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Como o capitalismo de estado destrói empresas, negócios familiares e a economia

Como o capitalismo de estado destrói empresas, negócios familiares e a economia

Capitalismo de estado, a grosso modo, é um termo político usado para definir o fato de que o estado, em algum grau, executa intervenções na atividade econômica, chegando até mesmo a administrar empresas e gerir negócios, supostamente em nome do desenvolvimento nacional.

Na prática, o capitalismo de estado não apenas pode ser como frequentemente é uma monumental fonte de fraudes, corrupção e transações ilícitas. Ainda que um estado paternalista pregue constantemente a cartilha desenvolvimentista em nome da necessidade de progresso e independência dos cartéis e oligopólios estrangeiros, o capitalismo de estado como força motriz da economia gera — além de um burocrático e labiríntico estado soviético — cartéis e monopólios que beneficiam apenas uma pequena oligarquia, que vive dos subsídios que são repassados pelo estado, que por sua vez tem sua renda extraída dos impostos excruciantes cobrados da população. Esses monopólios geralmente são empresas estatais que, além de serem ineficientes, são muito dispendiosos de se manter. Não apenas não dão lucro nenhum, como geram uma despesa enorme para o estado, e precisam desesperadamente do repasse de verbas para continuar existindo. 

Isso invariavelmente gera um sistema nefasto que protege determinadas corporações, que por sua vez se tornam monopólios sustentados com dinheiro público. Geralmente, algumas oligarquias que funcionam como parasitas do estado subornam burocratas para garantir os subsídios, em um sistema que se transforma em uma permanente troca de favores, onde os agentes do setor público formam uma simbiose com os oligarcas de grandes corporações. A partir de então, a extorsão de dinheiro público que ocorre através de impostos exorbitantes será sistêmica. O dinheiro arrecadado, por sua vez, será repassado para financiar os grupos de interesse protegidos pelo estado, que receberão a verba por meio de subsídios e concessões.

Para essas abastadas plutocracias, manter o status quo é uma necessidade. É do estado positivista-oligárquico-corporativista que elas retiram suas conexões para manter verbas, subsídios e poder, em um ciclo perpétuo que se renova constantemente. Com poder, essas oligarquias conseguem verbas, subsídios e protecionismo, e com verbas, subsídios e protecionismo, essas oligarquias se mantém no poder. 

Podemos até mesmo dizer que toda essa intrincada rede composta por uma variedade de oligarquias e corporações formam ao menos uma parte do chamado "estado oculto" — ou Deep State —, o verdadeiro poder por trás do poder, que são os grupos de interesse e as coalizões de burocratas, banqueiros e corporativistas que efetivamente governam o sistema e o "estado democrático de direito". Que é democrático apenas na fachada, pois o povo não decide nada; mas eles, os verdadeiros detentores do poder é quem podem e decidem tudo, assim como os direitos também são todos para eles, não para a população, que apenas paga a conta através de impostos exorbitantes.    

Em um sistema econômico dominado pelo capitalismo de estado, a erosão dos pequenos negócios — pequenas e médias empresas, assim como empreendedores individuais — será inevitável, já que o estado sempre vai cartelizar o mercado e repassar subsídios para as grandes empresas e as corporações favorecidas pelo regime. Basicamente, é um sistema que parasita todos os agentes produtivos da sociedade para beneficiar algumas poucas corporações e conglomerados que tornam-se os carros-chefes e os "cases de sucesso" do regime. Isso aconteceu de forma sistemática durante os governos petistas, que apoiaram algumas empresas, como a EBX de Eike Batista, que fazia parte de um seleto grupo de companhias alardeadas e promovidas como "campeãs nacionais".

