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A Verdadeira Natureza do Estado

A Verdadeira Natureza do Estado

Esquerda e direita possuem seus próprios fetiches quando o assunto é o estado, e tudo aquilo que seus respectivos militantes acham que o estado deveria ou não fazer. Ainda que sejam fundamentalmente diferentes nos valores que cultivam, na política, no entanto, estas duas conjunções políticas são bastante utópicas e irrealistas quando o assunto em questão é o estado. Além de partirem de prerrogativas ilusórias, parecem incapazes de detectar, perceber e compreender qual é a verdadeira natureza do estado, e concedem atribuições quase divinas à organização estatal. 

Geralmente, quando discutem sobre as atribuições do estado, tanto esquerda quanto direita tendem a enfatizar um papel romântico, idealista e heróico para a organização, o que não raro exalta uma visão infantil de mundo, completamente divorciada da realidade. Esquecem que — na prática —, o estado nada mais é do que uma organização criminosa, um lugar onde corrupção, prevaricação, peculato, suborno, clientelismo, tráfico de influência e improbidade administativa, entre muitos outros crimes, são praticados diariamente. Pela falta de uma visão realista, tendem a romantizar e idealizar o impossível: um estado plenamente efetivo e funcional, voltado para às necessidades da população. Nada mais infantil e utópico. Os indivíduos que estão no poder não tem interesse algum em zelar por interesses outros, que não os seus próprios. É algo absolutamente irrealista ver políticos como indivíduos heróicos, abnegados, altruístas, sacrossantos e celestiais, interessados unicamente no bem-estar de terceiros. Não é assim que a política funciona. Em nenhum país do mundo.

É bem verdade que o estado possui em seu quadro de funcionários policiais heróicos e íntegros que morrem em serviço combatendo criminosos de alta periculosidade, bombeiros que arriscam suas vidas para salvar pessoas inocentes em situações de risco, e muitas vezes acabam perdendo a vida em fatalidades críticas e emergenciais, porque exercem uma atividade dedicada a proteger e resguardar outras pessoas. Isso, no entanto, não muda a real natureza do estado. Pelo contrário, apenas enfatiza sua conspícua perversidade imoral e sacrificial: os funcionários estatais que realizam atividades de alto risco, além de serem mal remunerados, são tratados como descartáveis, e em sua maioria são invisíveis. Nunca recebem o reconhecimento e a gratidão que lhe seriam devidos, quando realizam seu trabalho com abnegada dedicação, muitas vezes arriscando a própria vida. Por outro lado, todos aqueles que são verdadeiramente desnecessários — políticos, por exemplo — possuem salários e vencimentos astronômicos, benefícios e privilégios irrealistas, e uma miríade de penduricalhos e apanágios supérfluos, como auxílio-paletó, auxílio-moradia e verbas de gabinete. Estes são os verdadeiros parasitas do sistema.        

Infelizmente, o problema da estadolatria está profundamente arraigado ao brasileiro, algo enraizado na educação estatal vertical e nacionalista, que condiciona o indivíduo desde a infância a ser um obediente e fervoroso servo do estado. Como não somos ensinados a pensar ou questionar valores — somos apenas doutrinados a simplesmente aceitar e obedecer —, tornou-se difícil, na verdade, praticamente impossível, libertar o cidadão brasileiro dos escravagistas grilhões estatais que o aprisionam. Temos uma sociedade de escravos doutrinada a perpetuar o ciclo escravagista, e engajar-se continuamente a produzir mais escravos. Nunca questionar, apenas obedecer, louvar, venerar, adorar políticos, e embrenhar-se de forma indômita na religião secular do estatismo e da estadolatria.   

Por isso, a disputa entre esquerda e direita é tão artificial, sobretudo no Brasil, um país onde uma "direita" — no pleno sentido do termo —, não existe. Ela luta para ser genuína, mas até o momento parece ser incapaz de dessarraigar-se e dissociar-se de suas raízes esquerdistas, estatistas e paternalistas. Com raras e distintas exceções, o que temos no cenário político classificado como "direita" são apenas indivíduos sedentos por um estado onipresente e patrimonialista, ávido em regulamentar cada singular aspecto de suas vidas. Um estado saturado de empresas estatais "estratégicas", servidores públicos ricos, um estado ultrassocialista que os proteja do mercado "perverso e malvado", um estado cujos políticos puros e heróicos protegerão a todos, na segurança do seu confortável colinho macio e paternal. A verdade é que o Brasil é um país ultrassocialista, incapaz de ocultar o seu sórdido verniz soviético de matriz marxista-leninista, profundamente arraigado à anatomia fisiológica e política da autocracia estatal.  

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.