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Ascensão e queda de Bo Xilai

Ascensão e queda de Bo Xilai

Bo Xilai, nascido em 1949, é um indivíduo que ocupou diversos cargos notórios na política chinesa, como o de prefeito de Dalian, importante cidade portuária do nordeste da China, e o de governador da província de Liaoning. Um dos indivíduos mais renomados e influentes da política chinesa contemporânea, em 2013, Bo Xilai foi acusado de crimes de corrupção, destituído de todos os seus títulos e propriedades, e permanece preso desde então.  

Filho de Bo Yibo, figura icônica da política chinesa, indivíduo considerado um dos oito sábios do Partido Comunista Chinês, Bo Xilai era um dos indivíduos da "alta aristocracia filial", denominação informal para uma elitista facção política, cujos integrantes eram todos filhos de eminentes homens de estado chineses. Com princípios mais voltados para o livre mercado e o comércio internacional, este grupo tinha como principal rival os populistas, uma facção de atuação mais tradicional e moderada,  dentro do partido. 

Não obstante, Bo Xilai soube cultivar uma imagem própria, trilhando um caminho singular na administração partidária, demonstrando um carisma e um apelo popular incomuns para a política chinesa. Como secretário do partido em Chongqing, Bo Xilai soube tirar vantagens realizando uma administração de relativa competência, que viu no combate ao crime organizado e no aumento dos gastos com programas de bem-estar social um gestor aparentemente organizado, que tinha formas e maneira de elevar a qualidade de vida de todos aqueles que estavam aos seus cuidados. Um homem de estado aparentemente dedicado e voltado para o bem comum, a impressão que o mundo externo tinha de Bo Xilai era a melhor possível, para dizer o mínimo. Só que, como todo político, tudo não passava de uma sofisticada, dissimulada e dramática encenação, engendrada como um falacioso e pérfido espetáculo, projetado para enganar os desavisados. Durante boa parte de sua carreira, Bo Xilai usufruiu de considerável apoio de Jiang Zemin, que foi presidente da China de 1993 a 2003, e, aos noventa e um anos de idade, é considerado atualmente um dos mais influentes e notórios políticos chineses. 

Quando diversas discrepâncias com relação às campanhas de Bo Xilai para o combate à corrupção e ao crime organizado eventualmente emergiram, o governo central decidiu interferir nas investigações. Diversas ações tomadas por Bo Xilai e por Wang Lijun, o chefe de polícia responsável pelas operações, eram notoriamente questionáveis e arbitrárias, e suas inconsistências começaram a levar o governo central a perceber que um grande festival de ilegalidades de toda a sorte eram orquestrados, protagonizados e executados por Bo Xilai e seus sicofantas.    

A bomba que destruiria sua ascendente carreira política viria mesmo em 14 de novembro de 2011, quando o empresário britânico de 41 anos, Neil Heywood, foi encontrado morto em um quarto de hotel em Chongqing. Quatro meses depois, em fevereiro de 2012, Wang Lijun, o chefe de polícia e homem de confiança de Bo Xilai, foi até o consulado americano em Chengdu, solicitar asilo político. Bo Xilai era conhecido por realizar expurgos periódicos entre os seus, e, com fortes suspeitas de não mais estar nas graças de Bo Xilai, Wang Lijun foi até a ambaixada americana, especula-se, com o objetivo de solicitar asilo político, ou, no mínimo, resguardar-se em segurança de Bo Xilai. Lá, embora muito do que Lijun tenha dito ainda permaneça em extremo sigilo, sabe-se que ele delatou toda a podridão da gestão do seu protetor.

Wang Lijun revelou as conexões de Bo Xilai com o crime organizado, seu envolvimento no assassinato de Neil Heywood, e como Bo Xilai tratava todos os seus subordinados como "descartáveis", livrando-se deles da pior forma possível, quando perdiam sua utilidade. Em uma carta enviada para amigos no exterior, e posteriormente publicada em fóruns online de idiomas chineses hospedados fora do país, Wang Lijun descreveu Bo Xilai como "o maior gangster da China".   

Eventualmente, descobriu-se que Neil Heywood tinha negócios com a esposa de Bo Xilai, Gu Kailai, e que Heywood até mesmo arranjara para o filho do casal, Bo Guagua, estudar na Inglaterra. Mas a profundidade factual deste relacionamento nunca chegou a ser, de fato, esclarecida. No entanto, sabe-se que Wang Lijun confrontou Bo Xilai com relação às evidências que implicavam sua esposa no assassinato de Neil Heywood. Bo Xilai, como de hábito, ordenou que investigações fossem conduzidas para elucidar o crime, mas posteriormente, empenhou-se arduamente em obstruir a justiça. Pouco tempo depois, Bo Xilai rebaixou Wang Lijun a um cargo inferior. Especula-se que começou então a vigiá-lo, e, desconfiando que poderia delatar tanto ele como sua esposa, esquadrinhou um plano para livrar-se dele. Foi ao suspeitar desta possibilidade que Wang Lijun tomou a decisão de ir até a embaixada americana em Chengdu, para solicitar asilo político. Então, deu início ao escândalo político que levaria tanto ele como Bo Xilai à derrocada definitiva, à prisão, à desgraça de seus nomes e ao ostracismo.           

Acusado de suborno, corrupção e abuso de poder, Bo Xilai foi julgado em julho de 2013. Em setembro, foi condenado à prisão perpétua, destituído de todas as suas posses, e oficialmente expulso do partido. Wang Lijun, por sua vez, foi condenado a quinze anos de prisão, sob as acusações de abuso de poder, suborno, deserção e uso da lei para fins egoístas. Sob a tutela de Bo Xilai, ambos haviam formado verdadeiros esquadrões criminosos para extorquir elevadas quantias de dinheiro de grandes empresários e investidores de Chongqing. Especula-se ainda que a derrocada de Bo Xilai, embora inevitável, ocorreu de forma ainda mais rápida e intempestiva por este estar no caminho para Xi Jinping, atual presidente da China, consolidar o poder absoluto. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.