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A China é um país capitalista?

A China é um país capitalista?

Desde que o brutal ditador Mao Tsé-tung morreu, a China, especialmente com Deng Xiaoping — o mandatário de 1978 a 1989 —, passou pelos benefícios de uma imensurável abertura econômica, que definitivamente trouxe melhorias à sociedade chinesa, aumentando a qualidade e a expectativa de vida da população, de uma forma que, ao menos até certo tempo atrás, não se cogitava ser possível. Crescimento e prosperidade econômica contínuas permitiram à China se transformar em uma das grandes potências mundiais.

No entanto, a fisiologia da economia chinesa é muito mais complexa do que poderíamos pensar à princípio. É uma combinação de fórmulas heterodoxas, artificiais e kenynesianas que absolutamente nada tem a ver com a normalidade da ortodoxia econômica. Com um Banco Central completamente submisso às diretivas do sistema de partido único, a economia chinesa cresceu de forma monolítica, sendo completamente controlada por intervenções minuciosas que ignoram a liquidez dos ativos reais que sustentam possibilidades de desenvolvimento factual e salutar. Por essa razão, podemos falar de forma categórica — sem medo de errar —, que o sistema econômico chinês é completamente dependente de um capitalismo de estado desenvolvimentista, saturado de intervenções discricionárias sancionadas pela elite do Partido Comunista Chinês. Algo completamente sem vínculos ou relação com o capitalismo de livre mercado, muito mais livre e descentralizado. O sistema econômico de dirigismo governamental é puramente intrusivo e intervencionsita; todo o desenvolvimento aparente é diluído sobre uma plataforma de progresso tão ilusória quanto artificial .

Tudo na China passa pelo sistema de planejamento central, especialmente diretrizes políticas relacionadas ao desenvolvimento econômico. Isto fica muito evidente quando analisamos as grandes cidades que são construídas todos anos na China; a maioria delas, no entanto, permanecem desabitadas, ou são habitadas por uma porção infinitesimal de sua capacidade populacional total. Apostando de forma compulsiva na construção de cidades com um sistema de planejamento urbano completamente centralizado sobre as diretrizes do estado, o Produto Interno Bruto da China se desenvolveu de forma substancial nas últimas décadas, mas partindo de um centralismo heterodoxo e inorgânico. Não há, portanto, sustentabilidade efetiva neste diagrama de progresso vertical, que como mencionado acima, é completamente artificial, e ignora necessidades e princípios econômicos básicos, em nome do intervencionismo indiscriminado. Para a construção de tais projetos megalomaníacos, por exemplo, o consumo de material foi estarrecedor — em apenas dois anos, de 2011 a 2013, a China consumiu mais concreto do que os Estados Unidos ao longo de todo o século 20. Agora, a China possui uma enorme quantidade de cidades desabitadas, ou parcialmente habitadas, que revelam a farsa incongruente de um sistema de planejamento central.  

Em função desse sistema governamental centralizado, hoje a China tem dezenas de cidades fantasmas que juntas somam 64 milhões de apartamentos vazios, o que poderá muito bem descarrilhar para a maior crise imobiliária da história. A economia da China, portanto, se desenvolveu, mas sendo completamente dirigida pelo estado, sempre presa a um eixo axial de metodologia intrinsicamente intervencionista, sempre aquém de qualquer possibilidade de liberdade econômica. O que existe na China, desde a abertura promovida por Deng Xiaoping — e que ficou muito pior com o passar dos anos — é exacerbado capitalismo de estado desenvolvimentista, que beneficia majoritariamente um autocrático corporativismo governamental, e não a população. Com o projeto que ficou conhecido pelo extravagante nome de Cinturão Econômico da Rota da Seda e a Rota da Seda Marítima do Século 21, o governo chinês pretende construir uma gigantesca infraestrutura logística móvel, que ligará a China à Europa e a outras partes do mundo, com o propósito de tornar mais rápido e dinâmico o intercâmbio comercial do Dragão Asiático com outras nações. O governo chinês pretende se expandir e tomar conta de tudo. Até mesmo iniciativas por ganhos financeiros independentes, como as criptomoedas, serão proibidos pelo estado. 

Em uma nação onde o estado controla absolutamente tudo, a própria noção da existência de capitalismo torna-se uma contradição, uma vez que o capitalismo implica em — e para existir, requer, necessariamente — liberdade. Portanto, podemos dizer que sim, que a China pratica o capitalismo na economia, mas capitalismo de estado desenvolvimentista, e não capitalismo de livre mercado. Estes são antagônicos, e com matrizes criativas e produtivas completamente distintas, sem nenhuma conexão.   

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Sobre Mim

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O Ultraconservador é um reacionário cristão antissocialista, anticomunista, antimarxista e antiestatista. Um indivíduo sem medo do establishment socialdemocrata ditatorial, corrosivo e totalitário. É colaborador de periódicos (jornais e revistas) e portais eletrônicos do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.