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A China e a exportação do totalitarismo

A China e a exportação do totalitarismo

Ainda que seja vista como um exemplo de progresso e desenvolvimento, a China atual é um formidável exemplo de governo totalitário. E não nos enganemos quanto a sua aparente cordialidade, o seu principal produto de exportação é o totalitarismo. Ainda que demonstre grande disposição em fazer negócios, a sua ambição é estar acima de tudo e de todos, e o governo chinês fará tudo o que estiver ao seu alcance para atingir todos os seus objetivos.

O desejo de poder e controle do governo chinês é descarado, e quem se opor ao seu projeto de dominação global deve estar pronto para encarar as consequências. Na China contemporânea tudo, absolutamente tudo, é controlado pelo estado, e não existe nada que o governo não esteja disposto a fazer para expandir cada vez mais o seu controle sobre a sociedade civil. O Partido Comunista Chinês (PCC) está no topo de uma pirâmide ditatorial, intrusiva e absoluta, e o atual presidente, Xi Jinping, está plenamente disposto a garantir que as coisas continuem assim – com o estado soberano e absoluto sobre tudo e sobre todos. Poderíamos até mesmo aplicar aqui a máxima do ditador fascista italiano Benito Mussolini, que é condizente com a desumana e agressiva gestão do governo chinês: “tudo no estado, nada contra o estado e nada fora do estado”. É exatamente por este credo que vive o centralizador e autoritário governo chinês, onde absolutamente tudo é controlado pelo PCC.

O governo chinês deve ser encarado por aquilo que realmente é: um agressivo e hostil leviatã autoritário, onde a autocracia administrativa regente tem por objetivo controlar a população, em todas as suas particularidades. Até mesmo a autonomia de regiões especiais como Macau e Hong Kong parece estar sendo gradualmente comprometida, conforme o governo chinês sutilmente interfere na política destas áreas relativamente independentes, que anteriormente foram colônias de Portugal e Inglaterra, respectivamente. Recentemente, os atritos com Taiwan também ganharam uma nova dimensão, com a China reiterando a ameaça a países que ousarem reconhecer a soberania e a independência política do arquipélago. A possibilidade de que algumas ilhas mais próximas ao continente fossem reintegradas ao governo comunista continental encontrou forte resistência de seus habitantes, que temem por suas liberdades individuais e civis, caso viessem a estar sob a tutela do totalitário governo comunista chinês. Taiwan também foi uma ditadura no passado – a ditadura nacionalista de Chiang Kai-shek, que depois passou para o seu filho. Mas ao contrário da China Continental, Taiwan foi capaz de converter-se em uma salutar e meritória democracia, com liberdades individuais plenas e garantidas. Evidentemente, os taiwaneses não querem ver suas liberdades, todas elas conquistadas a duras penas, sendo corroídas e eventualmente comprometidas.    

Diversas instituições públicas existem na China, mas os poderes não funcionam de forma independente. Tudo depende de decisões previamente auferidas pelos comandantes máximos do PCC, conhecidos como Anciões. Como Aurélio Decker afirma em seu livro China – Ameaça ou Oportunidade?, o “parlamento não manda nada, não tem poder algum e serve simplesmente para dar ares de democracia a um estado totalitário”. Adicione a isto a brutal hostilidade que o governo tem a religiões – especialmente ao cristianismo –, e você tem todos os componentes para um estado policial perfeito, onde a população é monitorada o tempo inteiro, e toda e qualquer dissidência não é tolerada.

Evidentemente, não são apenas os cristãos que sofrem com perseguição. Membros de uma crença chamada Faloun Gong são frequentemente sequestrados e encarcerados arbitrariamente por agentes do governo, e não poucos deles são mortos para terem seus órgãos retirados, e comercializados no mercado negro. Atrocidades desta natureza são corriqueiras, e ocorrem com a aprovação do governo.

A expansão da China pelo mundo – se fazendo sentir de forma radicalmente negativa até mesmo em países livres como a Austrália –, está mudando radicalmente o panorama geopolítico internacional, e seus efeitos dramáticos muito em breve serão sentidos no Brasil, um mercado que os dirigentes máximos do PCC estão ansiosos em dominar. Ciro Gomes, um dos presidenciáveis que disputará as eleições para o Palácio do Planalto este ano, não passa de um fantoche patrocinado diretamente pelo Partido Comunista Chinês,  tendo se encontrado com seus principais líderes recentemente. Uma prova irrefutável disso é o seu plano econômico completamente autoritário, inflexível e estatista, derivado diretamente do modelo chinês.

A China eventualmente irá conquistar o mundo. Eles possuem um plano coeso, dinâmico e agressivo para essa finalidade, e tem aliados internacionais interessados – completamente subservientes –, que irão ganhar financeiramente com o projeto político e econômico chinês. Os chineses são agressivos, estão dispostos a triunfar e não irão retroceder. Resta compreender como vamos assimilar a situação, e lidar com as ameaças que ela representa.

Artigo originalmente publicado no jornal A Folha do Sudoeste, periódico bissemanal de Palmas, Paraná, edição de 27 a 29 de junho de 2018. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.