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Capitalismo de livre mercado e o retorno à verdadeira ortodoxia econômica

Capitalismo de livre mercado e o retorno à verdadeira ortodoxia econômica

No decorrer do século 20, o mundo testemunhou a ascensão de uma perniciosa ideologia econômica e política que gradualmente tomou conta do mercado, e que usufruiu de um amplo e irrestrito alicerce político e acadêmico para, aos poucos, desmantelar a ortodoxia de um sistema econômico mais próximo da ordem natural. O Laissez-faire gradualmente foi suplantado por uma escola de pensamento econômico heterodoxa — de natureza mais agressiva e arbitrária —, baseada inteiramente em intervenções governamentais, criação artificial de crédito e expansão da oferta monetária.

Ou seja, em poucas palavras, podemos dizer que o capitalismo de livre mercado foi paulatinamente substituído pelo keynesianismo em um longo processo que, evidentemente, levou décadas para ser amplamente difundido e normalizado. Infelizmente, com o passar do tempo o keynesianismo logrou êxito, e passou a usufruir de grande aceitação nos meios acadêmicos mainstream, sendo apregoado como uma espécie de "verdade econômica absoluta".  

Nos Estados Unidos — um país reconhecido por seu sistema econômico mais próximo do livre mercado—, essa expansão ficou mais inextrincável, aguda e estrondosa depois do New Deal, uma série de políticas intervencionistas que foram implantadas pelo presidente Franklin Delano Roosevelt. A crise de 1929 foi responsabilizada como uma tragédia causada pelo livre mercado; a partir de então, governos no mundo inteiro usaram-na como pretexto para realizar intervenções cada vez mais pungentes, incisivas e despóticas na economia, com a prerrogativa de proteger a população de instabilidades.

Basicamente, governos se sentiam no direito de "proteger" as pessoas das volatilidades, instabilidades e ingerências do mercado, que não poderia ser deixado "livre", porque dessa maneira causaria danos à sociedade. O mercado precisava ser controlado por governantes "puros", "honestos" e "íntegros", preocupados com os seus cidadãos. Esse discurso facilmente encontrou eco em populações desesperadas, excessivamente depauperadas pela recessão que começou em 1929. Como em sua maioria eram analfabetos econômicos, não era difícil convencer uma grande parcela da população que o livre mercado era "perigoso", e que intervenções governamentais eram necessárias para proteger a sociedade. 

Evidentemente, todas essas justificativas nunca passaram de uma deplorável desculpa para realizar intervenções sistemáticas na economia, de maneira a favorecer determinados cartéis, conglomerados e corporações com conexões políticas. Assim, as empresas de oligarcas poderosos poderiam se transformar em monopólios onipotentes, e verdadeiros impérios econômicos acabaram sendo edificados graças a intervenção governamental, manipulada de maneira a favorecer sempre uma plutocracia de magnatas poderosos e influentes. 

Mas se é tão pernicioso e destrutivo no longo prazo, por que o keynesianismo se tornou tão popular?

De uma maneira ou de outra, o keynesianismo aparentemente beneficia o crescimento econômico porque coloca estado e governo em primeiro plano como os principais atores da produtividade industrial. Valendo-se das possibilidades oferecidas pelo estado — como expansão monetária e criação de crédito —, a economia propagada pelos vetores keynesianos gera crescimento. 

Mas não é um crescimento econômico sólido, plausível ou sustentável. O que os keynesianos recusam-se a admitir é que a sua teoria de estimação, além de imoral, está saturada de incoerências, contradições e deformidades. Podemos dizer efetivamente que todas as premissas do keynesianismo se alinham para resolver problemas no curto prazo, enquanto ignoram sistematicamente os problemas que serão gerados no médio e no longo prazo. O que acontece é que depois que determinadas intervenções econômicas são aplicadas, segue-se um período de bonança — totalmente artificial —, depois do qual sempre vem uma recessão monumental. 

Quando a recessão chega, normalmente, coloca-se a culpa no "livre mercado", jamais nas medidas intervencionistas keynesianas que foram adotadas e ridiculamente levadas adiante. O problema fundamental do keynesianismo vem do fato dele ser um vetor axial de desenvolvimentismo, que gera inextrincavelmente uma série de problemas. Os planejadores centrais colocam em ação uma série de projetos que não são orgânicos, pois não são criados de acordo com a real necessidade das pessoas, e nem sequer são construídos com recursos reais, mas com a expansão de crédito dos bancos centrais. 

