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João Figueiredo, o último grande presidente brasileiro

João Figueiredo, o último grande presidente brasileiro

        João Figueiredo foi o último presidente do regime militar. Um homem simples, cordial e objetivo, avesso às questionáveis idiossincrasias inerentes ao poder político, ele foi, sem dúvida nenhuma, o último grande presidente do Brasil. Muito mais militar do que político, tentou esquivar-se da presidência da república de todas as formas e maneiras possíveis, até Ernesto Geisel encostá-lo na parede, e comunicar-lhe que ele não tinha escolha. Geisel, que foi presidente de 1974 a 1979, percebeu em Figueiredo um sucessor em potencial, justamente por questão de suas qualidades, que incluíam fervor patriótico, virtudes militares, diligência na execução de deveres e uma completa e total ausência de desejo pelo poder.

        No final de seu mandato, Figueiredo concedeu ao jornalista gaúcho Alexandre Garcia uma entrevista tão contundente quanto reveladora. Disponibilizando ao telespectador um visão de dentro da sua gestão presidencial, Figueiredo revela as dificuldades, os atritos e a oposição que enfrentou, bem como as concessões que realizou para disponibilizar aos brasileiros a tão desejada abertura política, que acabaria, a longo prazo, por desmantelar completamente a nação. Algo que Figueiredo já previa, muito astutamente.      

        Indivíduo relativamente ingênuo com relação às brutais e inflexíveis concessões do poder político, Figueiredo confessa ter confiado em pessoas que não deveria, e que o egocentrismo da classe política o deixava profundamente consternado ("Na política, só se ouvia falar em interesse pessoal. A última coisa que eu ouvia falar era em Brasil."). Homem reservado, porém bastante pragmático, não se relacionava com os seus pares na política além do necessário. Meticuloso, mas objetivo, via sua gestão presidencial como uma missão a ele confiada com diligência, e que deveria ser executada com toda a seriedade. Mas pediu a todos que o esquecessem, assim que deixasse o cargo. Como militar, sua grande aspiração era ser um "bom oficial do Estado Maior do Exército", objetivo que considerava ter logrado êxito em conquistar.       

        Favorável à abertura política que se seguiria, o próprio Figueiredo era franco e honesto com relação ao seu limitado talento para as articulações necessárias na esfera de poder governamental. Dedicado, procurava fazer um bom trabalho, e aos poucos aprendeu a ser mais discreto e evasivo com as pessoas que o cercavam em Brasília. 

        Apesar de ter se esforçado para realizar um trabalho eficiente, Figueiredo sempre foi alvo de críticas ostensivas por regimentos mais conservadores do setor militar, especialmente pela condução de seu mandato, de caráter mais brando e moderado. Figueiredo concedeu a notória anistia "ampla, geral e irrestrita" à políticos que foram hostilizados durante o regime militar, e deu continuidade às reformas de abertura política que começaram com Geisel, o que deixaria o Brasil vulnerável à oligarquias políticas com interesses quetionáveis, e uma suscetibilidade cada vez maior à autoritárias diretrizes políticas de esquerda. Não obstante, Figueiredo estava simplesmente realizando a vontade popular.

Hoje, não adianta chorar. É muito fácil constatar que era, sim, muito melhor com os militares no poder.

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.