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A patética ida de parlamentares do DEM e do PSL a China

A patética ida de parlamentares do DEM e do PSL a China

Nesta última semana que passou, pulularam nas redes sociais as repercussões negativas da ida de deputados e senadores – do DEM e também do PSL, o partido do presidente eleito Jair Bolsonaro – a China, a convite do próprio PCC, o Partido Comunista Chinês, que bancou todos os custos de viagem e estadia para os nossos “nobres” correligionários. O que, por si só, configura uma flagrante ilegalidade.

Imediatamente, repercussões muito negativas – justificadamente – ribombaram pelas redes sociais. Olavo de Carvalho publicou um vídeo no qual rechaçou o nefasto acontecimento, falando algumas verdades muito pertinentes para a ocasião: “Tem uma turma que fica dizendo que eu sou guru do governo Bolsonaro. Se eu fosse, certas coisas não estariam acontecendo. A primeira que não estaria acontecendo é esta viagem, de meia dúzia de senadores e deputados do PSL à China, para negociar com a China a instalação do sistema de reconhecimento facial nos aeroportos. A firma que trata disso, a Huawei, é altamente suspeita. O representante dela já foi preso na Polônia, no Canada, e nos Estados Unidos por atividades de espionagem. Ora, instalar esse sistema nos aeroportos brasileiros é entregar ao governo chinês informações sobre todo mundo que mora no Brasil. Inclusive, e especialmente, alguns refugiados chineses. A partir do momento que esse negócio for instalado, esses refugiados chineses podem se encontrar mortos.”

A repercussão foi drasticamente negativa, e com razão. A displicência dessa gente supera todos os níveis aceitáveis de omissão e ignorância. A China é uma ditadura – a mais repressiva do mundo – com um projeto de poder global. Até 2020, eles pretendem ter todas as informações referentes a todos os cidadãos e empresas que vivem em seu território devidamente cadastrados em uma grande base de dados governamental. Tecnologias de controle social, no entanto, são um grande produto de exportação para o governo chinês. Para citar um exemplo, na Venezuela, muito em breve o governo bolivariano irá implementar o chamado Cartão da Pátria, que conterá um chip confeccionado pela empresa de telecomunicações chinesa, a ZTE, que substituirá a carteira de identidade convencional, e facilitará o cadastramento de dados e informações sobre cada singular cidadão do país, o que permitirá à ditadura exercer um controle ainda mais expressivo sobre a população. E agora, nossos “honrados” congressistas vão até a China para importar uma tecnologia de reconhecimento facial.

Alguns dos congressistas que foram à China tentaram se explicar. Um deles gravou um vídeo no qual afirma que a China pratica um “socialismo light”, chegando ao absurdo de afirmar que "Se fosse na Coréia do Norte, um regime comunista pesadíssimo, super fechado, mas tivesse alguma melhoria lá que desse para implantar no Brasil, por que não buscar?" — Agora eu questiono: o que poderia existir de remotamente interessante para o Brasil na Coreia do Norte? Totalitarismo light?

Não sei o que o político em questão entende por “socialismo light”. O que – na sua brutal ignorância ele não entende – é que a China é uma ditadura altamente repressiva, ainda mais que a Coreia do Norte. Atualmente, mais de um milhão de turcomenos uigures, originários do noroeste da China, são mantidos em campos de internamento contra a sua vontade, sendo sistematicamente torturados por agentes do estado, obrigados a renunciar às suas crenças religiosas, e jurar total fidelidade e incondicional lealdade ao governo chinês e ao seu líder, o ditador Xi Jinping. O cristianismo está sendo gradualmente proscrito, e até mesmo a comercialização de Bíblias foi proibida, pelo fato do livro sagrado não ser compatível com os “princípios do socialismo”. O governo chinês afirmou que pretende, em um futuro próximo, reinterpretar a Bíblia, para ficar de acordo com os dogmas do PCC. Membros de uma crença conhecida como Falon Gong também são brutalmente perseguidos e reprimidos pelo governo chinês, muitos dos quais são assassinados durante a detenção, para ter seus órgãos extraídos e comercializados no mercado negro. Mas é claro, a terrível e mordaz ignorância dessa gente não lhes permite enxergar a brutalidade da realidade. Como crianças deslumbradas por doces e guloseimas, o dragão asiático acena com o algodão doce, e a creche sai correndo em direção ao covil do inimigo, acreditando que ele é bonzinho, bacana, meigo e gentil. Isso não são dirigentes governamentais de verdade, mas crianças incompetentes e despreparadas, que não tem nem sequer a mais vaga noção de onde estão, e do que realmente ocorre nos bastidores da geopolítica. Definitivamente, não é um jogo para amadores, mas essa gente provou que isso é o que eles realmente são, um bando de amadores. As palavras de Olavo de Carvalho novamente são muito pertinentes: “vocês não têm ideia do que é (...) o Serviço de Inteligência Chinês, vocês não têm ideia da magnitude dos intelectuais que dirigem isso. Esse pessoal é capaz de fazer picadinho de qualquer partido conservador latino-americano em dez minutos. Essa burrice já passou do limite no Brasil.” Olavo concluiu o referido vídeo com indignação: “Eu sou o guru dessa porcaria? Eu não sou guru de merda nenhuma”.

Como ele próprio corretamente lembrou no vídeo, “o problema do Brasil é a ignorância”. Não tenho a menor dúvida. E há diversos agravantes. Essa gente que foi para a China parece ser completamente destituída de noções e parâmetros de ética, princípios ou moralidade. Não se negocia com ditaduras, com governos que oprimem e assassinam a própria população. Não adianta cultivar ojeriza à Venezuela, e fazer negócios com a China, que é quem sustenta e financia a ditadura bolivariana. E por que razão os brasileiros precisariam de sistemas de reconhecimento facial? A quem, de fato, a aquisição deste aparato tecnológico irá beneficiar?

Agora, ofendidos – com o ego machucado – alguns dos parlamentares afirmam que irão processar Olavo de Carvalho. Ora, os brasileiros elegeram este governo para ficar passeando em ditaduras comunistas? Por não atenderem às prioridades e aos reais interesses dos cidadãos brasileiros – e acima de tudo, pelo escárnio deplorável de aceitarem associar-se a uma ditadura comunista –, a exoneração e o desligamento seria o mínimo para este grupo de congressistas incompetentes.

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.