Um ótimo exemplo a ser citado nesse caso é a China. 

Há décadas, o governo chinês, além de inúmeras edificações, estabelecimentos e projetos mirabolantes de engenharia, constrói aproximadamente dez cidades por ano, que em sua maioria permanecem vazias e desabitadas. Algumas dessas cidades até possuem um certo número de habitantes, mas nunca chegam a atingir nem sequer a mais ínfima proporção do seu real potencial populacional. Por exemplo, Kangabashi, localizada no norte da China, tem potencial estimado para aproximadamente 300 mil habitantes. No entanto, possui um número de residentes estimado entre 20 e 30 mil. Tianducheng — também conhecida como Pequena Paris — possui potencial para abrigar aproximadamente 100 mil pessoas. No entanto, tem apenas 2 mil residentes. 

Esse é um problema crônico das inúmeras cidades que o governo chinês constrói, ano após ano. Apesar de ser o país mais populoso do mundo, o governo nunca conseguiu oferecer estímulos convicentes que motivassem as pessoas a se mudarem em grande quantidade para essas cidades, de maneira que nenhuma delas jamais sequer chegou perto de atingir o seu real potencial populacional; por essa razão, permanecem, em sua maioria, como sombrias e desérticas cidades fantasmas.

Por mais que o governo ofereça estímulos e facilidades diversas para as pessoas se mudarem para essas cidades, elas permanecerão, em sua maioria, quase que completamente desabitadas. Isso pode ser explicado pelo fato de que cidades devem ser formadas e construídas naturalmente; devem surgir de acordo com as necessidades reais das pessoas, e não conforme projetos arquitetônicos retumbantes e megalomaníacos de planejadores centrais desconectados da realidade. 

De nada adianta construir centenas de casas ou milhares de edifícios de apartamentos em uma determinada região, se lá não existem fábricas para as pessoas trabalharem, restaurantes para as pessoas comerem ou um cinema para as pessoas se divertirem. Se não há possibilidades efetivas de sustentar a vida, é evidente que uma cidade planejada irá fracassar. Governos autocráticos — com seus sistemas de planejamento central — jamais levam os fatores humanos mais elementares em consideração. Da perspectiva deles, é natural que seja assim. Como eles não operam de acordo com as leis de mercado, não precisam agradar ninguém, a não ser eles próprios. Os planejadores centrais não possuem clientes reais, que eles deveriam, por obrigação, deixar contentes e satisfeitos. Eles não estão sujeitos às leis de mercado; portanto, podem gastar os recursos que tem à sua disposição da maneira que julgarem melhor. Por essa razão, os agentes governamentais estarão mais preocupados com os resultados gráficos de suas planilhas e metas corporativas. Não estarão efetivamente preocupados com o elemento humano, que jamais é levado em consideração. 

Construir cidades, uma após a outra, mesmo que permaneçam desabitadas, não é problema nenhum para o governo chinês. Enquanto essas cidades forem construídas, o Produto Interno Bruto do país permanecerá elevado. Para os planejadores centrais, isso é tudo o que importa. A "aparência" de desenvolvimento acaba sendo mais importante e até mesmo mais desejável do que o desenvolvimento em si — um desenvolvimento real, que deveria acontecer naturalmente, de acordo com necessidades humanas reais, e que só pode ocorrer de forma orgânica, espontânea e horizontal. Não obstante, como um seleto grupo de pessoas enriquece avidamente com isso — proprietários de empreiteiras, corporações, indústrias e imobiliárias —, evidentemente, os envolvidos lutarão arduamente para perpetuar esse sistema. 

Esse tipo de projeto promove uma destruição de riquezas sem precedentes, porque depois que as construções são concluídas, elas não renderão absolutamente nada. Não darão vazão ou continuidade a alguma atividade comercial rentável e lucrativa. Pelo contrário, essas propriedades não serão vendidas, leiloadas ou alugadas. A grande maioria ficará ao relento, deteriorando, totalmente abandonadas, e — como é o caso de várias edificações de luxo no distrito de Zhangmutou — desaparecem em meio ao matagal que não pára de crescer.

