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A longa e brutal ditadura de Alfredo Stroessner

A longa e brutal ditadura de Alfredo Stroessner

Quando falamos em Alfredo Stroessner, falamos de um dos períodos mais sombrios e turbulentos da história do Paraguai. É bem verdade que sua ditadura foi anticomunista, o que poderia fazer muitos indivíduos simpatizarem com o seu regime. Não obstante, no seu governo o que não faltou foi brutalidade, genocídio, favoritismo e corporativismo em larga escala, o que torna a sua ditadura — que ficou conhecida como El Stronato — em grande parte indefensável.

Alfredo Stroessner nasceu em 3 de novembro de 1912, filho de um imigrante alemão, Hugo Strößner, e uma paraguaia, Heriberta Matiauda. Stroessner herdou o sobrenome do pai, mas a grafia foi adaptada para a pronúncia fonética. Em 1929, o jovem rapaz ingressou na academia militar Francisco López. Em setembro de 1932 — algumas semanas antes de completar vinte anos — ele teve sua primeira experiência militar real, na Batalha do Boqueirão, que foi parte das campanhas militares que integravam a Guerra do Chaco, que aconteceu entre 1932 e 1935, deflagrada como uma disputa entre Paraguai e Bolívia pela região do Gran Chaco, que supostamente era rica em petróleo. 

A carreira militar de Alfredo Stroessner, dali para frente, seria muito bem-sucedida. O indivíduo que começou como cabo passou a receber sucessivas promoções, e foi gradualmente subindo de cargo. Em 1940, Stroessner já era major. Nesse mesmo ano, Higinio Morínigo Martínez tornou-se presidente do Paraguai, e começou a governar o país como ditador; depois de suspender a constituição, ele baniu todos os partidos políticos, colocando-os em uma condição de ilegalidade. Em 1946, ele relaxou as proibições, e tentou buscar a concilição, fazendo uma coalizão com o Partido Colorado e o principal partido de oposição, o Partido Revolucionário Frebrerista. Não obstante, este último rapidamente deixou o acordo quando ficou claro que o partido de situação, o Colorado, estava sendo favorecido. Assim, os partidos de esquerda se uniram, e passaram a verbalizar ativamente toda a sua insatisfação com a situação, fomentando a revolta no cenário político do país, o que fraturou até mesmo as forças armadas, dividindo-as em duas facções, insurgentes e legalistas. Boa parte da insurreição fora fomentada por Rafael Franco, fundador do Partido Febrerista. Franco fora presidente do Paraguai por pouco mais de um ano, de fevereiro de 1936 a agosto de 1937, mas foi rechaçado por um golpe de estado elaborado e executado pelas forças armadas. 

Rapidamente, a conflagração desandou para uma guerra civil, que duraria cinco meses, indo de março a agosto de 1947. Ao lado dos legalistas, Stroessner faria o seu nome, lutando pelo governo de Higinio Morínigo. Sua destreza e liderança militares — e acima de tudo, sua lealdade — posteriormente seriam recompensadas com mais promoções e reconhecimento; e dessa maneira, Stroessner continuaria a galgar posições, eventualmente tornando-se parte integrante da elite militar paraguaia.   

Não obstante, nesse período, Stroessner começou a entender como funcionava de fato a política paraguaia. País caótico — completamente destituído de ordenamento e coerência, carente de poderes legais plenamente constituídos, coesos e funcionais —, a elite política e militar nem mesmo tentava fingir, para efeitos morais e sociais, que havia uma ordem formal ou constitucional a ser seguida. O que havia de fato era uma sucessão de golpes de estado, onde um indivíduo se colocava no poder, e lá permanecia por algum tempo, normalmente como ditador, até o próximo golpe ocorrer. 

Em 1949, Stroessner apoiou Felipe Molas López, em um golpe de estado contra Juan Natalicio González, que estava no poder há apenas pouco mais de cinco meses. Felipe Molas López, por sua vez, também presidiria um governo efêmero, que duraria aproximadamente seis meses. Logo em seguida, Stroessner se voltaria contra ele em um golpe de estado, para apoiar Federico Chávez.

