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A esquerda pela ótica da direita

A esquerda pela ótica da direita

Como a direita enxerga a esquerda? Existe, até certo ponto – não podemos negar – a manifestação de uma tendência capciosa quando uma ala da esfera política avalia e rotula o seu opositor. Ainda que tal definição pareça invariavelmente conspícua e quase profana – e até certo ponto o é – esquerda e direita são dois lados da mesma moeda, ainda que tal definição pareça impreterivelmente rude, simplória e equivocada. Não obstante, é necessário enfatizar que ambas defendem exatamente as mesmas coisas. Esquerda e direita procuram a paz, a harmonia e a ordem social, bem como maneiras práticas de conciliar diferenças, mas através de métodos tão distintos que é natural que existam profundas divergências e intensa animosidade entre ambas. A ênfase que colocam em suas pautas, no entanto, bem como suas prioridades, são inextricavelmente diferentes, e por isso, esquerda e direita jamais foram capazes de se reconciliar. Ambas sempre se viram uma como sendo a antítese da outra, e nestes tempos de globalização, passaram a hostilizar-se mutuamente. E não vou abordar centro, centro-esquerda ou centro-direita como possíveis pontos de convergência entre ambos, em virtude de sua desfaçatez rispidamente ilusória. O centro político é feito por indivíduos fracos, sem prioridades sólidas, cuja predileção é agradar tanto a direita quanto a esquerda. Sendo assim, é quase impossível não vislumbrar dicotomias, contradições, julgamentos – tanto corretos quanto equivocados – e preconceitos, quando um espectro do diagrama político avalia, dialoga ou analisa o outro.

No entanto, a verdade é que a direita vê a esquerda como uma legião de indivíduos indolentes, hostis e preguiçosos, que suplicam por um estado assistencialista que lhes dê tudo o que querem, ou que pensam ser seu por direito. Querem facilidades, benefícios, caridades e privilégios, enquanto refutam completamente obrigações, tarefas e deveres. Em resumo, são verdadeiros pirralhos mimados, que querem ganhar tudo na base da teimosia, do choro e do grito, enquanto são convencidos pelos líderes dos partidos nos quais militam de que fazem isso pelo “futuro” da nação e pela garantia da justiça e dos “direitos sociais”, termo este utilizado em praticamente todos os discursos da esquerda, a cada duas ou três frases, repetido de forma exaustiva pelos militantes e ativistas. A verdade é que a esquerda há muito tempo é encarada pela direita como um vil, tendencioso e falacioso movimento coletivista, no qual o indivíduo é completamente destituído de qualquer importância e valor, a não ser que seja um integrante da manada, um pobre e simplório doutrinado, completamente incapaz de pensar por si próprio, que repita incessantemente a cartilha do partido, como um fanático a serviço de um estado gigantesco, monstruoso, opressivo, pérfido e regulador. Não obstante, essa é apenas uma pequena parte da terrível e capciosa via-crúcis da esquerda, que concentra no epicentro de suas crenças magnânimas – sempre elaboradas em “benefício” do proletariado e do trabalhador – a síndrome de coitadismo, que faz do complexo de vítima a sua principal e mais consistente ferramenta para o indivíduo de esquerda sentir-se no direito de exigir tudo aquilo que ele pensa que deve ter pelo simples fato de ter nascido.

Aprendemos também que indivíduos de esquerda nunca são homens íntegros e fortes o suficiente para serem responsáveis por suas próprias ações. Tudo é culpa dos outros, mas na grande maioria das vezes, a culpa por todas as coisas ruins que acontecem no mundo cai invariavelmente na conta do “capitalismo opressor”. Até mesmo quando os políticos que o indivíduo esquerdista idolatra são implicados em casos de corrupção, a culpa nunca é de quem cometeu o crime. A culpa é sempre – invariavelmente – do “sistema capitalista opressor”. É o “sistema capitalista opressor” o responsável pelos grandes males do mundo, da civilização e da humanidade, embora, em determinadas ocasiões, a esquerda culpe a direita pelos erros que a própria esquerda comete. Mas, em resumo, a esquerda nunca é culpada por absolutamente nada. Ela é angelical, pura, incorruptível e sacrossanta. E além do mais, ela pode ser absolvida de praticamente tudo o que faz de errado, afinal, não foi ela que “inventou a corrupção”.

A esquerda dá pena em qualquer indivíduo que tenha o mínimo de decência, dignidade e sanidade mental. O complexo de vítima que os doutrinados são incentivados a cultivar é tão torpe e grotesco quanto infantil. Na verdade, é impossível não ver esquerdistas como crianças mimadas, que só sabem chorar, exigir, blasfemar, gritar e mandar. Não possuem o mínimo de dignidade, altruísmo, abnegação, decoro, decência, honestidade ou educação. Como papagaios adestrados perfeitamente domesticados para obedecer o estado e o partido, todas as habilidades dos indivíduos da esquerda se reduzem a repetir incessantemente as palavras “elite”, “burguesia” e “capitalismo” com uma frequência descomunal, através da sardônica bravata de uma arrogância totalitária, pelas quais se julgam senhores absolutos da verdade. É praticamente impossível discutir um assunto de forma normal e saudável com qualquer um deles. São estatólatras fanáticos que idolatram aviltantes políticos interesseiros, ineficientes e ricos, e não aceitam quem questione as “verdades” que eles fabricam, em seus mundinhos de faz-de-conta. Mas nada é tão incrivelmente hilariante quanto o pensamento esquerdista que os faz considerar erroneamente o fato de que eles genuinamente defendem e representam os pobres. Pergunte a qualquer indivíduo de classes desfavorecidas o que ele pensa da esquerda. Você terá a sua resposta no ato. Ela nunca fez absolutamente nada por ele. Não é a esquerda que sustenta a sua família, ou coloca comida sobre a sua mesa. Pelo contrário: ao arruinar a economia do país, a esquerda dilacerou as esperanças do pobre de encontrar um bom emprego, lutar pela possibilidade de oferecer coisas boas à sua família e mudar de vida. O pobre na verdade é o brasileiro comum, que a esquerda sempre afirmou defender, mas na verdade, negligenciou com veemência, descaso, displicência e desprezo. Hoje, o pobre não quer nem saber da covarde, falaciosa, aviltante, intransigente e maliciosa esquerda, com seus políticos ultraricos e militantes fanáticos. Quer irritar alguém da esquerda? Basta falar a verdade: eles a odeiam com todas as suas forças.

Artigo publicado no jornal A Folha do Sudoeste, periódico bissemanal de Palmas, Paraná, edição de 10 a 13 de junho de 2017. 

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.