E não são apenas apartamentos e residências que estão nestas condições, mas centros comerciais, shopping centers, parques de diversões e cidades inteiras, totalmente vazias, deteriorando-se de forma inexpugnável, tudo para saciar insólitos projetos desenvolvimentistas megalomaníacos e narcisistas, de burocratas despóticos e gananciosos, que jamais buscaram desenvolvimento real e concreto.   

E qual é o resultado de todo esse colossal desenvolvimentismo desenfreado, ilimitado e sempre expansivo? Invariavelmente, a total ruína econômica. Em apenas três anos, a China consumiu mais concreto do que os Estados Unidos em todo o século 20. Com as devidas proporções, é possível ter uma boa noção do quão megalomaníacos e faraônicos são os projetos arquitetônicos chineses. O resultado de toda essa expansão material artificial, incoerente e sem sentido é simplesmente nefasta. Hoje, a China tem 63 milhões de apartamentos vazios, o que acabou criando uma das maiores bolhas imobiliárias da história. Isso tem enorme potencial para gerar uma crise financeira que pode ser a catalisadora da maior recessão econômica de todos os tempos. 

A verdade é que o keynesianismo fracassou — e não apenas fracassou de forma estrondosa, como é, em toda a sua essência, inerentemente imoral, nefasto e absolutamente contraproducente. O keynesianismo, no seu apoio desmesurado ao desenvolvimentismo e a gastos ilimitados do governo, contribuiu para que o eixo axial da economia, o empreendedor, fosse ostensivamente marginalizado, sendo relegado a um ator econômico secundário, de importância menor. Posteriormente, com a ascensão de depravadas ideologias de esquerda, o empreendedor passou a ser desprezado e vilipendiado, sendo considerado um indesejável vetor da exploração capitalista.   

O empreendedor, no entanto, à despeito do que inúmeras ideologias afirmam, é o eixo axial da economia. É ele que — ao montar uma empresa,  e ter capacidade para investir nela em virtude de capital acumulado —, coloca diversas cadeias de produção em atividade. Um fabricante de cadeiras, por exemplo, vai precisar de plástico, aço, alumínio, parafusos e ferramentas para montar os seus produtos; isso só para citar apenas os materiais básicos que serão utilizados em sua cadeia de produção. Para ter uma boa capacidade produtiva, ele vai precisar contratar mão de obra especializada, e sua cadeia produtiva deverá ser dividida em um determinado número de processos, de acordo com as diversas funções necessárias exigidas pelas várias etapas de fabricação do seu produto, além do que for necessário para o empreendedor em questão manter a sua empresa, no que diz respeito à aspectos burocráticos, e também com custos de manutenção.

Ele vai precisar de um almoxarife para trabalhar no almoxarifado, vai precisar de um funcionário na expedição para receber material dos fornecedores e fazer a entrega dos materiais prontos para as transportadoras, vai precisar de um administrador para calcular as despesas e a receita, além de emitir as notas fiscais, vai precisar de um contador para justificar sua receita perante o governo e mostrar que seu empreendimento está dentro da legalidade, vai precisar de um setor de qualidade que teste a resistência do seu produto, verificando se ele se enquadra com as normas de segurança e regulações vigentes, além de uma série de outros funcionários que deverão desempenhar funções altamente necessárias; dependendo também, é claro, do tamanho da sua empresa.

Evidentemente, o empreendedor em questão não vai fabricar todas as coisas de que sua empresa necessita; portanto ele terá inúmeros fornecedores, que venderão a ele tudo aquilo de que ele necessita para montar as suas cadeiras. Dessa forma, sua empresa irá estabelecer uma vasta e intrincada rede de conexões diretas e indiretas, que são a matéria-prima da produtividade do mercado. Se a empresa desse indivíduo for bem sucedida, muitas outras pessoas irão se beneficiar com isso, tanto direta quanto indiretamente. Se a demanda aumentar, ele vai precisar contratar mais funcionários. Com mais receita, ele também irá consumir muito mais material dos seus fornecedores, que também passarão a vender mais, e consequentemente irão enriquecer mais. Como se vê, o sucesso de uma empresa pode significar o sucesso de muitas outras empresas e também de profissionais autônomos e liberais. Um bom empreendimento gera toda uma cadeia produtiva de prestadores de serviços diretos e indiretos, que acabam formando uma intrincada rede de colaboração voluntária. 

