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Conservadorismo fiscal

Conservadorismo fiscal

Conservadorismo fiscal é um conceito — geralmente aplicado aos Estados Unidos — que defende uma rígida política fiscal, que envolve impostos baixos, gastos reduzidos do governo, livre comércio e mínima dívida pública, algo que sempre esteve ausente do debate político nacional, onde os gastos governamentais são elevadíssimos e a dívida pública é galopante. O conceito está também fortemente associado ao liberalismo clássico

Nos Estados Unidos, historicamente, sempre existiu uma preocupação maior em equilibrar o orçamento governamental, e evitar que a dívida pública crescesse demais, a ponto de distanciar-se exageradamente da receita fiscal, embora a preferência geral dos seus proponentes sempre tenha sido aumentar a dívida ao invés de aumentar os impostos. Evidentemente, com o passar do tempo isso escapou ao controle, pelo fato dos conglomerados bancários terem adquirido cada vez mais poder político, sendo que eventualmente tornaram-se capazes de exercer enorme influência no governo. Hoje, os Estados Unidos — ao contrário do que os saudosistas geralmente afirmam — é um país bem diferente do que costumava ser, sendo basicamente uma corporatocracia comandada por banqueiros e seus lobistas, e possui uma das maiores dívidas públicas do mundo. 

Aqui no Brasil, no entanto, a situação sempre foi incomensuravelmente pior. Quaisquer debates sobre políticas fiscais sempre foram evitadas ao máximo; redução de governo, de gastos do governo e manutenção da dívida pública são assuntos tão polêmicos e controversos que praticamente a grande maioria dos agentes políticos em nosso país evitam o assunto como se fosse uma metástase e não se atrevem a debatê-lo sob circunstância alguma. Assim, simplesmente deixam a dívida pública rolar. Com isso, aumentam os impostos, a inflação galopante e a população está sempre pagando cada vez mais caro por tudo, ao passo que seu poder aquisitivo vai sendo ostensivamente depauperado. 

Sem uma rígida política fiscal, a ruína e a degradação econômica são inevitáveis. Com elas, vem depauperamento, escassez, estagnação, fuga de capital e miséria sistêmica. O pior de tudo é que o problema nunca é atacado na raiz; as autoridades políticas combatem os efeitos e os sintomas, mas jamais as causas. Ao invés disso, medidas intervencionistas totalmente paliativas são implementadas. Elas amenizam os efeitos corrosivos da negligência fiscal por um tempo, até os sintomas se tornarem ostensivamente graves demais para serem ignorados, e então novas medidas paliativas são implementadas, e assim a situaçao vai se prolongando, sem que o problema nunca seja efetivamente diagnosticado, reconhecido ou combatido.

Isso é basicamente um resumo da história do Brasil. Os verdadeiros problemas nunca foram apontados ou combatidos, porque nunca é conveniente apontá-los ou combatê-los. O melhor mesmo é deixar tudo como está, fingir que esse é o nosso padrão de normalidade. O próximo governo que resolva. A resolução dos problemas é sempre postergada, fica sempre para o futuro.

Demagogos populistas oportunistas de esquerda, desesperados pelo poder, ao invés de reconhecer a real natureza de nossos problemas, afirmam que o capitalismo — que nunca exisitu por aqui — tem empobrecido as pessoas, e que é só expurgar o capitalismo que todos os problemas serão resolvidos; a verdade, no entanto, é que temos um estado caríssimo, com o judiciário mais caro do mundo e o segundo congresso mais caro do mundo, e praticamente nenhuma responsabilidade fiscal. O estado brasileiro vive em uma realidade paralela, a terra da fantasia, e uma expressão desagradável como "responsabilidade fiscal" faz com que ela se obrigue a reconhecer a realidade.

Algo nefasto para os deploráveis padrões do estamento burocrático tupiniquim, que gosta de uma gastança desenfreada, sem se importar se há dinheiro em caixa ou não. O estado pode se endividar à vontade; afinal, é o contribuinte que paga a conta. 

A verdade é que no Brasil estado e governo nunca se importaram de se endividar ao máximo para pagar os salários nababescos e os benefícios monumentais da elite política e dos marajás do funcionalismo. Assim, a dívida pública — que já é astronômica —, não pára de crescer. Mas nenhum integrante do estamento burocrático nacional se importa, pois o problema estoura sempre no contribuinte. É ele que está sempre pagando essa conta, que tem uma fatura imensurável que nunca termina e fica sempre cada vez mais cara. 

Ser político no Brasil sempre foi muito fácil. Basta fazer algum discurso em um palanque e rapidamente será possível atrair um monte de pessoas insatisfeitas. Não é necessário apontar nenhuma solução, basta apontar os culpados. 

Ser contribuinte, no entanto, é ser permanentemente explorado, e trabalhar indiretamente para o estado — de forma contínua, como um escravo, sem nenhuma possibilidade de rescisão contratual desta obrigação pérfida e imoral —, para sustentar uma das burocracias mais caras do mundo.   

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.