Blog

Brasil — A União Soviética da América Latina

Brasil — A União Soviética da América Latina

O Brasil é e sempre foi um país atrasado em função do seu estado enorme. E esta situação piorou de forma substancial durante o governo do Estado Novo do ditador fascista Getúlio Vargas, durante os governos militares e em tempos mais recentes, durante os governos petistas. O hábito de criar empresas estatais que se iniciara com Vargas atingiu um ápice com estes últimos: os governos militares criaram 47 empresas estatais, e os petistas criaram 43. O nacional-desenvolvimentismo sempre foi uma marca registrada da política brasileira, e desvencilhar-se dela sempre mostrou ser um ardil tempestuoso, para não dizer extremamente difícil. Ou — para sermos realistas — totalmente impossível.  

Intervir de forma discricionária na economia tem sido um hábito contínuo da política brasileira há décadas — nossos gestores públicos perceberam como é fácil enriquecer com políticas de dirigismo governamental — e a sociedade, de uma forma geral, parece ser incapaz de perceber os efeitos nefastos: com uma grande concentração de riquezas em suas mãos, a existência de empresas estatais enriquece de forma substancial a classe política, ao passo que empobrece de maneira sistemática a população. Hoje, temos amontoados de empresas estatais — quase cinco centenas — das quais 148 são federais. E muitos de seus servidores ganham salários que extrapolam o teto do funcionalismo. São companhias que sugam verbas da União de forma ilimitada, sem qualquer restrição ou transparência, para não falar que são verdadeiros oásis de corrupção desenfreada. Gil Castello Branco, secretário-geral da Contas Abertas, do TCU, afirmou:

"O fato é que, até hoje, a transparência nelas é mínima. Quando muito, sabe-se o total gasto com a folha de pagamento, o que não dá condições de uma análise comparativa com valores de mercado, uma avaliação dos planos de cargos e salários ou mesmo um confronto com valores pagos na administração pública direta. Não à toa que os maiores escândalos de corrupção do Brasil têm sempre uma estatal incluída. Mensalão nos Correios e no Banco do Brasil; Petrolão na Petrobras. A ingerência política, grandes orçamentos e a falta de transparência tornam as estatais um paraíso para os corruptos".

Um estado soviético gigantesco — paternalista e ultra-patrimonialista — aliado à falta de liberdade econômica, é o ambiente ideal para oportunistas, demagogos e populistas de plantão, que brotarão por todos os lados da política, defendendo ideologias convenientes. Por isso tantas pessoas, seja através da política ou do funcionalismo, buscam o estado: é uma excelente maneira de enriquecer sem fazer esforço algum. No mínimo, oferece um grande nível de estabilidade financeira.  

Agregado a este fator, está um elemento cultural: o brasileiro de fato adora o estado grande, o estado assistencialista babá, onde o seu deputado favorito terá a oportunidade de pegá-lo no colinho, e dar-lhe papinha na boquinha. Qualquer abordagem que pretenda reduzir o tamanho do estado — ou mesmo propor sua erradicação, o que não seria de todo ruim — é rebatida com hostilidade. Assumir responsabilidades pela própria vida, crescer e deixar de ser uma criancinha que vive para ficar permanentemente no colinho do governo é uma possibilidade que não passa pela cabeça da maioria dos brasileiros. A que conclusão podemos chegar, a não ser esta? O brasileiro foi idiotizado a ponto de tornar-se uma criancinha que deseja ser ardorosamente tutelada pelo estado, e adora ser roubado em larga escala por este mesmo estado, que surrupia aproximadamente 70% dos seus ganhos financeiros.

É triste constatar, mas — com todos os nossos minérios e riquezas naturais — poderíamos ter sido o país mais rico e desenvolvido do mundo, se nossas riquezas em sua quase totalidade não fossem monopolizadas pela classe política. 

Compartilhe esse texto:

Sobre Mim

Sobre Mim

O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.