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Capitalismo clientelista – Uma grande barreira ao desenvolvimento econômico

Capitalismo clientelista – Uma grande barreira ao desenvolvimento econômico

O capitalismo clientelista — também conhecido como Crony Capitalism em inglês — é uma modalidade de capitalismo vulgarmente conhecida como capitalismo de compadrio ou capitalismo de laços, onde corporações e grandes conglomerados capturam o aparato regulatório do estado para seu próprio benefício. Isso pode ocorrer de diversas formas e maneiras. Normalmente, corporativistas compram ou subornam políticos financiando suas campanhas. Estes, quando são eleitos, devolvem o favor beneficiando a corporação que os auxiliou através de subsídios fornecidos por bancos estatais, como o BNDES, e arregimentando regulações protecionistas para que a grande corporação se torne um monopólio onipotente e domine o mercado no seu respectivo segmento.  

O capitalismo clientelista prejudica o desenvolvimento econômico, por ser essencialmente um arranjo que se posiciona contra o livre mercado. Ao impedir o estabelecimento de empresas concorrentes através de obstáculos regulatórios e burocráticos, a corporação favorecida pelo governo tem o caminho livre para se tornar um grande monopólio. Assim, ela não precisa se esforçar em fazer produtos de qualidade para agradar os seus clientes. Basta agradar os políticos e os burocratas do estado. A corporação pode fazer produtos de qualidade duvidosa ou questionável sem nenhum problema. Como ela é sustentada através de subsídios, e tem toda uma fatia de mercado só para ela — afinal, as barreiras regulatórias e burocráticas asfixiaram potenciais competidores —, não é necessário oferecer um produto de qualidade para se manter no mercado. O público consumidor vai se sujeitar a comprar os produtos dessa corporação, em decorrência da falta de opções disponíveis. 

O que não faltam aqui no Brasil são exemplos que se enquadram perfeitamente nessa categoria. A JBS, por exemplo, se associou ao governo federal brasileiro há muitos anos atrás, e em decorrência dessa simbiose, pôde monopolizar o mercado de carnes no Brasil. A Delta Construções — empresa de Fernando Cavendish — fez exatamente a mesma coisa. Associando-se com criminosos como Carlinhos Cachoeira e subornando políticos de forma sistemática, a Delta Construções ganhava licitações para a construção de obras públicas em todos os níveis, municipal, estadual e federal. Durante a presidência de Fernando Cavendish, a empresa aumentou o seu patrimônio em 20 vezes. Mais de onze bilhões de reais em dinheiro público circularam pela empresa; deste montante, aproximadamente 370 milhões foram surrupiados pelos gestores da empresa e líderes do esquema fraudulento. A Polícia Federal desbaratou o esquema de corrupção sistêmica através da Operação Saqueador.     

Em função da simbiose que empresas privadas realizam com o estado, o capitalismo clientelista acaba sendo um enorme catalisador de corrupção sistêmica. No Brasil, situações dessa natureza tornaram-se corriqueiras porque — em virtude do fato de termos um gigantesco estado soviético — as possibilidades para a prática de todo o tipo de transações e negócios ilícitos são simplesmente imensas. Quanto maior for o estado, maiores serão as possibilidades para a prática da corrupção.   

Além do mais, inúmeros empresários perceberam que para se fazer sucesso no Brasil, é mais fácil subornar alguns políticos, do que fabricar produtos de qualidade. Isso se deve ao fato do ambiente de negócios ser muito insalubre no Brasil, por ter sido brutalmente asfixiado pela burocracia estatal e por uma miríade de regulações tão complexas quanto desnecessárias. Então — para muitos empresários —, não faz nenhum sentido se matar de trabalhar, gastar milhões em maquinário e equipamento de ponta, correndo o risco de ter enormes prejuízos e nenhum retorno sobre o seu investimento, se ele pode simplesmente comprar meia dúzia de políticos, que irão regular o mercado para favorecê-lo com barreiras protecionistas, que irão engessar o mercado e destruir competidores menores. No Brasil, a segunda opção sempre foi a mais viável. Gera grande economia de custos, investimentos e tempo. 

E não devemos nos surpreender. O SISTEMA FOI CRIADO DELIBERADAMENTE PARA FAVORECER E FACILITAR ESSE TIPO DE PRÁTICA. Não é de maneira alguma uma anomalia do sistema, mas o seu modus operandi padrão. Pessoas que romantizam o estado ou pensam que ele foi criado para "cuidar do povo" tendem a ficar escandalizadas com esse tipo de prática, mas o estado existe para perpetuá-la, favorecendo assim os ricos e poderosos que possuem recursos para colocar a máquina a serviço dos seus interesses. 

Esse tipo de situação se tornou comum no Brasil porque — ao longo de décadas — permitimos que a liberdade e a espontaneidade da ação humana e das interações voluntárias fossem compulsoriamente substituídas por oligarquias de burocratas dispostos a cartelizar o mercado para arregimentar poder e riquezas pessoais. Ou seja, aos poucos, fomos substituindo o mercado, o indivíduo, a sociedade e a liberdade da ação humana pelo estado, e sua institucionalização de um sistema de planejamento central arbitrário e discricionário. Basicamente, um sistema que poderia ser descrito como uma plutocracia socialista corporativista.   

Para sairmos dessa situação, em primeiro lugar é preciso reconhecer que ela existe. Com o diagnóstico, sabemos qual é a solução mais apresentável. Livre mercado. Quanto mais livre for o mercado, menos socialismo e menos dirigismo econômico haverá, e consequentemente menos poder as oligarquias que controlam o sistema terão. Por isso elas se opõem tanto ao livre mercado. Tem pleno conhecimento de que perderão poder com um sistema econômico mais flexível, livre e descentralizado. Pois é assim que tem que ser. Temos a obrigação de rechaçar esse sistema que beneficia poucos em detrimento de muitos. Precisamos de um Brasil com mais mercado e menos dirigismo econômico oligárquico-corporativista. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.