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Centenário da Revolução Russa – O que há para celebrar?

Centenário da Revolução Russa – O que há para celebrar?

Ao tomar conhecimento de que no presente ano o golpe de estado executado pelos bolcheviques completou o seu centenário, e que a esquerda – não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro –, celebrou os cem anos da revolução russa, não pude evitar certa consternação e descontentamento, provocado pela flagrante indiferença e falta de humanitarismo deste grupo de pessoas, com relação a um dos episódios de maior horror de toda a história humana, onde tantas depravações e atrocidades foram cometidas, em nome de uma ideologia pérfida, hostil e egoísta, que lutava por maior concentração de poder político. Novamente questiono: o que há para celebrar? O que a revolução bolchevique fez pelo mundo, senão implantar sinistros, agressivos e mortíferos regimes ditatoriais, e perpetrar mortandades nunca antes vistas na história?  

Regimes comunistas no mundo inteiro foram responsáveis pelas maiores campanhas de genocídio perpetradas na história humana. Depois de deflagrar o golpe que derrubou a família real dos Romanov, os bolcheviques principiaram a organizar o estado de acordo com os princípios marxistas estabelecidos pelos mandatários do partido, sendo o teórico Vladimir Lênin – cujo nome de batismo era Vladimir Ilyich Ulyanov – o mais notório deles. Não obstante, dissensões políticas, teóricas e ideológicas dentro do Politburo logo começaram a inflamar as lideranças, que ficaram divididas, e passaram a hostilizar-se mutuamente. Em questão de pouco tempo, ficou evidente que existia uma disputa pelo poder ocorrendo dentro do partido. Poder, uma inerente mácula ordinária e maledicente, decorrente do egocêntrico e tirânico comportamento humano, intrínseco a todos os indivíduos envolvidos na esfera política.   

Um indivíduo que ficou conhecido como Stálin – cujo nome de batismo era Ioseb Besarion Jughashvili –, que começou sua “carreira” revolucionária como assaltante de banco para financiar o movimento comunista, a princípio, era uma figura inócua, cinzenta e periférica dentro do partido, pateticamente comum, que destacava-se, na melhor das hipóteses, pela sua peremptória mediocridade. Com o passar do tempo, subindo posições com paciência, Stálin passou a ter cada vez mais importância ao tornar-se próximo de Lênin, visitando-o regularmente quando este ficou doente, e tendo, em decorrência disso, ficado impossibilitado de comparecer aos compromissos políticos. Em questão de algum tempo, ficou evidente que Stálin manipulava as lideranças do partido, criando agressivas e arguciosas discórdias para jogar uns contra os outros, através de um astuto jogo de poder e manipulação que terminou por alçá-lo como o inconteste líder partidário. Ao perceber como Stálin era um indivíduo hostil, perigoso, egocêntrico e faminto pelo poder, a amizade que existia entre ambos começou a se deteriorar. Lênin tentou impedir a ascensão de Stálin no Politburo, mas até dar-se conta da grave ameaça que este representava, era tarde demais. Neste período, Lênin faleceu em decorrência de saúde precária, e desta maneira, o caminho para Stálin até o poder consolidou-se de forma definitiva. A partir deste ponto, a ascensão de Stálin no Politburo permaneceria incólume. De uma forma ou de outra, ele eliminaria todos os seus rivais políticos, até tornar-se o líder supremo do partido. Eventualmente, ele ascenderia ao mais elevado escalão do poder, tornando-se o ditador da União Soviética, assim permanecendo por mais de vinte e cinco anos, até a sua morte, em 1953. Seu regime, essencialmente hostil, brutal, autoritário, inflexível e tirânico, foi o responsável pela morte de aproximadamente quarenta milhões de russos.

Os regimes comunistas que estabeleceram-se em diversas nações no decorrer do século 20 foram responsáveis por perpetrar as atrocidades mais inomináveis, pérfidas, aflitivas e agressivas registradas na história humana. Como uma mortífera enfermidade que se alastra de forma incongruente, desordenada, infame e fatal, o marxismo difunde horror, crueldade e brutalidade aonde quer que vá, e dissemina a miséria e a escassez de maneira implacável, sendo esta sua marca mais indelével. O Holodomor, a Grande Fome da Ucrânia – que, neste período, sendo uma das nações constituintes da União Soviética, atendia pela nomenclatura de República Socialista Soviética Ucraniana –, ocorreu como consequência direta do sistema stalinista de coletivização da produção agrícola. Como forma de punir os ucranianos por exigirem certa autonomia social e cultural, o que seria, no mínimo, um direito básico, o governo central soviético deliberadamente condenou a nação ucraniana a um regime de servidão e escassez de alimentos que matou mais de quatorze milhões de pessoas. Quase duas décadas e meia depois, isto se repetiria de forma ainda mais intensa na China comunista. Especula-se que no curto período de dois anos, entre 1959 e 1961, a Grande Fome da China tenha exterminado aproximadamente cinquenta e cinco milhões de indivíduos. Deflagrada em decorrência do Grande Salto Adiante, projeto desenvolvimentista que deu completamente errado, a produção e a distribuição de alimentos na China de Mao Tsé-Tung durante este período tornou-se tão precária, irrisória e insuficiente – como consequência do malfadado sistema de planejamento centralizado –, que acabou gerando a maior catástrofe humanitária da história. Nestas duas sofríveis e monumentais tragédias de proporções grotescas, relatos de canibalismo tornaram-se ostensivamente comuns.

No entanto, muito mais exemplos poderiam ser citados. No Camboja do ditador Pol Pot, cujo regime comunista durou apenas quatro anos – 1975 a 1979 –, aproximadamente três milhões de cambojanos morreram. O Camboja, diminuto país do sudeste asiático, que na época contava com uma população estimada em oito milhões de habitantes, sofreu na pele as dramáticas e agressivas imposições de um governo totalitário, que dizimou um terço da população. Os esfaimados cambojanos sucumbiram em decorrência da desnutrição progressiva, de um ostensivo regime de trabalhos forçados e da completa e total ausência de cuidados médicos. Nos anos 1990, a Coréia do Norte passou pelas mesmas dificuldades. Milhões de norte-coreanos pereceram em consequência de um dramático período de escassez de alimentos. Hoje, a Venezuela trilha, infelizmente, o mesmo caminho sórdido, perverso, destrutivo e precário.

Regimes comunistas são, comprovadamente, a maior fonte de sofrimento e escassez que existe ou existiu sobre a face da Terra, além da principal fonte de miséria no continente africano. Embora muitos desconheçam este fato, na África, a pobreza sempre foi uma consequência direta de tirânicos regimes comunistas. Para citar apenas um exemplo, na Etiópia do ditador Mengistu Haile Mariam, enquanto a população literalmente morria de fome, e o governo proibia terminantemente a autonomia de comerciantes interessados em estabelecer um regime de livre mercado – impossibilitando assim a população de adquirir alimentos fora da esfera de atuação governamental – a maior parte do tesouro era investida na aquisição de armas e na expansão militar. Dedicando-se a exterminar opositores políticos, e negligenciando completamente uma população esfaimada, esquálida e faminta, durante o brutal governo genocida de Mariam, aproximadamente setecentos e cinquenta mil etíopes foram dizimados.  

A revolução russa – que prefiro chamar de destruição bolchevique – completou um século este ano. E novamente questiono: fome sistêmica, totalitarismo, regimes ditatoriais e cento e cinquenta milhões de mortos... Afinal, o que há para celebrar? 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.