Um cenário desses, no entanto, só é possível aonde existe respeito pela iniciativa privada e um grau salutar de liberdade econômica. Com a erosão desses elementos fundamentais — que geralmente são substituídos pelo intervencionismo estatal ou por planos governamentais desenvolvimentistas —, temos a conformação de um sistema econômico de caráter extremamente artificial, que geralmente coloca o governo como o principal vetor da atividade econômica. Essa é a receita para o desastre. Quando o empreendedor é deixado de lado, e um sistema de planejamento central econômico é imposto arbitrariamente sobre a sociedade pelas corporações que dominam o estado, a erosão da prosperidade tem início. Consequentemente, uma expressiva fatia do mercado acaba ficando concentrada nas grandes corporações, que, com o auxílio do estado, invariavelmente se transformam em monopólios titânicos. Como o estado beneficia grandes empresas em detrimento das pequenas e médias, o intervencionismo provoca uma inevitável e contundente cartelização do mercado.

Décadas de keynesianismo tiveram um efeito dramático no desenvolvimento econômico. Gradualmente, o empreendedor — o eixo central da economia baseada em um sistema mais próximo da ordem natural — foi paulatinamente suplantado e substituído por projetos intervencionistas de burocratas e economistas heterodoxos, com suas planilhas histriônicas e cartilhas fajutas, inteiramente baseadas em concessões de créditos, expansão da oferta monetária, manipulação da taxa de juros, e redistribuição de renda, entre outros dogmas deturpados e pseudocientíficos, que promulgam enorme concentração de poder e recursos no estado, na mesma proporção que veem o empreendedor livre e desimpedido como um obstáculo aos seus projetos centralizadores e oligárquicos.  

O resultado de uma nação com economia planejada e centralizada será sempre o mesmo — uma elite de burocratas e corporativistas que são extremamente ricos, e usufruem de amplos poderes políticos e econômicos sobre uma população majoritariamente pobre. Ou seja, uma perfeita descrição do que são países como China e Brasil. 

Mas então, se a China e o Brasil são exemplos de tudo aquilo que não deveríamos fazer, qual seria um exemplo prático a ser seguido? 

O de Hong Kong, no príncípio da década de 1960. 

Naquela época, Hong Kong era uma colônia britânica; não estava, portanto, sob domínio da China, que naquele período vivia os horrores nefastos da ditadura maoísta, que — com o seu sistema de planejamento central —, matou centenas de milhões de chineses de fome; consequência do temerário Grande Salto Adiante, um deplorável, irrealista e megalomaníaco projeto desenvolvimentista, que resultou na Grande Fome da China, uma das maiores carnificinas famélicas da história humana.

Naquela época, Hong Kong era encarada como um refúgio. Muitos chineses fugiam da China continental e buscavam refúgio da tirania comunista em Hong Kong, onde podiam encontrar um certo nível de paz e prosperidade. Lá, os indivíduos podiam trabalhar e empreender em paz, sem temer o exército vermelho acusando-os de serem contrarrevolucionários burgueses, a serem provavelmente executados por um pelotão de fuzilamento. 

Em 1961, John James Cowperthwaite se tornou o procurador de Hong Kong. As autoridades britânicas exigiram que ele elaborasse um projeto que priorizasse o desenvolvimento econômico da ilha. Depois de pouco tempo, no entanto, Cowperthwaite reparou que o comércio e a indústria de Hong Kong se desenvolviam muito bem sem nenhum tipo de intervenção estatal ou regulação econômica. Por conseguinte, ele constatou, corretamente, que era justamente a liberdade — ou seja, a ausência de regulações, barreiras comerciais, imposições tarifárias e restrições governamentais — que propiciavam à ilha a capacidade de desenvolver-se. Como isso invariavelmente gerou um ambiente de prosperidade, Cowperthwaite decidiu que lutaria para que Hong Kong continuasse assim, sendo um local de livre comércio, livre produtividade e pleno desenvolvimento. Ele recusou-se a aceitar até mesmo a implementação de tarifas protecionistas para beneficiar a produção local. Quem quisesse importar material mais barato do exterior era livre para fazê-lo. Posteriormente, esse ambiente de ampla liberdade econômica difundida por ele ficou conhecida como não-intervencionismo positivo

Evidentemente, Cowperthwaite teve que lutar muito para impedir que as autoridades britânicas arruinassem o ambiente de prosperidade que ele estava lutando para estabelecer na ilha. Quando solicitavam a ele que compilasse dados e estatísticas, Cowperthwaite se recusava de forma intransigente, alegando aos seus superiores que eles usariam essas informações para planejar a economia da colônia. 

