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Eleições realmente mudam alguma coisa?

Eleições realmente mudam alguma coisa?

Economia e política andam juntas. Talvez não deveriam, mas, no sistema em que vivemos, é assim que funciona. Isso ficou ainda mais evidente durante as eleições, e percebemos como p mercado reagia e respondia de diferentes formas e maneiras aos diversos candidatos. Agora, temos um novo presidente eleito que, à princípio, mostra simpatia por reformas liberalizantes na economia. Mas ainda é muito cedo para que conclusões precisas possam ser elaboradas com eficiência. 

A maioria dos candidatos que tivemos nestas eleições eram socialistas com propostas estatistas-desenvolvimentistas, que são a praga do Brasil há décadas, praticamente desde os tempos de Getúlio Vargas. Com isso, não quero dizer que o desenvolvimentismo, em si seja ruim; ele até pode ser relativamente bem planejado e gerar bons resultados, mas o dirigismo estatal exacerbado normalmente causa solavancos na economia, que desembocam em recessões tão levianas quanto brutais. Ninguém sabe disso melhor do que nós, brasileiros, que vivemos em um país que ainda experimenta as consequências da ressaca generalizada da maior recessão de nossa história.

Dito isto, é evidente do que precisamos para revitalizar a economia: um verdadeiro choque de capitalismo. Isto envolveria, necessariamente, entre outros elementos, desburocratização total da iniciativa privada, isenção fiscal completa para MEI e pequenos empreendedores, redução da carga tributária, o fim do favoritismo sobre grandes empresas, um amplo programa de privatizações, o fim de monopólios e um extenso projeto de liberalização econômica, o que facilitaria o caminho para que muitos que estão na informalidade se habilitassem para um alvará, além de abrir caminho para a abertura de milhares de novos negócios, especialmente pequenas e médias empresas. Com um programa que contemplasse tais medidas, a economia rapidamente voltaria a crescer.

Isso, no entanto, não passa de utopia. Dos presidenciáveis à disposição, não tínhamos nenhum com um programa completamente voltado para o empreendedorismo e para o liberalismo econômico. Não obstante, dois se aproximavam – Jair Messias Bolsonaro, do PSL, e João Amoêdo, do Novo. Sabemos, no entanto, que no Brasil, o presidente não governa sozinho. Ele precisa estabelecer um presidencialismo de coalizão. Como a corrupção no Brasil é generalizada, e o favoritismo é, na prática, a verdadeira política, a governabilidade de Bolsonaro, a partir de janeiro, precisa ser testada, para que ele aprenda, na prática, onde terá maiores dificuldades. É plausível dizer, no entanto, que a esquerda — que agora estará efetivamente em um campo de oposição — vetará projetos que seriam interessantes para os brasileiros; afinal, trabalharão com um cenário de quanto pior melhor, pois não tem nada a perder. Esperar colaboração da esquerda para o progresso e o desenvolvimento é por demais irrealista. 

Algo urgente e primordial seria romper efetivamente com o corporativismo e com os monopólios das oligarquias que, na prática, controlam todo o poder econômico no Brasil, para quem reformas liberais não seriam interessantes, e representariam um rompimento de sua hegemonia. No entanto, se Bolsonaro irá se propor a comprar essa briga, ou não, é uma questão que veremos, em um futuro próximo. A redução da carga tributária é uma pauta igualmente relevante, e convém tocar o dedo na ferida, o mais cedo possível. 

Isso não significa, evidentemente, que devemos ficar de braços cruzados, esperando que soluções milagrosas caiam do céu, tampouco que devemos nos conformar com as migalhas de mercado que nos deixam. É verdade que romper com todo o corporativismo econômico, e estabelecer uma economia liberal no Brasil – como o é em SingapuraHong Kong ou Austrália, por exemplo – é praticamente impossível, mas devemos usar todos os meios que temos ao nosso alcance para exigir reformas econômicas que nos tragam prosperidade.

O modelo estatista desenvolvimentista que existe no Brasil deveria, com todas as honras, ser completamente desmantelado, e Paulo Guedes demonstrou simpatia por essa ideia. O nacional-desenvolvimentismo promove um desenvolvimento completamente artificial da economia, que cobra o seu preço com a eclosão de uma recessão, que ocorreria por meio de uma crise muito mais dramática e irreversível. Algo do qual, definitivamente, não necessitamos. 

Evidentemente, devemos soterrar e banir políticas que enterrem, sacrifiquem ou condenem de vez o empreendedorismo no Brasil, que há um bom tempo anda de muletas. Com 70.000 empresas fechando por ano, intensa fuga de capital, e inúmeros empresários brasileiros montando suas empresas em países vizinhos como Paraguai – em virtude de custos menores e margens competitivas –, precisamos reverter esse quadro imediatamente. Agora é a hora de exigir reformas liberalizantes na economia, e fazer do Brasil aquilo que ele nunca foi: um país capitalista.       

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Sobre Mim

Sobre Mim

O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.