividade política, aproveitando a liberdade e a ausência de oposição do período do pós-guerra. A partir deste momento, Honecker, de forma persistente, ascenderia nos escalões hierárquicos do Partido da Unidade Socialista da Alemanha

No final dos anos 1940, a Alemanha foi dividida em duas nações pelos aliados: A República Federal da Alemanha — administrada pelos americanos, ingleses e franceses — e a República Democrática Alemã, que ficou sob a tutela dos soviéticos. Assim como nessa mesma época ocorreu entre os aliados a partilha da Península da Coréia, que até 1945, era colônia japonesa — que seria divida então entre República da Coréia, efetivamente um protetorado dos americanos, e República Popular Democrática da Coréia, que ficaria sob a salvaguarda dos soviéticos — estas nações não passavam de estados satélites, cujas formas de governo refletiam a de seus respectivos guardiões políticos.

Eventualmente, Honecker ascendeu nos altos escalões do partido, até tornar-se o segundo em comando, ficando um nível abaixo do dirigente Walter Ulbricht, um dedicado comunista, empenhado em fazer a República Democrática Alemã ficar o mais próxima possível da União Soviética. Apesar do relacionamento de mentor e pupilo, atritos entre Ulbricht e Honecker tornaram-se inevitáveis. Tentativas de Ulbricht em afastar Honecker do poder foram ineficientes. Como os governantes soviéticos efetivamente comandavam o estado satélite alemão, não hesitaram em dar plenos poderes para Honecker, e afastar Ulbricht; até porque este último estava com idade avançada, e morreria em 1973, apenas dois anos depois de Erich Honecker ser promovido à posição de primeiro no comando.   

Depois que se tornou membro do Conselho de Defesa Nacional, Honecker acumulou amplos poderes. Depois dele, os homens mais poderosos do país eram o secretário para questões econômicas, Günter Mittag, e o ministro de segurança do estado, Erich Emil Mielke. Eram estes três homens que tomavam todas as decisões políticas, militares e econômicas na Alemanha comunista. Evidentemente, com a consciente supervisão da União Soviética.    

Apesar do início de seu governo ter sido marcado por relativa liberdade de expressão, e medidades econômicas relativamente efetivas, que à princípio trouxeram alguma melhora na qualidade de vida da população, assim que artistas e intelectuais passaram a criticar o regime, a opressão a dissidentes passou a ser brutal e constante.  

Eventualmente, o notório muro de Berlim teve que ser construído, para evitar que os alemães que viviam no lado comunista fossem embora para o lado onde existia liberdade e prosperidade. Soldados que resguardavam o muro em toda a sua extensão eram autorizados a atirar para matar em qualquer um que fosse visto tentando escapar.   

Na segunda metado dos anos 1980, as reformas liberalizantes de Mikhail Gorbachev — as conhecidas Glasnost e Perestroika — colocaram Honecker em um profundo estado de descontentamento com a União Soviética, deflagrando dramáticas divergências políticas entre os dois países. Outros ditadores da região, como o comunista Nicolae Ceaușescu, da Romênia, recusaram-se igualmente a empreender reformas econômicas liberalizantes em seus países. Marxistas inveterados, todos eles passaram eventualmente a ver Gorbachev como um revisionista.

A recusa sistemática de Honecker em realizar reformas fez a Alemanha Oriental sofrer um severo e pernicioso estrangulamento econômico, que já sacrificava sobremaneira a população, e,  eventualmente, prejudicou-a ainda mais, com escassez de alimentos, produtos e matéria-prima. Essa precariedade, somada a flagrante impossibilidade de emigrar para a Alemanha capitalista — sob a ameaça de execução sumária no momento da fuga —, invariavelmente deflagrou protestos de uma população há muito exasperada e desesperançada, profundamente insatisfeita e descontente com a situação vigente em seu pais.

No final dos anos 1980, a situação piorava drasticamente, sem quaisquer possibilidades de melhora. Alemães passaram a fugir pela Áustria e pela Tchecoslováquia, conforme o declínio da Cortina de Ferro desmantelava fronteiras nos países vizinhos. A fraude nas eleições, entre outros artifícios escusos que Honecker tentou desesperadamente executar para manter-se no poder — além de manifestar delírios de grandeza e uma peremptória recusa em reconhecer que o poder se esvaía de suas mãos como grãos de areia entre os dedos — contribuíram para agravar de forma consistente a já catastrófica instabilidade política e social que assolava o país.   

No desespero, em uma aflitiva tentativa de criar algum nível de estabilidade para salvar a nação, o partido fechou um acordo político para Honecker renunciar o mandato amigavelmente, e estabelecer Egon Krenz em seu lugar, em uma frágil tentativa de pacificar os ânimos. Sem alternativas melhores, Honecker concordou. Não obstante — embora acordado entre ambas as partes — o arranjo governamental não duraria muito tempo. Dois meses depois, o muro de Berlim foi desmantelado, e a República Democrática Alemã seria dissolvida.

Eventualmente, dirigentes da República Federal Alemã deram início a uma investigação contra diversos membros do governo da recém extinta Alemanha Comunista — incluindo Honecker — para apurar escândalos de corrupção, abuso de poder e assassinatos, entre outros crimes cometidos. Honecker, neste período, ficou em prisão domiciliar. 

Eventualmente, os investigadores e promotores reuniram provas e evidências suficientes para indiciar Honecker — juntamente com muitos de seus comparsas —, e fazê-lo enfrentar um severo julgamento, com o objetivo de penalizá-lo por seus crimes. Pouco tempo depois, no entanto, Honecker foi diagnosticado com um tumor maligno, e por esta razão, não pôde ser preso. Não obstante, sabendo que mais cedo ou mais tarde teria que enfrentar a justiça, Honecker conseguiu fugir, com a ajuda das autoridades soviéticas, para Moscou, e lá conseguiu asilo político na embaixada chilena. 

Foi na embaixada chilena que, acompanhado de outros acusados, Honecker foi indiciado por diversos crimes, detalhados em um meticuloso documento de quase oitocentas páginas. Entre os crimes descritos, estavam suas ordens explícitas de matar qualquer alemão que ousasse tentar escapar da República Democrática Alemã para a República Federal da Alemanha. Neste período, a esposa de Honecker foi liberada para viajar para o Chile, onde a filha do casal vivia, por ser casada com um chileno. 

Erich Honecker permaneceria mais alguns meses sob custódia das autoridades. Eventualmente, no entanto, em função de sua idade avançada e de sua grave enfermidade, os processos contra Honecker foram descontinuados, e ele recebeu autorização para juntar-se à sua família no Chile, apesar de inúmeros protestos de civis ultrajados, que ansiavam ver a justiça ser realizada. O presidente do Chile na época, Patricio Aylwin, permitiu a Honecker exilar-se no país. Honecker estava esperançoso de obter a autorização, como uma justa troca de favores, pois concedeu asilo político a diversos militantes e comunistas chilenos, que fugiram do país depois que os militares tomaram o poder, no golpe de estado de 1973, que levou o general Augusto Pinochet ao poder. Tentativas de dar continuidade ao processo contra Honecker em sua ausência foram eventualmente encerradas. 

Ao chegar no Chile, Honecker foi recebido com entusiasmo por políticos socialistas e comunistas. Pouco tempo depois, no entanto, Honecker morreria de câncer no fígado, aos 81 anos de idade, em 29 de maio de 1994. Seu funeral foi organizado pelo Partido Comunista do Chile.   

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.