Cowperthwaite de fato lutou com unhas e dentes para impedir o intervencionismo político de crescer na ilha. Hong Kong deveria permanecer um local com policiais e delegacias para fazer a segurança da população e garantir os direitos de propriedade. Nada mais do que isso. Por essa razão — em virtude do elevado grau de liberdade econômica que foi possível arregimentar ali — Hong Kong se tornou o local mais economicamente livre do mundo, sendo assim até hoje. Embora, com o avanço da tirania do Partido Comunista Chinês, que busca dominar a ilha de forma plena e absoluta, essa liberdade tem se deteriorado de forma contumaz, e infelizmente parece que não vai durar muito tempo.  

A deterioração da liberdade econômica paulatinamente se agravou na últimas décadas, ao menos até certo ponto. É possível conter a intervenção estatal por algum tempo, mas invariavelmente ela acaba tomando conta da sociedade; pois o estado sempre estará em um movimento de expansão contínua e irrefreável. Em Hong Kong, determinadas segmentos do mercado — como o imobiliário — acabaram sendo totalmente cartelizados por corporações que dominaram o estado. Em alguns setores, o capitalismo de livre mercado foi completamente erodido e suplantado pelo capitalismo clientelista. 

Além do mais, o governo central de Pequim atualmente está ostensivamente empenhado em dominar completamente Hong Kong. Desde o ano passado, inúmeros protestos vem acontecendo, porque o governo local tenta aprovar resoluções que aumentam substancialmente o poder do governo central sobre a ilha. Essas resoluções dilaceram de forma considerável a autonomia e a liberdade dos habitantes de Hong Kong, que passarão a ser governados pelo despótico e totalitário Partido Comunista Chinês.

Tudo o que a população não quer, pois está a um passo para deixar de ser uma das sociedades mais livres do mundo, para se tornar uma região totalmente dominada pela pior ditadura totalitária que existe hoje. Por essa razão, inúmeros protestos vem acontecendo em Hong Kong desde o ano passado. Os habitantes da ilha estão lutando ativamente para tentar preservar a sua liberdade, embora inúmeros ativistas tenham sido presos, e tantos outros afirmem que é só uma questão de tempo até o governo totalitário de Pequim dominar inteiramente Hong Kong. O que a população está tentando fazer é prorrogar ao máximo esse nefasto projeto de dominação política capitaneado pelo Partido Comunista Chinês.  

Hong Kong foi devolvida aos chineses e deixou de ser colônia britânica em 1997. As autoridades britânicas o fizeram com a condição de que o governo chinês respeitasse as liberdades e a autonomia de Hong Kong por no mínimo 50 anos. Ou seja, o governo chinês não poderia interferir politicamente na ilha antes de 2047. Embora o governo totalitário tenha respeitado a soberania de Hong Kong por pouco mais de duas décadas, é evidente que eles não esperariam 50 anos para tentar exercer um domínio absoluto sobre a região.  

Com o domínio chinês, Hong Kong invariavelmente deixará de ser o refúgio econômico liberal que fora até então. Se a ilha tiver o seu sistema econômico — que é o mais livre do mundo — substituído pelo sistema de planejamento central padrão do governo chinês, isso invariavelmente irá desencadear uma grande fuga de capital, além de um amplo declínio da prosperidade e da atividade produtiva. O que será lastimável, para dizer o mínimo.

Com a dilaceração e a desintegração de um ambiente que propicia prosperidade, a fuga de capital e de produtividade é iminente. Quando há falta de consideração com o empreendedor e a ortodoxia da ordem econômica natural, o resultado final será invariavelmente a catástrofe e o caos. Com a ausência de produtividade e empreendedorismo, haverá desemprego, o que fatalmente irá gerar pobreza e miséria sistêmica. 