O governo de Chávez, por sua vez, seria relativamente incomum, pelo fato de que duraria quase cinco anos, e colocaria fim ao extenso período de instabilidades políticas que há décadas prejudicavam o Paraguai. Não obstante, nesse período, Stroessner havia sido promovido ao posto máximo de comandante-em-chefe das forças armadas, e ele rapidamente percebeu que o presidente precisava do seu apoio para se manter no cargo. Ou seja, era ele de fato quem exercia real poder.

Quando Chávez revelou seus planos de fortalecer e expandir os poderes da Polícia Nacional, Stroessner encarou isso como um desafio à sua autoridade. Afinal, essa era uma corporação que ele não controlava. Para impedir que isso acontecesse, Stroessner abusou de suas competências, e desferiu um golpe de estado, removendo Chávez do poder à força. Logo em seguida, um fantoche político, Tomás Romero Pereira, foi colocado no poder. Eleições foram programadas para ocorrer no mês de julho.

Evidentemente, tudo isso foi planejado por Stroessner para ele se estabelecer como o mandatário máximo do país. Ao tomar o poder, em 1954, Stroessner assumia efetivamente como ditador; no entanto, ele fez questão de manter uma fachada de democracia durante toda a sua ditadura, e por essa razão eleições eram realizadas periodicamente. Ocorreram eleições para presidente em 1958, 1963, 1968, 1973, 1978, 1983 e 1988. Em 1954 e 1958, Stroessner era o único candidato na disputa presidencial. Evidentemente, todas essas eleições funcionavam apenas como um teatro político, que tinha por finalidade dar uma fachada de democracia e respeitabilidade ao regime ditatorial vigente. 

Assim que se tornou ditador, Alfredo Stroessner passou efetivamente a governar como um. Depois de declarar estado de sítio, as liberdades civis foram suspensas; qualquer pessoa podia ser detida por qualquer motivo — fosse durante o dia ou durante a noite — e ela poderia ser mantida prisioneira por tempo indefinido. Reuniões, protestos ou congregações em público também foram proibidas. O cenário estava montado para uma expressiva campanha de terrorismo de estado.

A partir de 1962, Stroessner — líder máximo do Partido Colorado — passou a tolerar partidos de oposição, mas apenas nominalmente. Ainda que suas atividades não tivessem sido completamente banidas, o cenário político era tão completamente monopolizado pelo Partido Colorado, que todos os outros grupos e agremiações partidárias não tinham chances reais de fazer política; na verdade sequer poderiam influenciar minimamente o resultado de qualquer eleição. Além disso, qualquer líder sindicalista ou partidário que por ventura ganhasse infuência ou relevância ficava sujeito à intimidação arbitrária das forças opressivas do estado. 

O estado de sítio implantado por Stroessner era renovado a cada três meses. A partir de 1970, passou a concentrar-se mais nas atividades políticas que aconteciam na capital, Asunción, sem excluir o resto do país. Não obstante, durante toda a sua ditadura, o estado democrático de direito desapareceu completamente do Paraguai; o que passou a vigorar, efetivamente, foi uma impiedosa e brutal lei marcial. Nesse período, o Paraguai passou a integrar a World Anti-Communist League, que em 1990 passou a chamar-se World League for Freedom and Democracy. Apesar do seu suposto anticomunismo, Stroessner tinha certa afinidade com o nazismo, e permitia que antigos criminosos de guerra nazistas — procurados por agências internacionais de inteligência como a Mossad — se refugiassem no Paraguai. 

Evidentemente — como em todas as outras ditaduras latino-americanas —, a liberdade de imprensa foi suprimida. Críticas dirigidas ao governo ou ao Partido Colorado podiam ter drásticas consequências. Jornalistas tonaram-se um alvo recorrente do regime, e frequentemente jornais e revistas não-alinhados com o governo eram fechados ou totalmente destroçados. Em decorrência disso, a oposição ao regime tornara-se esparsa e diluída. Em questão de pouco tempo, eram poucos os que tinham coragem de criticar abertamente a ditadura.    