Como eventualmente o capitalismo de estado anda de mãos dadas com o keynesianismo, o estado — por possuir poderes plenipotenciários que ninguém é capaz de frear ou travar — pode se sentir tentado a criar crédito do nada, sem nenhuma liquidez. Isso vai, de fato, acabar gerando uma onda de progresso e prosperidade, mas uma prosperidade de natureza completamente artificial. A inevitável próxima etapa de uma irracionalidade econômica dessa natureza será uma recessão sem precedentes. Foi basicamente isso o que aconteceu durante os anos de bestialidade petista. Crescimento econômico artificial que enriqueceu principalmente a classe política e os seus associados corporativistas, e posteriormente deflagrou uma recessão econômica sem precedentes.   

Todas essas grandes corporações financiadas pelo estado — que por sua vez é financiado com dinheiro oriundo da cobrança compulsória de impostos — na verdade nem sequer deveriam existir. Se uma empresa precisa de subsidios governamentais para se manter, isso indica que ela não tem competência para sobreviver no mercado sozinha. Se ela não tem capacidade para sobreviver no mercado sozinha, então ela realmente não deveria existir. Se o estado não auxilia pequenas e médias empresas — mas antes o contrário, pratica extorsão contra elas cobrando impostos excruciantes —, a diferença no tratamento mostra como esse sistema de captura de renda via impostos, regulações, subsídios e concessões na verdade contribui para destruir toda e qualquer possibilidade de desenvovimento econômico ortodoxo, salutar e verdadeiramente consistente, alicerçado em liquidez real e valor agregado, que seria invariavelmente mais forte e consequentemente menos suscetível a crises sistêmicas.  

O que o capitalismo de estado faz na verdade é colocar as ambições, projeções e objetivos de uma oligarquia política como sendo a prioridade de um governo. Essas oligarquias capturam o aparato regulatório do estado para benefício próprio, e através de conexões políticas, garantem verbas e subsídios para as suas companhias. Dessa forma, monopolizam o mercado sem precisar oferecer produtos de qualidade aos consumidores, não precisam ser eficientes no atendimento da demanda, e seus gestores e proprietários acumulam vasto patrimônio e fortunas pessoais, que em sua maioria são produto de dinheiro desviado das verbas estatais recebidas e garantidas por seus associados políticos.   

É impossível que haja um desenvolvimento salutar da economia quando grandes corporações tem poder e influência política para cartelizar o mercado, sendo contempladas com regulações protecionistas que ajudam a dilacerar ainda mais a livre concorrência e acabar com a competição. Possibilitar a existência de um sistema tão nefasto. parasitário e deletério vai invariavelmente dilacerar a prosperidade material e financeira da grande maioria da população, além de destroçar todas e quaisquer possibilidades de progresso e desenvolvimento futuro de uma nação.

Como se todo o depauperamento que um sistema desses invariavelmente provoca não fosse desgraça suficiente, todas as corporações e os grandes conglomerados que são beneficiados por regulações protecionistas acabam afetando negativamente a produtividade do restante do mercado, pois a consequência natural do protecionismo é a eliminação da concorrência. Como Ludwig von Mises falou, "o resultado do protecionismo será sempre a redução da produtividade do trabalho humano". O protecionismo requer necessariamente a supressão da liberdade econômica, já que para proteger uma determinada companhia ou conglomerado, o governo terá que arrumar maneiras — normalmente através de burocracia e regulações — para impedir empresas concorrentes de serem produtivas e ingressarem no mercado.  

Dessa maneira, formam-se cartéis, monopólios e oligopólios que tornam-se onipotentes, e aos poucos o poder econômico que essas plutocracias mercantilistas adquirem acaba invariavelmente se convertendo em capital político, e assim as companhias e os conglomerados que são protegidos pelo estado acabam se tornando impérios oligárquicos sustentados com o dinheiro do contribuinte.

Nesse sistema, pequenas e médias empresas não tem valor algum para o estado. Servem apenas para serem extorquidas através de impostos excruciantes e nada mais. A verdade é que a grande maioria da população sai prejudicada, nesse sistema que beneficia poucos em detrimento de muitos.    

Ou seja, concluindo, a verdade é que o capitalismo de estado precisa desaparecer. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.