Inavariavelmente, o planejamento central do Partido Comunista entrará em ação para dominar a ilha economicamente. Mas tudo o que esse sistema faz é enriquecer os burocratas, corporativistas e capatazes que são os líderes desses projetos desenvolvimentistas, ao passo que empobrecem sistematicamente a população; na melhor das hipóteses, esses avatares do capitalismo político jogarão algumas migalhas aos habitantes de Hong Kong, para mostrar ao povo como eles são gestores "bons", "competentes" e "magnânimos". 

Governos tem a megalomania de achar que podem fazer melhor o que só agentes produtivos movidos pela ordem natural da oferta e da demanda são capazes de realizar. O único verdadeiro legado do keynesianismo foi propiciar o protagonismo de burocratas na área econômica, que destruíram enormes quantidades de riquezas produzindo coisas inúteis que ninguém queria comprar. Muito diferente do empresário, que tenta — com o menor custo, porém com a maior qualidade e o maior valor agregado possível —, saciar uma determinada demanda que apenas a genuína necessidade humana pode tornar produtiva e eficiente.  

Precisamos tirar os burocratas do caminho e substituí-los por empreendedores. A sociedade precisa de menos políticos e de mais empresários. São os agentes construtivos da sociedade que podem efetivamente gerar progresso, prosperidade e desenvolvimento. Burocratas geram dificuldades, arbitrariedades, despesas, estagnação, paralisia e tirania. No entanto, apenas com um ambiente de segurança jurídica — onde existe amplo respeito à propriedade privada, ao capital privado e aos direitos naturais —, empresários se sentirão seguros e confiantes para produzir. 

Quando governos acham que podem fazer melhor o que só os agentes produtivos do mercado efetivamente são capazes de realizar, o resultado inevitável é o utilitarismo sombrio, inútil e vazio do desenvolvimentismo, que é simplesmente o agenciador de um enorme e deplorável desperdício de riquezas e destruição de capital.    

Quando o empreendedor não é respeitado, a dilaceração do ambiente produtivo é inevitável. Com a marginalização do empreendedor, tudo o que resta é corporativismo estatal — que beneficia apenas um determinado grupo de pilantras — e expansão da miséria e da pobreza para o restante da população. 

A civilização só pode evoluir, progredir e se desenvolver — na verdade, sequer existir — se os agentes produtivos não estiverem subordinados ao despotismo e a tirania de parasitas políticos que nada fazem, a não ser espoliar de forma sistemática a população através do Leviatã. Foi a gradual marginalização de uma economia de mercado ortodoxa, baseada na produtividade, no capital privado e no direito natural, e sua eventual substituição pelo keynesianismo, planejamento central, corporativismo oligárquico, capitalismo político e politização dos agentes produtivos que nos conduziu à beira do precipício em que nos encontramos hoje, onde produzir, comercializar e vender se tornou praticamente um crime inafiançável e a autorização e a benção do Levitã são necessárias para absolutamente tudo. Apenas quem possui as conexões políticas certas, no entanto, consegue obter os alvarás, as licenças, as concessões e as autorizações necessárias. Normalmente, o Leviatã só concede essa autorização aos magnatas das grandes corporações, sendo absolutamente inacessível ao empreendedor comum, que é encarado pelas autoridades governamentais como um player de menor importância.  

Esse sistema — que prejudica ostensivamente empreendedores individuais, além de pequenos e médios empresários — e beneficia exclusivamente oligarcas e corporativistas com conexões políticas é tão imoral e nefasto quanto indesejável e contraproducente. É um sistema que trava todo o progresso e desenvolvimento econômico, para que apenas alguns agentes, devidamente aprovados e empossados pelo estado, possam ter o monopólio exclusivo do comércio e da manufatura de bens e commodities. Em um ambiente tão nefasto e tóxico ao desenvolvimento, o retrocesso e a estagnação serão sempre uma realidade. E a criminalização da atividade humana produtiva, ao menos o de pequenos empreendedores que não possuem conexões estatais, será algo inevitável. 

Precisamos nos opor vigorosamente ao estado, ao governo, às grandes corporações, que são diferentes tentáculos do mesmo sistema, e começar um retorno — dentro da medida do possível — ao laissez-faire. Este é não apenas infinitamente mais moral, ético e correto, como também promove a produtividade e a interaçção pacífica entre os diferentes atores que compõem a sociedade humana. O nível de degradação, destruição, imoralidade, estagnação, ruína e depauperamento causado pelo keynesianismo foi tão imensurável que chega a ser surpreendente que tantas pessoas hoje o defendam. Mas não é para menos que o keynesianismo permanece sendo ainda tão difundido e defendido.