No final dos anos 1960, o Paraguai — como todas as demais ditaduras latino-americanas do Cone Sul — envolveu-se na chamada Operação Condor, um programa de terrorismo estatal patrocinado, financiado e elaborado pelo governo americano, que tinha por objetivo erradicar guerrilhas marxistas, partidos de esquerda e movimentos socialistas nos países da região. A região do Chaco e o Rio Paraguai passaram a ser muito utilizados para a desova de cadáveres. Pastor Milciades Coronel era um dos responsáveis pela tortura realizada contra os indivíduos considerados inimigos do regime. Em 1975, Miguel Soler, secretário do Partido Comunista Paraguaio, foi desmembrado vivo com uma serra elétrica, enquanto Stroessner ouvia tudo pelo telefone. Com certa frequência, os gritos das vítimas eram gravados e enviados para os familiares, muitas vezes com os restos das roupas ensanguentadas. 

Durante a ditadura de Stroessner, o governo tentou ocultar informações concernentes ao genocídio sistemático dos índios Aché, que viviam em reservas naturais nos distritos a leste do país. Como diversas corporações européias e americanas estavam interessadas em explorar as reservas vegetais e minerais que existiam nos territórios habitados por tribos dessa etnia, o governo tratou de expulsá-las da região à força. Os índios há décadas resistiam contra incursões militares e tentativas forçadas de deslocamento populacional; não obstante, sob a ditadura de Stroessner, as agressões tornaram-se muito mais recorrentes e violentas. Massacres brutais foram cometidos contra tribos inocentes, e muitos índios foram escravizados. O extermínio das tribos indígenas Aché foi financiado através de subsídios enviados pelo governo americano. Apesar do governo paraguaio persistir em esconder o morticínio, ele eventualmente tornou-se conhecido. Em 1974, as Nações Unidas acusaram formalmente o governo paraguaio de escravidão e genocídio. Não obstante, a tribo Aché não foi completamente exterminada, e hoje estima-se que existam uns 1.500 índios dessa etnia. 

Stroessner — ao contrário de muitos outros ditadores do continente, como Fidel Castro, por exemplo —, era relativamente discreto e moderado, e não esbanjava suas posses, nem levava um estilo de vida extravagante. Durante sua ditadura, o Paraguai não teve quaisquer relações formais com estados socialistas ou comunistas, com a possível exceção da Iugoslávia; que, apesar de ser um estado socialista, pertencia ao chamado Movimento Não-Alinhado; isto é, não estava alinhada a nenhum bloco de poder, fosse ele o ocidental, liderado pelos Estados Unidos, ou o socialista, liderado pela União Soviética. O Movimento Não-Alinhado fora estabelecido na própria Iugoslávia em 1961, por iniciativa do dirigente da nação, Josip Broz Tito, em parceria com o primeiro-ministro da Índia, Jawaharlal Nehru.

Stroessner fazia visitas oficiais regulares a países aliados. Com o passar dos anos, no entanto, as relações do Paraguai com os países dos quais era mais próximo — Estados Unidos e Alemanha Ocidental— esfriaram. Em decorrência de sua descendência, Stroessner sentia certa ligação emocional com a Alemanha. 

Apesar de Alfredo Stroessner governar o Paraguai com mão de ferro, a Igreja Católica nunca teve medo de denunciar os abusos e os excessos da sua ditadura; no entanto, o clero nunca confrontou Stroessner diretamente, mas outros funcionários do seu governo, como o Ministro do Interior e o chefe de polícia.

A ditadura de Stroessner — como todas as demais ditaduras militares latino-americanas — manteve estreitas conexões com o governo americano, recebendo treinamento e financiamento de forma sistemática e direta, embora menos do que as outras ditaduras da região. Por sua vez, Stroessner ofereceu apoio logístico e militar aos Estados Unidos para a Guerra do Vietnã, e apoiou ativamente a intervenção americana na República Dominicana, que ocorreu em abril de 1965, depois que o presidente em exercício Donald Cabral foi deposto em um golpe de estado, o que deflagrou um violenta e turbulenta guerra civil no pequeno país insular. A relação entre o Paraguai e os Estados Unidos permaneceram sólidas, até o governo de Jimmy Carter começar a exigir do governo paraguaio o reconhecimento tácito de abusos cometidos contra as vítimas do regime, e o ataque despótico às liberdades civis. No governo de Ronald Reagan, o relacionamento entre as duas nações se tornou mais cordial, mas não de todo amigável; por essa época, anos 1980, a brutalidade e a tirania do regime de Stroessner já eram bem conhecidas. Para um regime democrático como os Estados Unidos, apoiar uma ditadura militar parecia demasiadamente reacionário e anacrônico, algo politicamente inviável, imoral e inaceitável. O regime de Stroessner já era muito conhecido também por seus terríveis e irrefreáveis níveis de corrupção. 

