Blog

China – O progresso do retrocesso

China – O progresso do retrocesso

O presidente da China, Xi Jinping, desde que tornou-se o mandatário político do dragão asiático, acumulou tantos poderes e atribuições, que hoje é considerado o homem mais poderoso da China desde Mao. E não é para menos. Ele parece determinado não apenas a consolidar o seu poder, mas também a dominar o mundo. E trabalha arduamente, incansavelmente, para isso.

No congresso mais recente do PCC, que ocorreu no final do ano passado, Xi afirmou que pretende fazer a China se tornar a próxima grande potência global. No entanto, enfatizou que não irá apoiar quaisquer solicitações por reforma política. Também afirmou que seu governo não irá tolerar qualquer dissidência. De forma muito sutil e rasteira, ele enfatizou o caráter totalitário do seu governo. Por essa razão, um estrangulamento cada vez maior das liberdades individuais está em andamento, em todas as esferas da sociedade chinesa. Em Hong Kong – uma das regiões autônomas da China – o governo central exigiu do governo local a supressão de protestos por liberdade e democracia.   

As ambições políticas e econômicas da China de fato não conhecem limites. Atualmente o governo se empenha pelo estabelecimento da Rota da Seda, que envolverá a construção de uma monumental infraestrutura de locomoção terrestre, que pretende conectar à China a outros continentes, sobretudo à Europa.     

A grande preocupação de Xi Jinping, no entanto, é continuar concentrando irrestrito e ilimitado poder. Tendo acumulado todas as funções soberanas de governo, o autocrata é impiedoso em seu tratamento contra tudo aquilo que fere os princípios do PCC, e recentemente até mesmo a sua doutrina política pessoal – formalmente denominada de “O Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era” – foi incorporada à constituição. Na prática, é o estabelecimento de uma nova era de despotismo e autocracia.  

Apesar do desenvolvimento e do substancial progresso econômico, o que vemos na China é um grande retrocesso em termos políticos. O regresso a um período onde tudo dependia dos caprichos e das vontades de um único homem – hábil o bastante para concentrar todo o poder civil e militar em torno de si – algo que poderíamos chamar, sem equívoco nenhum, de ditadura. Algo que a China, apesar das reformas e das aberturas promovidas por dirigentes governamentais nos anos 1980 e 1990, nunca deixou de ser. Um comentarista político chegou a afirmar que a China contemporânea é muito similar à China maoísta. A única diferença é que hoje a população usufrui dos benefícios do capitalismo.  

Agressivo no tratamento dispensado às religiões – bem como a tudo aquilo que lhe pareça divergente – Xi Jinping parece comprometido à fazer do estado a religião secular dominante. Recentemente, a comercialização de Bíblias foi proibida, por não ser compatível com os princípios do socialismo. No entanto, o cristianismo continua perseverando, ainda que clandestinamente. Infelizmente, a verdade é que a repressão tende a aumentar.

As ambições de poder de Xi Jinping não conhecem limites. Determinado a tornar-se soberano sobre tudo e sobre todos, o autocrata removeu da constituição o limite de dois mandatos consecutivos para cada presidente, o que na prática poderá leva-lo a permanecer no poder por tempo indefinido. Possivelmente, até morrer.

A repressão na China hoje acontece escancaradamente, não sendo em nada mais suave do que o período maoísta. Ela apenas ocorre de forma mais sutil, oculta e sorrateira. O governo, evidentemente, é muito restritivo para com jornalistas estrangeiros – que de qualquer forma seriam incapazes de cobrir extensamente todos os eventos relacionados às políticas tirânicas de governo, e os veículos de comunicação oficial, majoritariamente controlados pelo estado, evidentemente não irão expor a truculência e a brutalidade da repressão estatal.

Atualmente, a guerra mercantil entre China e Estados Unidos faz o dragão asiático parecer diplomático e civilizado, disposto a dialogar e conversar. O que a maioria das pessoas não entende é que isto tudo é pura dissimulação política. Recentemente, as tensões entre China e Taiwan tem se tornado exponencialmente mais palpáveis e intempestivas. Xi Jinping ameaçou, inclusive, tomar a ilha de Formosa – como também é chamada Taiwan – pela força, se necessário, alertando que não descarta a possibilidade de uma intervenção militar.

A China se lançou em um projeto de conquista política, militar e econômica global sem precedentes na história da humanidade. Para cada território que pretende conquistar, evidentemente, adota uma estratégia diferente, a mais pertinente para cada caso. O comércio, a política, a industrialização e o sistema mercantilista mundial são armas que o PCC – e sobretudo o seu líder, Xi Jinping – tem utilizado com habilidosa astúcia. E aparentemente, tendo à sua disposição um dos maiores exércitos do mundo, parecem ávidos em anexar territórios usando agressiva brutalidade e hostilidade, se em determinada situação isso lhes parecer pertinente. Retrocedemos aos tempos da barbárie, onde a civilidade, a cordialidade e a diplomacia são descartáveis. Tiranos políticos querem saciar suas ambições de poder absoluto à qualquer preço, mesmo que tenham que sacrificar em guerras desnecessárias a vida de terceiros, para consumarem seus fetiches egoístas.

Artigo originalmente publicado no jornal A Folha do Sudoeste, periódico bissemanal de Palmas, Paraná, edição de 19 a 22 de janeiro de 2019. 

Compartilhe esse texto:

Sobre Mim

Sobre Mim

O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.