Blog

Collor para presidente?

Collor para presidente?

O Brasil, provavelmente, é o mais insano, grotesco e macabro festival de bizarrices que já veio a existir sobre a face da Terra. Como se não bastasse um corrupto criminoso satânico condenado em 2ª instância, que mostrou ser um dos políticos mais deletérios e corrosivos da história do país, querer concorrer à presidência da república, mesmo impedido pela justiça, o primeiro presidente da sexta república brasileira – deposto por um impeachment depois de dois anos de governo –, afirma que irá se candidatar, também, à presidência da república.

Sim, eles são Luís Inácio Lula da Silva, e Fernando Collor de Mello, respectivamente. Os indivíduos que disputaram a presidência da república em 1989, no segundo turno. Collor acabou sendo eleito. Foi o primeiro presidente eleito democraticamente desde Jânio Quadros, e o presidente mais jovem da história do Brasil, eleito aos quarenta anos de idade. O criminoso petista, e o "caçador de marajás" pretendem, novamente, disputar o páreo presidencial. Parece roteiro de novela mexicana, mas não é.

Tecnicamente falando – pelos padrões da condescendente, perversa e leniente justiça brasileira – Collor, ao contrário de Lula, poderia concorrer à presidência, pois ele já pagou por seus crimes. Quando sofreu o impeachment, o atual senador pelo estado de Alagoas perdeu seus direitos políticos por oito anos. Evidentemente, o correto seria tê-lo destituído de seus direitos políticos em caráter vitalício, afastando-o permanentemente da vida pública brasileira. Mas sabemos que, no Brasil, não é assim que funciona. Aqui, corruptos criam leis amenas e suaves, para aliviar os seus correligionários, igualmente corruptos.         

Com um discurso muito similar ao do prefeito de São Paulo, João Dória – que cogitou, a algum tempo, a possibilidade de concorrer à presidência da república, depois de negar categoricamente que iria fazê-lo, apesar de não ter se pronunciado mais à respeito do assunto – Collor quer tentar emplacar a imagem do candidato de centro, aquele indivíduo repleto de "virtudes", "moderação" e "sensatez", que não é extrema-esquerda, como Lula, nem "extrema-direita", como Bolsonaro. Em outras palavras, conversa pra boi dormir. É evidente – quero acreditar – que ninguém votaria nele. E, portanto, ele não iria se eleger. Mas como dizem por aí, brasileiro tem memória curta. Aqui, em terra brasilis, bom mesmo é não duvidar de nada. Aliás, a população de um país que tem presidentes na condição de Lula e Collor – um, condenado pela justiça, prestes a ser preso, e o outro, tendo sido deposto da presidência por suas atividades ilícitas, embora já tenha cumprido a sua pena, e, portanto, está "limpo" aos olhos da "justiça" –, querendo disputar as eleições presidenciais, não pode se dar ao luxo de duvidar de coisa alguma. 

Collor, quando se tornou governador de Alagoas, ganhou fama como "caçador de marajás". Aparentemente, ele começou a contestar e questionar o ordenado de funcionários públicos que ganhavam supersalários. Durante uma confraternização na casa de um amigo, no final dos anos 1980, o ex-presidente João Baptista Figueiredo, o último do regime militar, falou que isso não passou de uma ótima jogada publicitária de Collor, deliberadamente realizada para que ele conquistasse popularidade junto ao eleitorado. Figueiredo falou que foi o próprio Collor que, quando foi prefeito de Maceió, inflou deliberadamente os salários e o número de servidores públicos na prefeitura. Depois, quando governador, começou a "expurgar" os marajás do funcionalismo público, um problema que, na verdade, ele próprio havia criado.

Convém lembrar que, quando presidente, Collor realizou o polêmico, criminoso e nefasto confisco das poupanças, o que colocou milhões de brasileiros em sérias dificuldades financeiras. Se, por acaso ele for eleito – lembrando que, no Brasil, tudo é possível –, é bom ir rapidinho tirar o dinheiro do banco.   

Compartilhe esse texto:

Sobre Mim

Sobre Mim

O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.