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A ditadura socialista de Daniel Ortega

A ditadura socialista de Daniel Ortega

Daniel Ortega, o ditador que atualmente governa a Nicarágua — um pequeno país da América Central — é um dos tiranos mais brutais, cruéis e violentos do continente. Como todo ditador, ele pretende ter controle absoluto sobre tudo e sobre todos, não tolera a liberdade, não possui nem mesmo um grau mínimo de respeito por seus correligionários, e está disposto a ir até as últimas consequências para se manter no poder, custe o que custar.

Nascido em 1945, Ortega envolveu-se em política ainda na sua juventude, e como muitos de seus conterrâneos, participou ativamente da resistência contra a ditadura de Anastasio Somoza, eventualmente juntando-se à Frente Sandinista de Libertação. Sua militância política acabou fazendo com que ele fosse preso, em 1967; depois que foi solto, em 1974, Ortega viajou até Cuba, para receber treinamento de guerrilha das milícias revolucionárias do governo de Fidel Castro. Quando retornou à Nicarágua, Ortega uniu-se a outros combatentes, para derrubar o ditador e conquistar o poder.

A resistência revolucionária contra o governo de Anastasio Somoza deu início a uma sangrenta guerra civil, que posteriormente se tornaria uma das mais violentas e duradouras na história da América Latina. Quando a Frente Sandinista de Libertação começou a ganhar espaço e proeminência — através de suas agressivas e beligerantes estratégias ofensivas —, o governo dos Estados Unidos passou a financiar os Contras, grupos contrarrevolucionários de direita armada, que tentavam à todo custo desmantelar a revolução socialista. 

Apesar da atuação dos Contras, a revolução liderada pelos Sandinistas contra o ditador Anastasio Somoza foi bem-sucedida. O ditador foi eventualmente escorraçado do poder, e em 1980, foi assassinado no Paraguai, onde estava exilado. Em 1979, Ortega passou a governar o país como integrante de uma junta — a Junta de Reconstrução Nacional —, e em 1985, foi eleito presidente.

Derrotado nas eleições de 1990, Ortega tentou novamente concorrer à presidência em 1996 e 2001, antes de finalmente obter a vitória, em 2006, que o levaria ao poder de novo. E onde permanece, até os dias atuais, tendo se tornado um tirano de primeira categoria, que não fica atrás de outros ditadores populistas da América Latina.

A estratégia que Ortega usou para conquistar o poder — e posteriormente lá permanecer, de acordo com os seus planos, indefinidamente — possui enormes semelhanças com aquela usada por Hugo Chávez, na Venezuela. Para tanto, a democracia é o ardil mais inteligente, pois fornece a psicopatas políticos a prerrogativa de legitimidade que precisam, para justificar suas ações, sua permanência no poder, e a suposta "necessidade" que a nação possui por um líder carismático, capaz de guiá-la em direção a um futuro de paz e prosperidade, que nunca chega. Depois de eleito, Ortega colocou nas principais posições de controle governamental, tanto a nível federal quanto regional e local, diversos indivíduos de sua confiança, especialmente integrantes de sua própria família, para facilitar seu controle sobre toda a nação. Aplicou a mesma estratégia com relação às forças armadas e as agências policiais, para evitar possíveis golpes de estado. Astuto, também armou e equipou milícias terroristas, constituídas por membros da sociedade civil, cuja principal finalidade é assassinar opositores e dissidentes, exatamente da mesma forma como Nicolás Maduro, o ditador da Venezuela, emprega os seus colectivos, grupos de motoqueiros assassinos e violentos, para aterrorizar a população.

Ortega também controla a economia com medidas ostensivamente draconianas. Como as principais empresas do país constituem monopólios que são sua propriedade exclusiva — o que revela um modus operandi similar ao de Rafael Trujillo, que foi ditador da República Dominicana por mais de trinta anos, e possuía negócios na ilha que eram seus monopólios exclusivos — o exacerbado corporativismo estatal e a total ausência de liberdade econômica acabaram produzindo um inimaginável grau de pobreza neste pequeno país da América Central, que tem uma população pouco superior a seis milhões de habitantes. Em decorrência deste fato, muitos nicaraguenses acabaram emigrando para países vizinhos, como El Salvador, no desespero de fugir da sua condição de miséria e servidão. Ao passo que a maior parte da população empobrece de forma avassaladora, Ortega e sua família ficam a cada dia mais ricos, situação que fornece um violento contraste entre as condições dos paupérrimos cidadãos comuns, e a vida de suntuosidade, luxo e esplendor sem limites da elite política.

No poder desde 2007 — embora tenha servido como presidente do país de 1985 a 1990, e de 1979 a 1985, como líder da revolução sandinista — Daniel Ortega, como todo político, possui uma desmesurada e irracional obsessão pelo poder. Até mesmo seu irmão Humberto já o acusou de ser um depravado e malévolo tirano sanguinário, que se importa unicamente em escravizar a população, e reprimir qualquer forma de oposição ao seu governo. No ano passado, uma série de protestos que ocorreram por todo o país exigiram a renúncia do ditador, que reprimiu as manifestações com brutalidade. Nos diversos protestos que ocorreram, e que em escala um pouco mais modesta, continuam ocorrendo no país inteiro, especialmente na capital, Managua, o número de mortos foi contabilizado em aproximadamente quatrocentos e cinquenta, e o número de feridos chegou quase a três mil. Não obstante, para o ditador isso é completamente irrelevante. Para um maníaco depravado como Daniel Ortega, cujo nome completo é José Daniel Ortega Saavedra, o mais importante é permanecer no poder.

Até mesmo pessoas que antes eram de confiança e faziam parte de um círculo próximo ao tirano, fizeram questão de se afastar. Humberto Ortega — irmão do ditador — afirmou que "o governo não pode voltar ao que era antes da crise. Não pode retornar à sua estratégia de governo monopolista e autoritária". Um depravado que não respeita nada nem ninguém, Ortega também foi acusado de abusar sexualmente de sua enteada Zoilamérica Ortega Murillo de forma sistemática por anos. Não obstante, em função do elevado cargo político que ocupa, da imunidade parlamentar e também pelo fato de ter todo o sistema judiciário em sujeição, o ditador nunca foi efetivamente processado pelo crime. Zoilamérica teve que apelar à Comissão Inter Americana de Direitos Humanos para ser ouvida, e a instituição, por sua vez, conseguiu dar relevância ao seu caso, embora o corrupto sistema judiciário nicaraguense não o tenha convertido em um inquérito. Posteriormente, a vítima foi forçada a retirar as acusações.

A ditadura de Daniel Ortega é mais um insólito caso de populismo no tão castigado e oprimido continente americano. Sem dúvida nenhuma, o ditador não poderá ser derrubado, se não através de uma terrível e pontual conflagração violenta. Quando a população de um país inteiro se torna refém de um sistema criminoso, tirânico e escravagista, apenas uma revolução pode restituir a liberdade. Agora, elas estão dispostas a dar a própria vida, para conquistar o que perderam. O perigo do populismo é uma realidade que se insinua de forma substancial a todo momento, nos mais variados e flexíveis cenários políticos. Infelizmente, ele funciona como uma sádica, atroz e perniciosa armadilha, que sempre aparece de forma astuciosamente dissimulada, de maneira que a maioria das pessoas não consegue perceber nada, até ser tarde demais.

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.