Blog

Deus-estado e papai-governo

Deus-estado e papai-governo

Os elementos mais bem definidos do estado brasileiro são, sem dúvida nenhuma, o seu paternalismo e patrimonialismo. Que apesar de fracos, precários e deficientes – para não falar tendenciosos, populistas e inerentemente imorais – são criados deliberadamente com a intenção de gerar nociva e brutal dependência. No Brasil, diversas ideologias escravagistas pregam religiosamente o assistencialismo, desta forma difundindo a dependência da população com relação ao governo, especialmente os pobres e as classes desfavorecidas. O que dá ao governo um poder substancial sobre os seus “protegidos”, e perpetua um sistema de escravidão eleitoreiro, esquadrinhado para atender políticas populistas que visam a reeleição permanente dos burocratas que perpetuam-se indefinidamente no poder.  

O que a população em geral não consegue entender – mas seria fundamental que entendesse – é que políticos não pretendem, de forma alguma, solucionar problemas. O que eles querem é se manter no poder, e para isso usarão todas as prerrogativas que julgarem necessárias. O economista Thomas Sowell certa vez declarou: “Ninguém vai realmente entender a política até que entenda que os políticos não estão tentando resolver nossos problemas. Eles estão tentando resolver seus próprios problemas – dos quais serem eleitos e reeleitos são o número um e o número dois. O que quer que seja o número três está muito distante.”

A verdade é que políticos, de uma forma geral, veem na pobreza um formidável capital político, que é capaz de os reeleger. Para tanto, não podem, jamais solucionar o problema, de forma alguma. Uma vez que o problema fosse solucionado, o político não teria mais motivos para se reeleger, e continuar na política, usufruindo de uma vasta rede de privilégios, riquezas e benefícios, que o estado concede em abundância aos seus. Na verdade, a classe política se empenha arduamente – de todas as formas e maneiras possíveis – para combater a prosperidade, pois uma vez que a sociedade conquiste grande patrimônio material capaz de gerar riquezas, progresso e desenvolvimento, isto tornaria o estado irrelevante. E quem vive da política, ou seja, quem vive para enganar os outros com ardis falaciosos e retórica dissimulada, jamais permitirá que a sociedade conquiste o sucesso. Portanto, é inevitável que políticos busquem inadvertidamente destruir os mecanismos capazes de gerar prosperidade, e ativem desmesuradamente todos aqueles que criarão dependência, através de assistencialismo. 

No seu artigo A redistribuição de renda como violação dos direitos naturais, André Moreira explicou de forma magistral porque a pobreza, de um ponto de vista político, é impossível de ser solucionada: “A forma como um burocrata governamental vê a questão da pobreza não raro leva à adoção de políticas populistas que não buscam a resolução desses problemas, mas simplesmente à aquisição de capital político para a perpetuação no poder.”

Ainda que isto pareça um tanto óbvio, para a grande maioria da população, as supostas boas intenções de determinados burocratas parecem coesas e suficientemente sinceras para atender às demandas populares. Moradia, alimentação, assistencialismo estatal – pago com dinheiro roubado do “contribuinte” – são suficientes para conquistar a atenção de quem exige “os seus direitos”. P. J. O’Rourke definiu com sagacidade a hipocrisia, demagogia e oportunismo dos burocratas que prometem fazer o bem com o dinheiro de terceiros: “Não há virtude na caridade compulsória do governo, e não há virtude em defendê-la. Um político que se mostra “carinhoso” e “sensível” porque quer expandir os programas de caridade do governo está apenas dizendo que está disposto a tentar fazer o bem com dinheiro de outras pessoas”. 

Infelizmente, apesar de todos os seus defeitos, falhas, ingerências e incompetência institucional em larga escala, o estado possui seus adeptos fervorosos. A estadolatria difundida e perpetuada por diversas ideologias políticas fez uma avaria substancial na sociedade brasileira, corroendo com brutalidade o discernimento e a capacidade de raciocínio especialmente, mas não exclusivamente, de jovens militantes, e reverter isso tem mostrado ser um desafio contumaz. Por que trabalhar, se deus-estado e papai-governo lhe darão tudo “de graça”?

Isto gerou infelizmente uma legião de indivíduos infantilóides – altamente dependentes da chupetinha estatal –, que gostariam de passar suas vidas inteiras superprotegidos no colinho dos seus deputados favoritos, terceirizando todas as suas responsabilidades. Esta raça de indivíduos também fica extremamente amargurada e ressentida quando os seus privilégios são revogados. Tentam justificar sua retórica infantil sempre da mesma forma cínica e ardilosa: eles são pessoas “do bem” que “lutam pelos pobres”.

Este problema é consequência de um estado altamente paternalista, que lutou por décadas para gerar e difundir dependência em larga escala. O deplorável resultado que o país colhe é exatamente este: a criminalização do empreendedorismo, da criatividade e do trabalho, e a difusão em larga escala do falacioso e infantil conceito de que todos devem viver do estado, e o estado deve sustentar a todos. O que essa gente terrivelmente ideologizada esquece – em seus delírios dementes e mordaz incapacidade de compreender a realidade – é que quem sustenta o estado é justamente a livre iniciativa através de dinheiro roubado. Como diz o velho ditado, seria cômico, senão fosse trágico, termos chegado a este nível.

O estado paternalista criou legiões de bebês chorões que odeiam o capitalismo, porque capitalismo significa esforço, trabalho e diligência, tudo aquilo que eles detestam, já que exigem receber tudo de graça. O que os bebezões crescidos querem é viver suas vidas no colinho de políticos, recebendo comidinha na boquinha diretamente das mãozinhas benevolentes do deus-estado e do papai-governo. Não querem crescer, muito menos assumir responsabilidades, ou tornarem-se homens de verdade. A maldição do estado assistencialista é a praga populista que lentamente exaure os recursos e as riquezas que a sociedade produtiva tão exaustivamente luta para criar.

Artigo originalmente publicado no jornal A Folha do Sudoeste, periódico bissemanal de Palmas, Paraná, edição de 27 de fevereiro a 01 de março. 

Compartilhe esse texto:

Sobre Mim

Sobre Mim

O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.