Apesar da estabilidade aparente da sua ditadura — que tirou o Paraguai de um longo periódo de turbulências políticas, saturadas de golpes de estado, onde dezenas de presidentes e ditadores se sucederam em exíguos períodos de tempo —, o governo de Alfredo Stroessner esteve longe de ser um período próspero e salutar para o Paraguai. Na verdade uma das mais brutais, longevas e sanguinárias ditaduras da América Latina, durante os trinta e cinco anos de governo militar, aproximadamente 3.829 pessoas foram assassinadas, 425 desapareceram e mais de 20 mil foram encarceradas arbitrariamente ou torturadas sem motivo nenhum.

A ditadura de Alfredo Stroessner só durou tanto tempo porque boa parte do orçamento nacional era gasto com a polícia e as forças armadas. Como ambas eram fundamentais para sustentá-lo no poder, o ditador fazia questão de deixá-las muito bem equipadas, e seus principais líderes eram muito bem remunerados. No entanto, não havia imposto de renda, e os gastos públicos do país estavam entre os menores da América Latina. Stroessner foi um dos idealizadores da Usina Hidrelétrica de Itaipu, compartilhada entre o Brasil e o Paraguai. Centenas de milhares de paraguaios foram forçados a se deslocar e abandonar o território onde moravam, pois a maior parte da região ocupada pela usina seria inundada. A mesma situação se repetiu na fronteira entre o Paraguai e a Argentina, quando foi construída a Usina de Yacyretá. Centenas de milhares de paraguaios foram forçados a abandonar os seus lares, e sair da região. Nenhum deles foi restituído pelo governo.  

Durante a sua ditadura, Stroessner melhorou a malha rodoviária do país, construindo novas estradas.  Ele também concedeu terras aos militares — que podiam receber até vinte hectares depois de concluído o período de serviço obrigatório —, mas com a condição de que as terras fossem usadas exclusivamente para atividades agrícolas.  

Em 1987, Stroessner foi "eleito" para o seu oitavo mandato. Evidentemente, como em todas as fraudulentas eleições anteriores, ele suspendeu o estado de sítio por um determinado período de tempo, para passar à população a falsa impressão de que seu governo "democrático" permitiria aos eleitores se reunirem e se congregarem para discutir política nas agremiações partidárias. No entanto, essa liberdade encenada não desmantelava os mecanismos da ditadura — mas antes mantinha sua opressiva estrutura orgânica intacta —, cujo aparato de repressão inadvertidamente sufocava e desidratava os partidos e os candidatos da oposição, se necessário com ostensiva e cruel brutalidade.   

Stroessner, obviamente, venceu as eleições, com 89% dos votos. Não obstante, nessa época, o ressentimento contra o seu governo no país inteiro era muito evidente. Com toda a ojeriza que existia contra ele, Stroessner não poderia ter conquistado esse resultado sem fraude, o que foi denunciado por seus opositores. Para completar, em 1988, o Papa João Paulo II visitou o Paraguai, o que deflagrou um sentimento de oposição ainda mais palpável e latente contra o governo de Stroessner. 

Não obstante, a população teve que engolir os resultados. Mas não por muito tempo. A sociedade paraguaia, de uma forma geral — bem como membros das próprias forças armadas — estavam saturados, e queriam Stroessner fora do seu caminho. 

A essa altura, membros do governo e do exército passaram a temer que Stroessner passasse o comando do país para um dos seus filhos — nenhum dos quais era especialmente bem visto ou benquisto pela população —, como se o Paraguai fosse uma monarquia.

