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Calexit – O Movimento Separatista Californiano

Calexit – O Movimento Separatista Californiano

Recentemente, o governador da Califórnia, Jerry Brown, autorizou os consignatários do Calexit, o movimento separatista da Califórnia, a reunir um documento com 500.000 assinaturas, para levarem adiante a possibiidade de secessão do estado americano. 

Sim, é isso mesmo que você leu. Milhares de californianos desejam se separar dos Estados Unidos, para fazer do seu estado um país independente. Depois da coleta de assinaturas, a próxima etapa se dará em uma votação, a ocorrer em 2019. Se os votos forem majoritários, então haverá aprovação popular suficiente para que as duas principais cláusulas da constituição que habilitam o estado a ser uma unidade federativa constituinte da república americana – a saber, a cláusula que afirma que a constituição americana é soberana no estado da Califórnia, e a de que o estado é uma parte indivísível dos Estados Unidos – sejam anuladas. 

Marcus Ruiz Evans, um dos fundadores do movimento Yes California, que está por trás da iniciativa de secessão, afirma que o estado não está em sintonia com o resto do país, em uma grande diversidade de fatores sócio-culturais. Possuindo singularidades econômicas e um isolamento político que a distancia do resto da nação, é bem verdade que, a nível federal, a Califórnia não têm relevância, influência ou qualquer poder de decisão na esfera política. E, ainda assim, tem de arcar com impostos exorbitantes, que raramente são reinvestidos de volta no estado. O fardo financeiro – muito similar ao do estado de São Paulo com relação ao resto do Brasil –, é um fator fundamental nesta questão. Os integrantes do movimento separatista também argumentam que não concordam com as guerras nas quais os Estados Unidos se envolve, e não desejam compactuar com elas, tampouco financiá-las. Acreditam também que, com a secessão, a possibilidade da Califórnia ser alvo de futuros atentados terroristas, como o que ocorreu em San Bernardino, em dezembro de 2015, seria drasticamente reduzida. . 

Não obstante, mesmo que a iniciativa interna seja bem-sucedida, para uma separação efetiva e formal da Califórnia do resto da federação, é provável que os demais estados americanos, ao menos a maoria deles, tenham de concordar com a secessão para deferir sua legalidade. Existiriam, evidentemente, outros obstáculos a serem levados em consideração, para que a emancipação do estado ocorresse de forma tranquila, e em caráter oficial.

No entanto, a oposição do governo federal, que até o momento, não se pronunciou à respeito desta questão, pode comprometer a iniciativa, em virtude do precedente perigoso a que isto daria início. A saber, sua condescendência e aprovação, bastante improváveis, caso ocorressem, poderiam indiretamente motivar outros estados americanos a separarem-se da federação, como o Alasca e o Texas – que também são suficientemente ricos para tornarem-se países independentes –, e assim, iniciar um processo irreversível de desintegração e desmantelamento dos Estados Unidos da América. 

Por motivos muito similares, a Espanha sempre relutou em permitir a independência de suas nações constituintes, como o País  Basco, a Catalunha e a Galícia. Ademais, o impacto financeiro da secessão no orçamento da União seria, indubitavelmente, catastrófico. Medidas dessa natureza, no entanto, podem se revelar uma faca de dois gumes. É necessário lembrar que, em situações de emergência financeira, a Califórnia ficaria em uma situação de completa e total vulnerabilidade, sem ter a quem recorrer em momentos de catástrofe econômica. Em 2012, por exemplo, a cidade de Stockton foi literalmente à falência – em consequência da recessão gerada pela crise imobiliária de 2008 –, e teve de ser socorrida pelo governo federal.  

Com essa onda de movimentos separatistas – até recentemente, o mundo observava, intrigado, a secessão da Catalunha –, o negócio é acompanhar esta interessante trama, e ver qual será, de fato, o seu desfecho. A Califórnia se tornará uma nação independente? Em virtude das drásticas consequências que isto poderia gerar, é bem provável que não. Aposto que o governo federal, pelas razões citadas acima, fará de tudo para impedir que a secessão vá adiante. Mas posso estar completamente enganado. É esperar para ver. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.