Muitas das pessoas que o fazem são integrantes do sistema — industriais, políticos, acadêmicos, corporativistas, oligarcas —, e evidentemente esses indivíduos lutarão com unhas e dentes para que o sistema continue exatamente como está. Suas posições de destaque e notoriedade, as fortunas que fazem, as medalhas, os prêmios e as condecorações honoríficas inúteis que recebem dependem de manter o sistema exatamente como ele é, exatamente como ele está. Portanto, essas pessoas criticarão o livre mercado e o laissez-faire em todas as ocasiões possíveis, argumentando que este sistema é ruim e não leva os pobres em consideração. Essas pessoas sabem que em um sistema descentralizado e livre, onde elas não usufruem de nenhuma espécie de protecionismo das autoridades políticas e governamentais, elas empobreceriam rapidamente.

Essas pessoas que aparentemente amam os pobres e por isso desejam protegê-los das agruras do liver mercado na verdade lutam para manter a sua própria riqueza, que só pode ser mantida à custa de muito protecionismo. Em um sistema laissez-faire, são justamente os pobres que ficam ricos. Sem pobres para "defender" ou "proteger", não existirão motivos que justifiquem a defesa de um estado soviético paternalista, que as elites de oligarcas poderão manipular de acordo com as suas vontades, para beneficiar as suas corporações e os seus conglomerados. 

Essas pessoas temem o livre mercado, porque em um regime de livre mercado seria muito mais difícil para elas se manterem intocáveis e onipotentes. Sem um estado que faça inúmeras concessões para protegê-las, essas empresas teriam que se adaptar. Deveriam fornecer produtos e serviços de ótima qualidade ou rapidamente seriam devoradas por empresas mais capazes, éticas e produtivas.

Um sistema de planejamento central — como o que existe em países como China e Brasil — beneficia os oligarcas e políticos da elite, enquanto mantém o resto da nação refém de pobreza e miséria sistêmicas. Resgatar o laissez-faire é importantíssimo, não apenas por ser um sistema mais ético, funcional e descentralizado, como de fato propicia um nível de crescimento e prosperidade salutar, coeso e racional. Crises poderão vir, mas sem os efeitos e as sequelas da intervenção estatal, elas também serão muito mais rápidas e fáceis de solucionar.       

O keynesianismo, além de destruir a prosperidade e difundir um nível de progresso artificial que eventualmente se transforma em uma recessão escabrosa e terrível, destrói não apenas a prosperidade presente, mas todas as perspectivas de prosperidade futura para os atores produtivos do mercado, especialmente empreendedores individuais, e pequenos e médios empresários. 

Analisado de uma perspectiva inteiramente sóbria e factual — não apenas cíclica —, o keynesianismo pode sim, ser descrito como um crime contra a humanidade. Seu vetor produtivo beneficia um pequeno grupo de líderes políticos e oligarcas, enquanto condena populações inteiras à mais extrema pobreza e escassez. Como descrito acima, e repito agora, o keynesianismo destrói o presente e compromete o futuro, em nome de uma arrogância elitista de gestores autoiluminados, que acreditam serem dádiva de Deus para a humanidade. 

Isso faz com que o Laissez-faire não seja apenas uma questão meramente econômica, mas uma revolução necessária fundamental para o resgate da civilização. 

Vamos observar Hong Kong — um dos pouquíssimos pilares de liberdade que ainda resta ao mundo civilizado — ser totalmente erodido e dominado pela ditadura chinesa, ou vamos nos mexer e fazer alguma coisa? 

Eu estou com medo, quero muito me levantar da cadeira e começar a agir na prática, ao invés de ser apenas um teórico que estuda e escreve textos. Eu sou apenas um indivíduo, não posso mudar o mundo ou o sistema sozinho. 

Mas de uma coisa eu sei. Não vou ficar de braços cruzados observando silenciosamente o avanço da tirania. Estou disposto a morrer lutando. 

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Sobre Mim

Sobre Mim

O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.