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Por que todo país comunista eventualmente retorna ao capitalismo?

Por que todo país comunista eventualmente retorna ao capitalismo?

O comunismo é um sistema completamente fadado ao fracasso. Ele vem com prazo de validade, que será inerente à dilapidação dos recursos e do patrimônio acumulados pela nação enquanto ela foi capitalista. Toda e qualquer nação comunista terá, impreterivelmente, três caminhos a seguir: ou ela se desmantelará completamente, e deixará de existir – como foi o caso da União Soviética e da Iugoslávia –, ou ela permanecerá comunista na política, mas se tornará capitalista na economia – como é o caso da China, do Vietnã e do Laos – ou ela abandonará todos os aspectos do comunismo, tanto na política quanto na economia, como é o caso da Romênia, da Geórgia e da Albânia, entre outras nações.    

Isso ocorre porque o nível de estagnação econômica provocado pelo comunismo, eventualmente, torna-se, tão grande, que a pobreza generalizada não apenas impede o país de desenvolver-se, como acaba exterminando a população em virtude da severidade da escassez. Até mesmo o governo, invariavelmente, sofrerá com a ausência de recursos, intrínseca ao sistema comunista.

Por isso, atestamos historicamente, e testemunhamos de forma empírica todos os países comunistas, em determinado período de sua história, abandonando o comunismo em favor de uma economia de mercado. É claro que cada um deles faz isso de acordo com circunstâncias específicas, mas todos eles são movidos pela mesma necessidade premente: fugir do retrocesso, da estagnação, da paralisia e das privações provocadas pelo comunismo. Eventualmente, as autoridades políticas são obrigadas a reconhecer que a geração de riquezas promovidas pelo dinamismo do capitalismo é um componente insubstituível para o desenvolvimento da nação, e a ele recorrem para sair da estagnação econômica inerente.

A troca de conhecimento, inovações, sugestões, produtos e mercadorias que ocorre em um ambiente de livre mercado supera de forma descomunal todo e qualquer arranjo governamental baseado na retrógrada e autoritária fórmula do planejamento central. É como trocar milhares de raciocínios capazes de viabilizar soluções espontâneas por um só. A mesma regra aplica-se para o mercado de produtos de primeira necessidade. A população troca milhares de fornecedores por um só: o estado. Não é à toa que a Venezuela está vivenciando um profundo colapso onde falta praticamente tudo. Foram forçados a renunciar ao ambiente de livre mercado – algo que muitos venezuelanos não queriam –, e ter no estado o único fornecedor de alimentos, medicações e produtos de primeira necessidade mostrou ser um componente infalível para o caos. Visto que o estado é incapaz de fornecer tudo isso em primeira mão de forma eficiente, invariavelmente a estagnação acaba batendo a porta. E depois dela a carência de abastecimento, que é invariavelmente acompanhada pela completa e total ausência de tudo, o que obriga os cidadãos a viverem na mais sórdida e ostensiva precariedade.  

O que a Venezuela está experimentando atualmente é o colapso natural que sobrevém a toda a nação socialista. Invariavelmente, ela tomará um destes dois caminhos: ou a secessão, com indivíduos desesperados para formar o seu próprio país, e consolidar uma forma de governo que atenda às suas necessidades, ou a deposição do ditador, e o inevitável reestabelecimento de uma economia de livre mercado.   

Na China, quando Mao Tsé- Tung morreu, Den Xiaoping assumiu o poder, e restaurou, de forma relativa, as liberdades individuais. Ao abrir o dragão asiático para a economia de mercado, percebendo em sua política reformista de abertura grandes possibilidades para a China – e para os chineses de forma geral – desenvolverem-se de forma mais plena, e melhorarem sua qualidade e seus padrões de vida, Xiaoping não precisou usar todas as suas faculdades de raciocínio para perceber o óbvio: um ambiente de livre mercado poderia fazer a China prosperar, levando-a para um caminho muito diferente do agressivo, sórdido e cruel totalitarismo praticado por Mao, e que tanto horror, precariedade, sofrimento e dissabores causara aos chineses, até a sua morte, em 1976.

É verdade que a economia mista da China deve sua robustez e sua magistral disposição funcional a um sólido e consistente capitalismo de estado, que é muito  mais vigoroso e imperativo do que o seu capitalismo de mercado. Não obstante, a China contemporânea, comparada à China de Mao, sem dúvida nenhuma parece um outro país.   

Uma história muito similar aconteceu no Vietnã. Depois de décadas de totalitarismo comunista, e um enorme êxodo de vietnamitas para regiões mais prósperas do globo terrestre, a miséria dilacerante e a corrosiva pobreza que eventualmente consumiram o país, depois de décadas de planejamento central estatal, fizeram os governantes da nação perceber que eles não tinham alternativas para combater ou rechaçar a pobreza, a não ser através do livre mercado. Abrindo a economia no princípio dos anos 2000, o Vietnã – que assim, como a China, se mantém comunista na ideologia política – desenvolveu-se exponencialmente, apesar de sua economia resguardar, em teoria, a materialidade dos princípios socialistas. Hoje, ávidos negociantes e vigorosos empreendedores, os vietnamitas são conhecidos como os comunistas mais capitalistas do mundo.

Ao contrário da China e do Vietnã, que permanecem comunistas na ideologia política, a Albânia rechaçou com veemência todo o seu galardão marxista. Pouco depois de Enver Hoxha, o ditador comunista da Albânia, morrer, o que ocorreu em 1985, a população albanesa no princípio dos anos 1990 deflagrou uma revolução cultural, econômica e social que erradicou em definitivo o comunismo da Albânia. Queriam ser livres para produzir, para comprar, para vender o que bem entendessem. Eles queriam apenas o que o sistema capitalista poderia lhes dar: liberdade e autonomia. Mas, acima de tudo, queriam qualidade de vida. Rejeitaram completamente – e com toda a razão – o sistema que os obrigou a viver em inelutável miséria e degradante pobreza por quatro décadas. História muito semelhante ocorreu na Romênia do ditador Nicolae Ceaușescu. Deposto pela população alguns anos antes, os romenos rechaçaram o comunismo, política e economicamente, depois que o ditador foi fuzilado, juntamente com sua esposa, nos últimos dias de 1989.

Até mesmo Cuba, em função da brutal recessão econômica que experimentou em anos recentes, passou a tolerar a iniciativa privada. Em decorrência disso, o governo forneceu licença aos cidadãos para abrirem pequenos negócios, como uma alternativa para mitigar a pobreza. A Cuba de Raúl Castro está experimentando uma ressurgência econômica, que pode ser o princípio da abertura para um ambiente de livre mercado. No entanto, ainda é cedo demais para fazer quaisquer suposições ou conjecturas, concernentes a este assunto. 

Não adianta. O comunismo é uma utopia infantil, que sempre vem com prazo de validade. Ao contrário do livre mercado, que pode durar para sempre – ou até que venham os socialistas, é claro, querendo tornar o mundo um “lugar melhor” – o livre mercado é o melhor lugar para se prosperar, trabalhar, produzir e exercer a liberdade. O preço que uma nação paga pela implantação do comunismo é demasiado sórdido e cruel. Tudo para, invariavelmente, ter de retornar ao capitalismo, mais cedo ou mais tarde.  

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Sobre Mim

Sobre Mim

O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.