Alfredo Stroessner foi removido do poder da mesma maneira que o conquistou: através de um golpe de estado. Entre os dias 2 e 3 de fevereiro de 1989, um golpe militar liderado por Andrés Rodríguez Pedotti — um dos homens de confiança de Stroessner, provavelmente o seu braço direito e confidente mais próximo durante as três décadas e meia de ditadura — depôs o tirano em uma violenta conflagração inesperada, que, mais uma vez, fraturou o exército, e viu unidades insurgentes tendo que combater as tropas legalistas das forças armadas. A tomada de poder foi sangrenta. Stroessner fugiu para o Brasil. 

Andrés Rodríguez, depois de tomar o poder, suprimiu todas as leis rígidas impostas por Stroessner. Também aboliu em definitivo o estado de sítio; este fora "abolido" no anterior, mas apenas nominalmente. Na prática, este fora substituído por um autoritário sistema de leis de segurança, que garantiam a repressão estatal sobre os membros da oposição. Todas essas leis foram desmanteladas durante a presidência de Rodríguez, que também aboliu a pena de morte. Ele ficou no poder por apenas um mandato, até 1993. Nesse ano — depois de eleições livres — quem assumiu a presidência do Paraguai foi Juan Carlos Wasmosy, o primeiro mandatário civil em quase quatro décadas.  

Depois que foi deposto, Stroessner fugiu para o Brasil, e se estabeleceu em Brasília. Lá ele ficaria até morrer, em 16 de agosto de 2006, aos 93 anos. Pouco antes de morrer, Stroessner estava debilitado em decorrência de um AVC, e de uma pneumonia contraída após uma operação para remover uma hérnia. Antes de morrer, ele solicitou ao governo paraguaio autorização para regressar, e morrer em sua terra natal, mas o governo respondeu que caso ele retornasse, teria que responder por todos os crimes que cometeu durante o seu governo como ditador. 

Muitas coisas que levavam o nome do ditador militar mudaram de nome depois da sua deposição. A cidade Puerto Presidente Stroessner — cujo primeiro nome fora Puerto Flor de Lis — logo depois do autocrata ter sido deposto, mudou de nome para Ciudad del EsteO aeroporto de Asunción, que também levava o nome de Alfredo Stroessner, mudou de nome para Silvio Pettirossi

Em dezembro de 1992, Martín Almada — advogado que foi prisioneiro durante a ditadura de Stroessner, autor do livro Paraguai: A Jaula Esquecida —, juntamente com o juiz José Agustín Fernández, descobriu uma série de documentos em uma delegacia de Asunción, que relatavam de forma explícita diversas operações realizadas pela polícia secreta de Stroessner, sobre torturas, assassinatos extrajudiciais, execuções arbitrárias e desaparecimentos forçados. Esses documentos vieram à público depois que foram descobertos, e ganharam o titulo de Arquivos do Terror. Eles foram usados para provar a existência da Operação Condor, comprovar crimes cometidos durante a ditadura civil-militar argentina e também para processar Augusto Pinochetditador militar do Chile de 1973 a 1990, em acusações de violações dos direitos humanos e crimes financeiros. 

A ditadura de Stroessner deixou — sem dúvida nenhuma — inúmeros traumas na sociedade paraguaia. Como uma das formas de evitar que algo tão brutal como uma autocracia militarista se repita, a constituição foi alterada de maneira a proibir completamente reeleições, mesmo que não-consecutivas. No Paraguai, o exercício da presidência é limitado a um mandato, o que visa coibir pretensões autoritárias. Em 2017, o então presidente Horacio Manuel Cartes cogitou a possibilidade de instituir uma emenda à constituição, para poder concorrer a mais um mandato presidencial. A insatisfação popular foi tão expressiva e tão negativa, que protestos violentos generalizados contrários a essa medida acabaram sendo deflagrados por toda a capital, Asunción, em uma tentativa de coibir o que foi interpretado pela sociedade como um delito e uma grave usurpação de poderes por parte das autoridades competentes. Como consequência das manifestações, o Partido Colorado, do qual Cartes era membro, o fez desistir da ideia. 

No final das contas, o saldo negativo da ditadura de Alfredo Stroessner faz seu governo ser parte integrante de um dos períodos mais sombrios e devastadores da história da América Latina. Essa é uma parte da história do Paraguai saturada de carniçaria e mortandade, que não deve ser esquecida, tampouco celebrada. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.